12 de janeiro de 2026
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Suzane von Richthofen tenta liberar o corpo do tio encontrado morto dentro de casa

Condenada a 39 anos de prisão por ter mandado matar os próprios pais, Suzane von Richthofen foi ontem à 27ª Delegacia de Polícia, na zona sul de São Paulo, para tentar liberar o corpo do tio Miguel Abdala Netto, de 76 anos, encontrado morto dentro de casa, no Campo Belo. A Polícia Civil investiga o caso como morte suspeita. Policiais da unidade disseram ter ficado surpresos com a aparição de Suzane na unidade policial. Foi nessa mesma delegacia que, em 2002, foi registrado o boletim de ocorrência do assassinato de Manfred e Marísia von Richthofen, mortos a pauladas por Daniel e Cristian Cravinhos, a mando dela. Suzane depôs pelo menos duas vezes na 27ª DP acompanhada justamente do tio.

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Miguel era médico, morava sozinho e levava uma vida isolada. Não tinha cônjuge, filhos, pais ou irmãos vivos. Seus únicos parentes vivos são Suzane e Andreas von Richthofen.

Na conversa com os investigadores, Suzane afirmou ser a única parente consanguínea próxima do médico, por ser sobrinha de primeiro grau. Com esse argumento, tentou formalizar a liberação do corpo para sepultamento, numa movimentação que também abriria caminho para se tornar inventariante dos bens deixados por Miguel. Ele tinha uma casa e um apartamento no Campo Belo, além de um sítio no litoral paulista. Estima-se que o patrimônio some cerca de R$ 5 milhões.

Os policiais decidiram não atender ao pedido de Suzane. Que cumpre pena a pena de 39 anos em liberdade. Um dia antes, Sílvia Magnani, prima de primeiro grau e ex-companheira de Miguel, também tentou liberar o corpo para sepultamento, mas a polícia pediu a ela uma prova formal do parentesco. Sílvia conseguiu apenas fazer o reconhecimento do cadáver no Instituto Médico Legal (IML).

Na mesma madrugada da morte de Miguel, o portão da casa onde ele foi encontrado amanheceu pichado com a frase “Será que foi a Suzane?”, numa insinuação de que a sobrinha poderia ter algum tipo de envolvimento com a morte do tio. A polícia aguarda o resultado de exames periciais e toxicológicos para esclarecer as circunstâncias do óbito.

Depois de não conseguir liberar o corpo do tio na delegacia, Suzane foi ao fórum e entrou com um pedido de tutela para tentar reverter a situação. Enquanto o impasse não se resolve, o corpo permanece no freezer do IML.

Sílvia afirma torcer para que Miguel tenha deixado um testamento. Segundo ela, assim que esse documento for localizado, ficará claro que Suzane está excluída da herança. Durante o período em que se relacionou com Miguel, ela diz que o médico “falava horrores da sobrinha” e afirmava que lutaria até o fim da vida para que ela não herdasse “sequer um alfinete” da família que, nas palavras dele, ela própria havia destruído.

Não é a primeira vez que Suzane recorre à Justiça em disputas familiares envolvendo patrimônio. Logo depois da morte dos pais, ela tentou se tornar inventariante dos bens do casal, avaliados à época em cerca de R$ 10 milhões. Foi Miguel quem entrou com uma ação e conseguiu que a sobrinha fosse declarada indigna de herdar bens dos pais que ela mesma mandou matar. Com isso, toda a herança ficou com Andreas.

Agora, com a morte de Miguel, a família volta a se ver diante de um novo conflito. Sílvia tentou localizar Andreas para comunicar o falecimento do tio, mas não conseguiu. Ele estaria isolado em um sítio no litoral paulista, em endereço que os parentes dizem desconhecer.

Miguel foi encontrado morto na sexta-feira, dentro da própria casa, na Rua Baronesa de Bela Vista. Um vizinho, dono de uma empresa de construção ao lado do imóvel, estranhou a falta de contato havia cerca de dois dias, subiu no muro com uma escada e, ao olhar para o interior da residência, viu o corpo no quarto do piso superior, sentado no chão e com as costas apoiadas na cama. Em seguida, acionou a polícia. Sílvia disse que ele era hipertenso e tomava remédios controlados.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) foi chamado e constatou a morte. O corpo já estava em estado de putefração. Não havia sinais aparentes de violência, mas a casa foi preservada para perícia.

No dia anterior à descoberta do corpo, a diarista esteve na casa, bateu no portão, tocou a campainha e enviou mensagens, mas não obteve resposta e foi embora. Câmeras de segurança de uma empresa vizinha mostram Miguel entrando em casa pela última vez no dia 7 de janeiro, às 17h10. Depois disso, não foi mais visto.

Irmão de Marísia von Richthofen, Miguel rompeu relações com Suzane após o assassinato do casal e tornou-se tutor de Andreas, então com 14 anos. A relação com o sobrinho também foi marcada por desavenças. Um dos episódios mais tensos ocorreu quando Miguel encontrou e entregou ao Ministério Público uma pistola que Andreas havia escondido no quintal da casa, o que deixou o jovem furioso. Outro motivo de atrito surgiu quando Andreas passou a insistir em visitar a irmã na penitenciária, algo a que o tio se opunha.

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