23 de março de 2026
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Secretaria de Estado de Saúde, Prefeitura de Petrópolis e Unifase realizam simulado para desocupação de áreas de risco

Exercício serve para apoiar o deslocamento de pessoas com deficiência e hipervulnerabilidade para locais seguros em dias de eventos climáticos severos

Neste final de semana, a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) promoveu, em parceria com a Prefeitura de Petrópolis e o Centro Universitário Arthur Sá Earp Neto/Faculdade de Medicina de Petrópolis (Unifase/FMP), um simulado para a sensibilização e desocupação de áreas sensíveis a eventos climáticos severos.

A ação foi realizada na Estrada da Saudade, região de risco geológico com o objetivo de estruturar protocolos para o deslocamento de pessoas com deficiência e/ou hipervulnerabilidade em direção a locais seguros em dias que houver previsão de chuvas fortes.

A união entre Estado, Município e Ministério Público, tem como meta a construção de um protocolo para a remoção de pessoas vulneráveis, tanto quanto possível, de modo antecipado.  Trata-se de uma parcela da população com mobilidade reduzida, que precisa de um tempo maior para serem atendidas. O assessor especial do gabinete da SES-RJ, Coronel BM Sérgio Simões, apoiou as atividades no local.

“O trabalho que vem sendo feito aqui na cidade de Petrópolis é um exemplo do muito que se pode fazer com a inserção da Atenção Primária à Saúde, com suas equipes de médicos, enfermeiros e, sobretudo, Agentes Comunitários de Saúde no Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil. Ouso afirmar que os ACSs são a única representação do poder público com absoluta credibilidade nos territórios com vulnerabilidades sociais e de riscos geológicos e hidrológicos”, aponta.

Simões também destaca que os moradores conhecem e confiam nas equipes da Estratégia Saúde da família e que esse é um fator absolutamente fundamental para a elaboração de planos de desocupação que contemplem a escuta dos anseios da comunidade e, por conseguinte, o seu comprometimento com as ações preventivas antecipadas de proteção.

“Já passou da hora de se estabelecer o imperativo categórico de intersetorialidade entre o Sistema de Defesa civil e a Saúde na prevenção, resposta e gestão dos desastres”, disse.

Nos últimos meses, representantes da SES-RJ têm se reunido com diferentes setores da Prefeitura de Petrópolis, como as secretarias de Saúde, Defesa Civil, Pessoa com Deficiência, Assistência Social, Educação, para debater a construção de um plano de remoção focado nas pessoas com deficiência e hipervulnerabilidade.

“Essa é uma preocupação compartilhada por todos nós do município, do Estado e da universidade: o cuidado com as pessoas mais vulneráveis, que enfrentam ainda mais dificuldade em momentos de eventos climáticos. Essa união entre Prefeitura, Governo do Estado e Unifase vai permitir a construção de um protocolo focado na segurança e na vida dessas pessoas. O trabalho é longo, temos muito ainda para pensar e organizar, mas nosso objetivo principal é esse: trabalhar de forma preventiva, atendendo essas pessoas de forma antecipada e cuidadosa”, apontou o prefeito de Petrópolis, Hingo Hammes.

A Unifase entrou nessa união pela expertise obtida por meio do projeto “Comunidade que Cuida da Vida”, desenvolvido na comunidade. A iniciativa busca mapear pessoas com deficiência e hipervulneráveis e identificar rotas de fugas, articulando para entender as necessidades locais e criar estratégias de proteção.

“Depois de a gente mapear a micro área dos hipervulneráveis, buscamos algumas soluções para essas pessoas antes da chuva. Em diálogo com a população, porque esse projeto é construído junto com a população, a gente vislumbrou a possibilidade deles saírem antes desse momento de chuva. Em conversa com as secretarias de Saúde do Estado e do município, com a Defesa Civil também, a gente viu a possibilidade dessa retirada”, explicou a coordenadora do projeto “Comunidade que cuida da vida”, Livia Teixeira.

Na prática, o protocolo será acionado no momento em que houver um aviso meteorológico de eventos climáticos severos. Isso permitirá que as equipes de socorro da Saúde realizem o transporte preventivo para unidades de saúde, pontos de apoio ou redes de acolhimento familiar. Durante a atividade prática realizada no sábado (21/03), quatro moradores da comunidade do Fragoso participaram do teste: dois foram encaminhados para hospitais, um para residência de parentes e outro para o ponto de apoio local, na Escola Municipal Jorge Amado.

“O nosso papel é informar a população frente a um evento climático extremo. Com o aviso da Defesa Civil, será possível programar o sistema de saúde para poder levar essas pessoas hipervulneráveis para um lugar seguro”, afirmou o secretário municipal de Defesa Civil de Petrópolis, Guilherme Moraes.

“Com esse simulado, a gente consegue identificar quais são as dificuldades que se tem ao lidar com situações divergentes, já que são pessoas com deficiência ou hipervulnerabilidade, que a gente precisa identificar e trabalhar no sentido de antecipar a remoção dessas pessoas com segurança para um local adequado, para não ter o problema exatamente quando o desastre acontece. Esse simulado vai trazer todo conhecimento melhor do que acontece no território num dia de desastre”, disse a superintendente de Atenção à Saúde da Secretaria Municipal de Saúde de Petrópolis, Fabíola Heck.

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