Programa País 2025 a 2029 fortalece estratégia nacional junto a Fundo Verde do Clima
Documento prevê cerca de US$ 1 bilhão em projetos de enfrentamento da mudança do clima no Brasil para os próximos quatro anos
O Ministério da Fazenda publicou, no fim de 2025, a atualização do Programa País do Brasil para o Fundo Verde do Clima (Green Climate Fund – GCF). O documento consolida a estratégia nacional de engajamento junto ao principal mecanismo multilateral de financiamento climático e apresenta iniciativas com potencial de captar US$ 1 bilhão do GCF.
Além disso, o documento prevê US$ 3,8 bilhões em cofinanciamento e estima alcançar 665 milhões de toneladas de CO₂ em emissões evitadas. Aproximadamente 53 milhões de pessoas devem ser beneficiadas, das quais 51% mulheres.
A nova versão inaugura uma etapa da atuação brasileira mais proativa, estratégica e orientada a resultados, fortalecendo coerência entre a política climática nacional e o acesso a recursos internacionais.
Elaborado pela Secretaria de Assuntos Internacionais (SAIN), na qualidade de Autoridade Nacional Designada (AND) para o Fundo Verde do Clima no Brasil, o Programa País 2025 revela as prioridades das principais políticas e instrumentos da agenda de clima e desenvolvimento sustentável, como o Plano Clima 2024–2035, a Segunda Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC), o Novo Brasil – Plano de Transformação Ecológica (PTE) e a Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e para a Transformação Ecológica (BIP).
Ao incorporar critérios técnicos para seleção e priorização de projetos, além de estratégia de programação robusta, o documento estabelece um novo modelo de atuação que reúne ambição climática, previsibilidade e maior articulação entre setor público, setor privado e parceiros internacionais.
Carteira estratégica, diversificada e coerente com as prioridades nacionais
A atualização apresenta uma carteira indicativa de curto prazo (até 2027) composta por nove projetos, distribuídos entre mitigação e adaptação e abrangendo todos os biomas e regiões do país.
A carteira reflete a diversidade dos setores prioritários identificados no Programa País – florestas e uso da terra, bioeconomia, energia, indústria, cidades e territórios resilientes – evidenciando o compromisso do Brasil com investimentos transformadores e de escala, com impacto no território nacional.
O Programa País também reforça o potencial de alavancagem financeira, ao estimular o uso de instrumentos como garantias e equity concessional para ampliar o alcance dos investimentos públicos e criar condições mais favoráveis para a participação do setor privado nos projetos climáticos do país.
Critérios técnicos, foco nacional e uso estratégico de recursos concessionais
Para orientar a construção da carteira de projetos do Brasil junto ao GCF, o Programa País estabelece dez critérios técnicos que orientam a seleção e priorização das propostas. Entre eles estão o foco em projetos com atividades exclusivamente no Brasil, a convergência com políticas climáticas nacionais, a aderência às diretrizes do GCF, o engajamento de atores locais e a escala compatível com o porte do Fundo (mínimo de US$ 20 milhões).
No caso do setor privado, o Programa País reforça a integração com a “Plataforma Brasil de Investimentos Climáticos e para a Transformação Ecológica” (BIP) como eixo estruturante da estratégia brasileira. Ao funcionar como articulação e enquadramento estratégico de projetos, a BIP assegura que iniciativas privadas, apoiadas com recursos concessionais dos fundos climáticos multilaterais, estejam plenamente alinhadas às prioridades nacionais e ao tipo de capital necessário para viabilizar tecnologias e modelos de negócio ainda em estágio de consolidação.
Com isso, a Plataforma contribui para reduzir riscos, ampliar o impacto catalítico dos recursos concessionais e reequilibrar o financiamento climático em direção a áreas críticas — como soluções baseadas na natureza, bioeconomia, descarbonização industrial e energias renováveis — que hoje permanecem subfinanciadas. Esse arranjo fortalece a convergência entre a política climática brasileira e o uso de instrumentos financeiros inovadores, garantindo que o apoio internacional ao setor privado avance de maneira coordenada com prioridades estratégicas do país.
Para a Secretária de Assuntos Internacionais, Tatiana Rosito, a nova estratégia marca um avanço significativo: “O Programa País 2025 junto ao GCF representa um avanço decisivo na arquitetura de financiamento climático do país. Ao conectar o Plano de Transformação Ecológica a instrumentos de capital catalítico, e ao organizar o acesso do setor privado por meio da BIP, criamos uma estratégia mais coerente, previsível e orientada a resultados”, avaliou. “O Brasil passa a usar o financiamento concessional com inteligência estratégica, direcionando-o para setores com alto potencial de investimentos transformadores”, completou Rosito.
Processo participativo e avanço estratégico na programação do GCF
A atualização do Programa País foi construída por meio de amplo processo consultivo, que envolveu ministérios setoriais, entidades nacionais de acesso direto (BNDES, Funbio e Caixa), além de representantes do setor privado e da sociedade civil. As contribuições recebidas, por meio de reuniões, workshops e consultas públicas, permitiram aperfeiçoar os critérios técnicos e fortalecer a legitimidade da estratégia.
Fundo Verde do Clima
Criado em 2010 no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), o Fundo Verde do Clima (GCF) é o principal mecanismo financeiro multilateral para apoiar países em desenvolvimento na implementação do Acordo de Paris. O Fundo financia projetos de mitigação e adaptação, opera com uma variedade de instrumentos financeiros e busca promover impacto climático em larga escala. O Brasil participa ativamente do GCF desde sua criação, com o Ministério das Relações Exteriores como ponto focal político e o Ministério da Fazenda como Autoridade Nacional Designada (AND) responsável pela estratégia de programação, coordenação e endosso de projetos.

