27 de março de 2026
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Pomadas capilares voltam a preocupar após susto de atriz

Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro reforça alerta sobre riscos de lesões oculares graves e até cegueira com uso inadequado dos produtos

O uso de pomadas modeladoras para cabelo voltou ao centro das atenções após a atriz Cacau Protásio relatar um susto na madrugada de quarta-feira (25/3). Em suas redes sociais, ela contou que sofreu uma reação alérgica grave após o produto escorrer para os olhos, provocando dor intensa e inflamação.

“Muito cuidado para a mulherada que usa pomada. Lesionei minha vista gravemente, achei que ficaria cega. De madrugada, acordei sem conseguir abrir o olho, lacrimejando muito. Meu olho está verde, bem inflamado, com muita dor. Vim em uma clínica 24 horas, mas é desesperador. Vamos ter cuidado com as pomadas de cabelo”, disse a atriz, em suas redes sociais.

Diante do caso, a Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) reforça um alerta que já vinha sendo feito sobre o uso inadequado de pomadas modeladoras, que pode causar danos graves aos olhos, incluindo risco de cegueira, mas também à pele. Segundo a diretora técnica assistencial do Instituto Estadual do Olhos (IEO), Marina Ferreira, casos como o relatado pela atriz são mais comuns do que parecem.

“As pomadas capilares, utilizadas principalmente para fazer tranças, têm uma composição química muito forte. Quando entram em contato com o olho, o paciente imediatamente sente um desconforto intenso, com lacrimejamento excessivo e vermelhidão importante”, explica a médica oftalmologista.

Os produtos utilizados para fixar tranças e reduzir frizz têm textura oleosa ou cerosa, o que facilita a fixação prolongada. Ocorre que, em ambientes quentes e com suor excessivo, a pomada pode escorrer do couro cabeludo para o rosto, atingindo diretamente os olhos.

A superintendente de Vigilância Sanitária da SES-RJ, Helen Keller, alerta: “Cosmético não é um produto inofensivo. O uso excessivo, sem obedecer às orientações, ou pomadas irregulares pode provocar desde dermatites até lesões oculares graves. Nosso papel é intensificar o alerta para que as pessoas façam escolhas mais seguras”, explica a gestora.

O contato da pomada com os olhos pode comprometer estruturas sensíveis dos olhos, conforme exemplifica a oftalmologista Marina Ferreira. “Há uma reação química com a córnea, que pode causar uma ceratite. Essa lesão epitelial superficial é bastante dolorosa. Em casos mais graves, pode evoluir para uma úlcera e provocar uma reação inflamatória intensa. Tudo isso porque a córnea é um dos tecidos do corpo humano com maior quantidade de terminações nervosas. Então, se um simples grão de areia já incomoda quando entra no olho, imagine uma reação química”, diz a especialista.

O risco é ainda maior em crianças, que tendem a levar as mãos aos olhos com mais frequência, além de transpirarem mais e terem menos cuidado ao brincar. Além dos problemas oftalmológicos, o uso contínuo dessas pomadas pode causar dermatite, coceira intensa, descamação, foliculite, acne na testa e na nuca e até queda de cabelo por obstrução dos poros.

Cuidados importantes na escolha dos produtos

A Vigilância Sanitária da SES-RJ reforça que pomadas modeladoras só devem ser usadas se forem regularizadas junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), contendo rótulo em português, fabricante identificado, número de registro ou notificação e dentro do prazo de validade. Para quem mantém o uso no dia a dia, a orientação é clara: desconfie de promessas de fixação extrema ou “à prova d’água”, evite produtos caseiros ou sem procedência e priorize alternativas seguras e regularizadas.

Outro ponto importante é o modo de uso, se atentando ao excesso de produto e com a aplicação próxima à testa e aos olhos, além da permanência por muitos dias sem lavagem. “A recomendação é usar a menor quantidade possível, evitar a aplicação próxima aos olhos, lavar o couro cabeludo regularmente e suspender o uso diante de qualquer sinal de ardor, coceira ou vermelhidão. Mesmo um produto regular pode causar dano se for usado de forma inadequada”, alerta a superintendente Helen Keller.

Em situações de emergência, é importante seguir à risca as dicas. “A orientação inicial é lavar o olho abundantemente com água corrente, água filtrada ou soro fisiológico, de preferência também com lubrificante ocular, e procurar imediatamente uma emergência oftalmológica. A partir daí, o médico irá conduzir o tratamento de acordo com o grau da lesão”, ressalta a médica Marina Ferreira.

Fiscalização e papel da Vigilância Sanitária estadual

A SES-RJ destaca que seu papel é reforçar os alertas à população, apoiar tecnicamente os municípios e acompanhar os riscos à saúde associados a esses produtos. Já a fiscalização direta de comércios, salões e pontos de venda é responsabilidade das vigilâncias sanitárias municipais, que podem aplicar sanções como apreensão de produtos, multas e interdições em caso de irregularidades.