Portugal vai às urnas para escolher novo presidente em disputa acirrada
Atual chefe de Estado, Marcelo Rebelo de Sousa deixará posto. Líder do Chega aparece ligeiramente à frente no pleito, que deve ir para o 2º turno. Em Portugal, o presidente não é chefe de governo, mas pode dissolver o Parlamento e convocar novas eleições.
Esquerda, centro-direita e extrema direita disputarão voto a voto a eleição presidencial que Portugal realiza neste domingo (18), a mais fragmentada da história recente do país europeu.
Portugal realiza, neste domingo 18, eleições presidenciais, nas quais a extrema direita, principal força da oposição no país, busca colocar seu candidato no segundo turno.
Menos de um ano depois do último pleito — para renovar o Parlamento e escolher o primeiro-ministro—, cerca de 11 milhões de portugueses foram convocados a voltar às urnas, desta vez para eleger o próximo presidente do país. Os locais de votação já foram abertos.
Em Portugal, país com modelo de governo semipresidencialista, o presidente é o chefe de Estado e exerce funções mais cerimoniais — é o primeiro-ministro quem chefia o governo e comanda o Executivo. Em momentos de crise, no entanto, a figura presidente ganha mais peso político: além de comandar as Forças Armadas, pode dissolver o Parlamento, destituir o governo e convocar eleições.
Há quase uma década, o cargo — com mandato de cinco anos — é ocupado pelo centro-direitista Marcelo Rebelo de Sousa, que conseguiu amenizar crises políticas e criar conciliação entre partidos.
Proibido pela Constituição de concorrer a um terceiro turno, Rebelo de Sousa convocou o novo pleito, o que gerou uma corrida sem precedentes para o posto: onze partidos estão na briga, e cinco deles chegaram a ficar empatados em pesquisas. Agora, pela primeira vez, três partidos, e não dois, disputam o cargo em grau de igualdade.
Isso porque o Chega, sigla da extrema direita, se tornou nas últimas eleições a segunda força política de Portugal. Uma pesquisa de intenção de voto feita pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião (CESOP), da Universidade Católica do país, indica o seguinte cenário:
André Ventura, líder do Chega, lidera a corrida eleitoral por uma pequena margem, com 24% das intenções de voto;
Em segundo lugar, está o socialista António José Seguro, com 23%;
João Cotrim de Figueiredo, deputado do Parlamento Europeu do partido de centro-direita Iniciativa Liberal, aparece 19% das intenções de voto;
Luis Marques Mendes, da coligação de centro-direita Partido Social-Democrata (PSD)/ Aliança Democrática (AD) — que tradicionalmente disputava a presidência com os socialistas — aparece apenas na 4ª posição, com 14% dos votos.
Esses números têm variado nos últimos dias, e a pesquisa aponta que um terço dos eleitores podem mudar de ideia em cima da hora. Isso é um reflexo da instabilidade política que Portugal vive nos últimos anos, segundo disse à agência de notícias Reuters o cientista político António Costa Pinto.
“A fragmentação do eleitorado continua, tornando provável que os candidatos dos dois partidos tradicionais recebam menos votos do que os seus partidos obtiveram nas eleições parlamentares do ano passado (em que o Chega ultrapassou os Socialistas)”, disse o professor.
Segundo turno
Freira vota em eleições presidenciais de Portugal, em 18 de janeiro de 2026.
Caso nenhum candidato obtenha mais de 50% dos votos, um segundo turno está previsto para 8 de fevereiro. Se isso ocorrer, será a primeira vez em 40 anos que um pleito presidencial em Portugal não será resolvido no primeiro turno.
Embora o líder do Chega lidere as últimas sondagens, pesquisas apontam também que ele tem a taxa de rejeição de 60% dos eleitores, a mais alta entre os candidatos. A porcentagem sugere que ele pode perder um eventual segundo turno contra qualquer um dos outros três favoritos, segundo disse à Reuters o professor de Ciências Políticas da Universidade Católica de Lisboa José Castello Branco.
“É uma corrida (eleitoral) completamente aberta”, disse Castello Branco, que acha, no entanto, que chegar ao segundo turno já será uma “vitória” para Ventura, dando ao Chega maior poder de negociação com o governo minoritário de centro-direita.
G1

