6 de janeiro de 2026
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Rede estadual de saúde investe na melhoria da qualidade do atendimento aos idosos

Segundo estado com mais pessoas acima dos 60 anos, Rio de Janeiro reformou hospital especializado Eduardo Rabelo e lançará, este ano, o Plano Estadual de Saúde da Pessoa Idosa

O Rio de Janeiro é o segundo estado com a maior proporção de população idosa do país (13,1%), segundo o Censo 2022. Diante dessa projeção, o  Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Saúde (SES), volta seus esforços para a melhoria do atendimento a esse público. A reforma do Hospital Estadual Eduardo Rabelo, em Senador Vasconcelos, Zona Oeste da capital, contou com investimento de R$ 13 milhões. A unidade conta com um Centro-Dia, que oferece uma série de atividades sociais, que complementam o atendimento médico. Este ano, a SES-RJ vai lançar o Plano Estadual de Saúde da Pessoa Idosa, que entre as ações terá o primeiro curso de formação para cuidadores de idosos.

_ O envelhecimento da população é uma realidade que demanda mais oferta de vagas e atendimento especializado. O Governo do Rio está de olho nesse futuro, já preparando a rede hoje. São dois pilares em que estamos atuando, a adaptação da estrutura das unidades e a qualificação dos profissionais, que é o mais importante cuidar com carinho dos nossos idosos  – afirmou o governador Cláudio Castro.

Atendimento humanizado e especializado

Moradora de Campo Grande, Silvia Araújo Brêtas, de 70 anos, vem recebendo atendimento no Hospital Estadual Eduardo Rabello (HEER), com consultas de homeopatia e tratamento de auriculoterapia – técnica terapêutica que estimula pontos específicos na orelha para tratar diversas condições físicas, mentais e emocionais.

_Eu aqui me sinto acolhida. Os profissionais nos escutam, olham nos nossos olhos. Isso faz muita diferença, porque depois que a gente envelhece parece que ficamos invisíveis – diz.

Especializado no atendimento geriátrico, o Eduardo Rabelo foi inaugurado em 1973. A modernização permitiu a ampliação de leitos e dos serviços. Entre janeiro e setembro de 2025, foram mais de 16 mil atendimentos no ambulatório que conta com 15 especialidades, dentre elas: cardiologia, geriatria, ginecologia, odontologia, oftalmologia e ortopedia.

Um diferencial do Eduardo Rabelo é o Centro-Dia, onde idosos participam de atividades de recreação, música, dança, pintura, religião, costura e artesanato, roda de conversa, terapia da memória, atividade física e motivacional.

_Aos 53 anos, o hospital passa pela sua primeira grande reforma desde sua criação. Modernizamos duas enfermarias, com 31 leitos cada; e estamos terminando a terceira ala com mais 31 leitos. Além disso, inauguramos um CTI novo com sete leitos e estamos refazendo toda área da fisioterapia – conta o diretor do HEER, Helmer Cardoso Mattos.

Política pública de olho no futuro

Até 2060, esse número deve chegar a 40% dos fluminenses, de acordo com o IBGE. Um dos maiores desafios neste cenário de envelhecimento populacional é a qualificação dos profissionais de saúde para atender estes pacientes. Para isso, a SES criou uma área técnica de saúde da pessoa idosa, que oferece treinamentos e capacitações juntos aos municípios. O Plano Estadual de Saúde da Pessoa Idosa, que está em fase de elaboração vai estabelecer toda a Linha de Cuidado para Atenção Integral à Saúde da Pessoa Idosa.

_O objetivo do Plano é fortalecer a rede de atenção à saúde da pessoa idosa, além de incentivar a cultura do envelhecimento ativo e saudável. Dessa forma, poderemos promover ações de forma integrada e regionalizada e capacitar permanentemente os profissionais de saúde na temática do envelhecimento – explica a Secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello

Em 2025, a SES-RJ realizou capacitações específicas para o atendimento de pessoas com Alzheimer, Parkinson e demências de um modo geral. Também ofertou um curso para cuidadores de Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPI), em conjunto com a Secretaria de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos.

_O envelhecimento da população traz aumento de pessoas com doenças crônicas. Com isso, haverá mais demanda de cuidados prolongados e dos paliativos. Quando se fala em cuidado paliativo, as pessoas pensam que isso se restringe a doenças como câncer, mas eles também são necessários quando lidamos com pacientes que convivem com outras doenças que ameaçam sua vida – explica a Superintendente de Atenção Primária da SES-RJ, Halene Armada.

Formação de mão de obra qualificada

Em 2026, a Escola de Formação Técnica em Saúde Enfermeira Izabel dos Santos (ETIS), da Secretaria de Estado de Saúde, vai realizar o primeiro curso de formação de cuidadores de idosos. Com duração de 7 meses e carga horária de 230 horas, o curso vai capacitar profissionais de saúde dos 92 municípios fluminenses, tanto os que trabalham em instituições de longa permanência, como os que atuam em hospitais, UPAs e clínicas da família.

_O curso vai oferecer uma formação multidisciplinar, que incluirá sociologia, saúde, ergonomia, acessibilidade, alimentação afetiva e sexualidade, entre outros saberes importantes. Estamos propondo uma mudança na abordagem desses trabalhadores da saúde. É preciso entender que ele é um indivíduo numa fase da vida que exige cuidados, mas que o foco não é na tutela, o foco é na autonomia daquela pessoa. Por isso, a lógica do nosso curso é a da integralidade do paciente idoso, que vai exigir um cuidado, mas um cuidado onde a autonomia, a identidade e o corpo dessa pessoa são respeitados – explica a superintendente de Educação em Saúde da SES-RJ, Fernanda Fialho.

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