Rio alcança marca de 99% das escolas públicas de ensino básico com acesso à internet
O Rio de Janeiro está muito próximo da universalização do acesso à internet em escolas públicas de ensino básico. Informações divulgadas pelo Censo Escolar 2025 indicam que o estado deu um salto de 15,5 pontos percentuais em dez anos. Em 2015, 83,5% das instituições públicas de ensino infantil, fundamental e médio estavam conectadas à internet no Rio. Em 2025, o percentual chegou a 99%. O percentual do estado supera a média nacional, que registrou 93,1% em 2025.
Levando em conta apenas as instituições em áreas urbanas, a evolução do acesso nas escolas públicas do ensino básico no estado registrou um avanço de 10,3 pontos percentuais e hoje é praticamente universal, passando de 88,8% em 2015 para 99,1% em 2025. Nas áreas rurais, o avanço foi maior, de 39,8 pontos percentuais, com os índices saindo de 58,2% em 2015 para 98% em 2025.
O mesmo fenômeno se refletiu em escolas indígenas, quilombolas e de educação especial do Rio. O destaque ficou por conta das escolas de educação especial, que em 2015 apresentavam 88,8% de acesso à internet e, após um salto de 10,3 pontos percentuais, atingiram 99,1% de acesso em 2025. Nas escolas quilombolas o salto foi de 13,9 pontos percentuais, saindo de 81,8% em 2015 para 95,7% de acesso em 2025. Nas escolas indígenas, após um avanço de 25 pontos percentuais, os índices de acesso à internet passaram de 50% em 2015 para 75% em 2025.
No plano mais diretamente conectado ao cotidiano dos estudantes no Rio, o número de escolas públicas com internet disponível para atividades de ensino e aprendizagem entre 2019 (ano mais distante de referência neste quesito Censo Escolar 2025) e 2025 passou de 36,9% para 76,7%, um crescimento de 39,8 pontos percentuais. Já o número de escolas com computadores disponíveis para alunos (desktops ou laptops) também registrou avanço entre 2015 e 2025 e passou de 66,2% para 77,2% (11 pontos percentuais).
Estatégia nacional
Os avanços observados no Censo Escolar dialogam com um conjunto de políticas federais implementadas nos últimos anos para ampliar o acesso à internet nas escolas públicas. Lançada em setembro de 2023, a Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (ENEC) articula ações voltadas à expansão do acesso à internet de qualidade, à melhoria da infraestrutura elétrica e de rede interna (Wi-Fi) e à promoção do uso pedagógico das tecnologias digitais. Entre 2023 e 2025, foram destinados aproximadamente R$ 3 bilhões para ações de conectividade em escolas estaduais e municipais, em regime de colaboração com estados e municípios.
Fins pedagógicos
“Nós queremos a tecnologia na escola com fins pedagógicos, para auxiliar a aprendizagem do aluno e ser elemento complementar do professor. Há um esforço do governo de garantir 100% da conectividade para fins pedagógicos das escolas”, afirma o ministro da Educação, Camilo Santana.
A estratégia opera de forma integrada. Combina expansão da infraestrutura, monitoramento técnico da qualidade da conexão e apoio às redes de ensino para garantir que o acesso esteja associado a condições efetivas de aprendizagem e uso pedagógico.
“O censo apresenta a conectividade em geral, mas ela pode ser para a sala do professor, para o diretor, para a área administrativa. O que queremos é que o professor possa transmitir um vídeo em sala. E é por isso que criamos a Estratégia de Conectividade de Escolas, e passamos de 45% em 2023 para 70% este ano”, completa Santana.
Como é feito
O Censo Escolar é realizado anualmente pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e contabiliza 178,8 mil escolas de educação básica no Brasil. A divulgação dos resultados de 2025 foi realizada em 26 de fevereiro de 2026. O levantamento apresenta dados sobre escolas, professores, gestores, turmas e alunos de todas as etapas e modalidades de ensino.
Os indicadores do censo são usados para formulação, monitoramento e avaliação de políticas públicas. Os resultados servem, ainda, para a definição de programas e critérios para atuação do MEC junto às escolas, aos estados e aos municípios. Além disso, subsidiam o cálculo de indicadores, como o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) e possibilita contextualizar os resultados das avaliações, bem como o monitoramento da trajetória dos estudantes desde seu ingresso na escola. A precisão dos dados é base para o repasse de recursos de federais, como o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb), no ano seguinte.
Complementarmente ao Censo, o Ministério da Educação usa o Indicador Escolas Conectadas (INEC), no âmbito da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas, para avaliar se essa internet atende às condições necessárias para o uso pedagógico. O indicador considera a velocidade da conexão, a presença de Wi-Fi nos ambientes escolares e a infraestrutura elétrica compatível, além de integrar diferentes fontes de informação, como medições de velocidade da internet, registros contratuais e dados validados por gestores.

