13 de fevereiro de 2026
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STF adia decisão sobre Washington Reis após pedido de vista de Fux

Julgamento pode definir se ex-prefeito de Duque de Caxias seguirá inelegível e fora das eleições de 2026

O Supremo Tribunal Federal (STF) adiou nesta quarta-feira (11) a decisão que pode definir o futuro político do presidente do MDB no Rio, o ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis. O ministro Luiz Fux pediu vista do processo — ou seja, mais tempo para analisar o caso — e suspendeu o julgamento quando o placar já era desfavorável ao emedebista.

Reis foi condenado em 2016 a sete anos de prisão por crime ambiental e está inelegível por decisão colegiada. Desde então, recorre da sentença e nunca cumpriu pena. A definição do STF pode determinar se ele poderá disputar as eleições de 2026, seja ao governo do Estado ou ao Senado.

Como está o placar no STF

O caso julga recursos apresentados pela defesa de Washington Reis na tentativa de reverter a condenação relacionada ao loteamento Vila Verde, em Duque de Caxias, área próxima à Reserva Biológica do Tinguá.

Até o momento, votaram pela manutenção da condenação os ministros:

  • Flávio Dino (relator)
  • Alexandre de Moraes
  • Cristiano Zanin
  • Gilmar Mendes

O ministro André Mendonça abriu divergência e votou pela absolvição.

Nesta quarta-feira, o ministro Gilmar Mendes apresentou voto acompanhando o relator e rejeitando o recurso da defesa. Em seu voto, ele fez um histórico detalhado do caso, citando descumprimento de embargo da obra e apontando diversos danos ambientais, incluindo impactos à Reserva do Tinguá.

Após o voto de Mendes, Luiz Fux pediu vista ao afirmar que foram apresentados novos elementos no processo e que precisa de mais tempo para análise. Com isso, o julgamento foi novamente suspenso. A ministra Cármen Lúcia e o presidente da Corte ministro Edson Fachin aguardam a devolução do processo para votar.

O que está em discussão

A condenação envolve a construção do condomínio Vila Verde, apontado pela acusação como loteamento irregular em área protegida. A sentença afirma que houve degradação ambiental, destruição de vegetação e risco ao abastecimento de água na região de Xerém.

A defesa contesta essa versão. Os advogados alegam que:

  • O Ibama teria alterado a chamada “zona de amortecimento” da reserva durante o andamento das obras;
  • A área já estaria bastante modificada antes da construção;
  • É possível fazer compensação ambiental em outro local.

Além disso, a defesa manifestou interesse em discutir um acordo de não persecução penal (ANPP), que poderia converter a condenação em medidas de reparação ambiental.

PGR rejeita acordo

A Procuradoria-Geral da República já se manifestou contra a possibilidade de acordo. O órgão sustenta que os danos foram graves, incluindo destruição de mata ciliar e assoreamento de rio, o que afastaria a aplicação do instrumento previsto no pacote anticrime.

Caso o STF mantenha a condenação, Reis continuará inelegível. Se houver mudança no entendimento ou eventual acordo, ele poderá recuperar os direitos políticos.

Impacto nas eleições de 2026

A decisão tem peso direto no cenário eleitoral do Rio. Washington Reis é apontado como possível candidato ao governo ou ao Senado.

Em 2022, ele chegou a ser anunciado como vice na chapa do governador Cláudio Castro, mas foi retirado por causa da inelegibilidade. Seu nome voltou a circular como alternativa dentro do MDB e também como peça importante na reorganização das alianças estaduais.

Nos bastidores, o julgamento é acompanhado de perto por lideranças políticas, já que o resultado pode embaralhar a disputa de 2026.

Com o pedido de vista de Luiz Fux, não há prazo definido para a retomada. Até lá, o futuro político de Washington Reis permanece nas mãos do Supremo.

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