Segunda noite do Grupo Especial será marcada por grandes homenagens
Mocidade, Beija-flor, Viradouro e Unidos da Tijuca prometem arrebatar o público
A segunda noite de desfiles do Grupo Especial, com Mocidade Independente de Padre Miguel, Beija-Flor de Nilópolis, Unidos do Viradouro e Unidos da Tijuca, será marcada por homenagens.
A Verde e Branco da Zona Oeste vai apresentar “Rita Lee, a Padroeira da Liberdade”, reverenciando a eterna rainha do rock brasileiro, que morreu em 2023. Em seguida, a Azul e Branco da Baixada, atual campeã, mostrará a força do Bembé, celebração de candomblé que acontece anualmente em Santo Amaro da Purificação, na Bahia.
A Viradouro, por sua vez, promete fazer história com “Pra Cima, Ciça”, o primeiro enredo em homenagem a um mestre de bateria. E para fechar a noite em grande estilo, a Unidos da Tijuca destacará o legado da escritora Carolina Maria de Jesus.
Mocidade Independente de Padre Miguel
Enredo: Rita Lee – A Padroeira da Liberdade
Presidente: Flávio Santos
Carnavalesco: Renato Lage
Diretor de Carnaval: Marcelo Plácido
Intérprete: Igor Vianna
Mestre de bateria: Dudu
Rainha de bateria: Fabíola de Andrade
1º casal de mestre-sala e porta-bandeira: Diogo Jesus e Bruna Santos
Comissão de frente: Marcelo Misailidis
Abrindo a segunda noite, a Mocidade apresentará uma homenagem à cantora Rita Lee (1947-2023), destacando o estilo irreverente da artista e os hits da carreira.
“A Mocidade fará uma grande celebração à liberdade com muita alegria e irreverência, pontuando algumas facetas dessa artista icônica da nossa cultura pop através da sua obra musical e momentos marcantes da sua trajetória artística. Viva Rita Lee”, celebra o carnavalesco Renato Lage.
O refrão do samba faz referência à canção “Erva Venenosa”. A letra lembra, ainda, clássicos como “Ovelha Negra”, “Agora Só Falta Você”, “Mania de Você” e “Lança-perfume”.
Roberto de Carvalho, viúvo de Rita, e a atriz Mel Lisboa, “encarnando” a homenageada, são algumas das presenças ilustres confirmadas no desfile.
Beija-Flor de Nilópolis
Enredo: Bembé
Presidente: Almir Reis
Carnavalesco: João Vitor Araújo
Diretor de Carnaval: Marquinho Marinho
Intérpretes: Ninno do Milênio e Jessica Martin
Mestres de bateria: Plínio e Rodney
Rainha de bateria: Lorena Raíssa
1º casal de mestre-sala e porta-bandeira: Claudinho e Selminha Sorriso
Comissão de frente: Jorge Teixeira e Saulo Finelon
A Beija-Flor vai à Avenida para lutar pelo bicampeonato. O enredo “Bembé” mostra a história do Bembé do Mercado, celebração que acontece todos os anos, no dia 13 de maio, em Santo Amaro da Purificação. A festa começou em 1889, um ano após a Abolição da Escravatura, para marcar a ocupação do espaço público pela parte da população que estava segregada e comemorar a liberdade. O cortejo leva oferendas para Oxum, senhora das águas doces e da fertilidade, e para Iemanjá, rainha do mar.
“É uma história de coragem, celebração e pioneirismo liderada por João de Obá, em 1889, para agradecer a rainha das águas. É bem interessante, porque o agradecimento para a libertação não é para a princesa, mas sim para Iemanjá. O público pode esperar, como sempre, uma Beija-Flor grande, imponente e perfumada! Será um desfile de cores, textura, cheiros… Só não vou dizer de sabor, porque não posso levar comida de verdade. Será um desfile cheiroso, digamos assim”, destaca o carnavalesco João Vitor Araújo.
A celebração dura de seis a sete dias. Ainda de acordo com João Vitor, cada setor contará um dia de festa do Bembé.
“Um ‘spoiler’ para vocês: a gente começa com as águas e encerra com as águas. Como destaque, aposto no ‘pede passagem’. Embora não seja considerada uma alegoria, é um carro cheio de recursos pirotécnicos. Também a alegoria 6, o carro do Mercado, porque quem já esteve em Santo Amaro vai se identificar rapidamente com a alegoria. São vários pontos altos no nosso desfile. O carro 3 vai chamar atenção pelo colorido e pelos movimentos”, adianta.
Unidos do Viradouro
Enredo: Pra Cima, Ciça!
Presidente: Hélio Nunes
Carnavalesco: Tarcísio Zanon
Diretores de Carnaval: Alex Fab e Dudu Falcão
Intérprete: Wander Pires
Mestre de bateria: Ciça
Rainha de bateria: Juliana Paes
1º casal de mestre-sala e porta-bandeira: Julinho Nascimento e Rute Alves
Comissão de frente: Rodrigo Negri e Priscilla Mota
Aos 70 anos, Ciça será o primeiro mestre de bateria a desfilar como enredo de uma escola de samba. Após ser passista e ritmista, ele estreou no cargo de liderança na década de 1980, na Estácio de Sá, fase que será retratada no início do desfile. A apresentação também fará referências a alcunhas do sambista, como “rei dos naipes” e “caveira”. Inovações das baterias comandadas por Ciça em mais de 50 anos de carreira também serão abordadas.
“A gente está falando do mestre dos mestres. E quando a gente fala do mestre dos mestres, a gente está falando do maestro de uma orquestra ambulante, de um professor, de um líder, que forma muitos ritmistas. O Ciça está há 55 anos em atividade, trinta e poucos como mestre de bateria, então ele é uma grande liderança. E para isso ele construiu com carisma, com criatividade, e ousadia. Esses afetos estarão representados nos mestres que ele formou”, explica o carnavalesco Tarcísio Zanon.
Além da longa carreira ligada ao samba, a Viradouro mostrará aspectos da vida pessoal do homenageado, como a religiosidade e o Vasco da Gama, seu time de coração. Ainda assim, o Flamengo também fará parte do desfile, uma vez que Ciça comandou a bateria da Estácio no centenário do Rubro-Negro, em 1995.
Zanon ressalta, também, que pessoas significativas na vida do mestre participarão da apresentação, entre elas Juliana Paes, que volta a ser rainha de bateria após 17 anos.
Unidos da Tijuca
Enredo: Carolina Maria de Jesus
Presidente: Fernando Horta
Carnavalesco: Edson Pereira
Diretores de Carnaval: Fernando Costa e Elisa Fernandes
Intérprete: Marquinhos Art’Samba
Mestre de bateria: Casagrande
Rainha de bateria: Milieide Mihaile
1º casal de mestre-sala e porta-bandeira: Matheus Miranda e Lucinha Nobre
Comissão de frente: Bruna Lopes e Ariadne Lax
A Unidos da Tijuca encerra a noite exaltando a trajetória de Carolina Maria de Jesus. A escola pretende exaltar as obras e o legado da escritora, indo além das dificuldades pelas quais ela passou.
“Nosso enredo contará a história da maior escritora brasileira de todos os tempos. Carolina foi uma obstinada sobrevivente do sistema social. Multiartista, mãe, negra, forte. Ao olharmos para a escola e seus antigos enredos literários, como a homenagem ao escritor Lima Barreto, também um bastião na escrita sobre as camadas sociais, encontramos os caminhos que nos levaram até Carolina Maria de Jesus. E mais do que isso, entendemos o atravessamento emocional e histórico da obra da autora em nossa comunidade, em especial nas tantas mulheres negras do Morro do Borel e da escola”, exalta o carnavalesco Edson Pereira.
O desfile foi dividido em cinco capítulos. A Tijuca mostrará a infância da autora, cercada pela mãe, tias e madrinhas, além do avô Benedito, em Minas. Em seguida, virão momentos marcantes da vida da escritora, como a ida para São Paulo após ter sido presa e torturada em Sacramento, sua cidade natal, por ler um dicionário. Por fim, a agremiação exaltará a homenageada como símbolo de resistência e cultura.

