Volta às aulas: Pesquisa aponta aumento médio de 17,81% no preço do material escolar e revela grandes diferenças entre produtos e estabelecimentos
Levantamento da Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor e do Procon-RJ analisou 90 produtos comparáveis entre 2025 e 2026 e identificou aumentos, reduções e variações expressivas de preços
A Secretaria de Estado de Defesa do Consumidor (SEDCON) e o Procon do Estado do Rio de Janeiro (PROCON-RJ) realizaram uma pesquisa de itens mais procurados nas compras de material escolar e uma análise comparativa entre os anos de 2025 e 2026. Nos 90 itens pesquisados, cerca de 60% deles apresentaram aumento de preço entre os anos, enquanto 40% dos itens tiveram redução nos preços.
Em análise à pesquisa, a Diretoria de Estudos e Pesquisas identificou nove produtos com o que foi tecnicamente considerado como “comportamento extremo”, com preços muito acima da média geral, alcançando até 475% de variação positiva entre 2025 e 2026. Os principais grupos afetados por esses aumentos extraordinários trazem diferentes explicações, mas os aumentos mais acentuados concentram-se em itens de nicho, de maior valor agregado ou com menor grau de substituibilidade, o que dificulta a busca de alternativas mais baratas por parte do consumidor.
O primeiro grupo que chama atenção no aumento é o de instrumentos geométricos e de desenho técnico, como réguas, esquadros, transferidores e kits de desenho apresentaram, em certos modelos e marcas, incrementos expressivos. Segundo a diretoria, em alguns casos, trata-se da substituição, pelos fornecedores, de linhas básicas por linhas “premium” ou “profissionais”, com consequente reposicionamento de preço. Também é possível que fatores como mudanças na política de importação, variação cambial ou concentração de oferta tenham contribuído para a elevação dos preços em segmentos específicos.
Outro grupo expressivo é o de tintas e materiais artísticos. Alguns tipos de tinta (guache, acrílica, aquarela escolar) e determinados materiais artísticos tiveram aumentos desproporcionais, chegando à casa de centenas por cento em modelos específicos. É plausível associar essa variação a questões de custo de insumos, reposicionamento de marcas e, eventualmente, mudança de embalagem ou quantidade.
Por fim, lápis especializados e itens de maior valor agregado, como lápis de cor de maior número de cores, lápis aquareláveis, lápis especiais para desenho técnico e outros artigos de nicho apresentaram aumentos extremos em alguns casos. Tais produtos, por terem um mercado mais restrito, podem ser mais sensíveis a alterações de oferta, importação e estratégia comercial dos fabricantes e varejistas.
De acordo com o secretário da SEDCON, Gutemberg Fonseca, essas variações evidenciam para o consumidor a necessidade de pesquisa antes da compra dos materiais escolares.
“A compra de material escolar é uma tarefa que exige atenção e planejamento. Nesse período marcado pelo aumento da demanda, a orientação é que os consumidores se planejem, façam uma análise da lista de material, comparem preços e tomem decisões estratégicas e econômicas.” – afirma o Secretário.
Outro ponto que chama atenção na pesquisa são as reduções drásticas, em itens com redução de preços em até 98% do valor de um ano para o outro. De acordo com a análise da equipe técnica, dicionários escolares e materiais de apoio como tabuadas apresentaram algumas das maiores quedas de preço observadas.. Entre os fatores que podem explicar essas quedas drásticas, destacam-se: a crescente substituição de materiais impressos por recursos digitais gratuitos ou de baixo custo (aplicativos, sites, plataformas educacionais); a necessidade de escoamento de estoques de materiais impressos frente à redução da demanda e políticas promocionais agressivas de algumas redes, que podem ter reduzido fortemente o preço desses itens para atrair consumidores.
Fiscalizações em escolas e papelarias
Paralelamente à divulgação da pesquisa, a SEDCON e o PROCON-RJ vêm realizando fiscalizações em escolas e papelarias ao longo da semana, com foco na prevenção de práticas abusivas e na garantia dos direitos dos consumidores.
Durante as ações, foi autuada uma escola de alto padrão localizada na Barra da Tijuca, que atende do ensino infantil ao ensino médio. Entre as irregularidades constatadas está a ausência de acessibilidade nos banheiros e vestiários da área de educação física, próximos à piscina, com falta de espaço para circulação de cadeira de rodas, inexistência de barras de apoio em chuveiros e vasos sanitários e presença de soleiras elevadas, configurando barreiras ao acesso de alunos com deficiência.
Também foi identificada irregularidade na lista de material escolar. O aluno tinha a opção de pagar uma taxa de material ou adquirir os itens por conta própria. No entanto, caso optasse por não pagar a taxa, o responsável deveria arcar com uma taxa adicional de “atividades pedagógicas e eventos”, no valor médio de R$ 450,00, conforme a turma. Não foi localizada informação clara sobre a natureza dessa cobrança no documento apresentado, tendo sido informado que a taxa se referia a eventos realizados pela escola. A unidade tem 15 dias para apresentar defesa.

