Tráfego nas rodovias do Rio salta 8,4% em março, mas ainda acumula queda no ano, mostra Veloe/Fipe
Alta foi puxada por veículos pesados após o Carnaval; no trimestre, fluxo recua 2,6% e mostra recuperação irregular
O tráfego nas rodovias do Rio de Janeiro deu um salto de 8,4% entre fevereiro e março de 2026, já descontados os efeitos sazonais, segundo os dados do Monitor de Tráfego nas Rodovias, levantamento realizado pela Veloe em parceria com a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). O avanço foi puxado sobretudo pelo transporte de carga: o fluxo de veículos pesados cresceu 13,6% no período, enquanto o de leves avançou 7,1%.
Na comparação com março de 2025, porém, o ritmo foi mais moderado. O tráfego agregado nas rodovias fluminenses subiu 2,5%, com alta de 7,0% nos veículos pesados e de 1,8% nos leves, indicando que, apesar da recuperação recente, o nível de atividade ainda mostra sinais de acomodação em relação ao ano anterior.
O desempenho ao longo de 2026 reforça esse quadro mais irregular. No primeiro trimestre, o fluxo nas rodovias do estado recuou 2,6%, pressionado pela queda tanto no transporte de carga (-4,8%) quanto no de passageiros (-2,3%). No acumulado dos últimos 12 meses, a retração é de 1,7%, com maior impacto vindo dos veículos pesados (-3,6%) e, em menor escala, dos leves (-1,4%).
Parte da recuperação observada em março encontra respaldo em um ambiente ainda favorável à mobilidade de passageiros. O mercado de trabalho brasileiro seguiu resiliente no trimestre encerrado em fevereiro, com taxa de desocupação de 5,8% e rendimento real habitual de R$ 3.679. O saldo positivo de 255,3 mil vagas formais no mês incluiu a abertura de 11,4 mil postos no estado fluminense, contribuindo para sustentar deslocamentos ligados ao consumo, turismo e lazer.
O setor de serviços, por sua vez, avançou 0,3% em janeiro e manteve o nível recorde da série, reforçando a demanda por viagens intermunicipais.Nesse contexto, o crescimento do fluxo de veículos leves em março no Rio de Janeiro aparece alinhado a uma recuperação após a fraqueza observada em fevereiro.
Já no segmento de carga, o salto mais intenso parece refletir, em grande medida, uma recomposição dos fluxos interrompidos no mês anterior, mais do que uma mudança estrutural de tendência. Ainda assim, o resultado pode ter sido favorecido pela retomada da circulação em cadeias ligadas à atividade portuária, à indústria e ao setor de óleo e gás, relevantes para a economia fluminense.
Dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) mostram que a frota de veículos do estado atingiu 8.292.534 unidades em fevereiro de 2026, o equivalente a 6,4% do total nacional. O número representa alta de 0,3% no mês, com crescimento acumulado de 0,6% no ano e de 3,7% em 12 meses.
A composição da frota é majoritariamente de automóveis (61,1%), seguida por motocicletas (17,2%), caminhonetes (5,1%), camionetas (4,9%), motonetas (4,0%) e caminhões (2,0%), além de outros tipos (5,6%). Em relação ao combustível, há maior diversificação, com destaque para veículos movidos exclusivamente a gasolina (34,4%), flex (34,1%) e com GNV (19,8%), além de diesel (5,3%), etanol (3,7%) e elétricos ou híbridos (0,6%).
A idade média da frota fluminense é de 18,2 anos. Do total, 16,3% dos veículos têm até cinco anos de fabricação, enquanto 36,1% possuem mais de 20 anos, indicando um perfil ainda envelhecido, semelhante ao observado em outras regiões do país.

