9 de janeiro de 2026
EsportesNotícias

O trabalho de base como caminho sólido para formar atletas

No imaginário popular do futebol brasileiro, a formação de atletas ainda costuma ser associada ao talento precoce e ao desempenho em competições. No entanto, profissionais que atuam diretamente na base têm reforçado uma ideia cada vez mais consensual: o alto rendimento é resultado de um processo longo, planejado e, sobretudo, respeitoso com a infância.

A preparação de um atleta nas categorias iniciais vai muito além do treino em campo. Envolve controle de carga, estímulos adequados à idade, desenvolvimento motor, acompanhamento físico, equilíbrio emocional e, principalmente, tempo. Tempo para aprender, errar, repetir e amadurecer.

É dentro dessa lógica que se insere um projeto de formação desenvolvido em Itaperuna, interior do Estado do Rio de Janeiro, voltado à construção gradual de um atleta infantil Sub-11. O foco não está em resultados imediatos, mas na criação de uma base sólida, capaz de sustentar o desenvolvimento esportivo ao longo dos anos.

ORIGEM DO PROJETO: QUANDO O SONHO ENCONTRA O PLANEJAMENTO

O projeto de formação nasce a partir do momento em que o atleta Emmanuel Souza manifesta o desejo de se tornar jogador de futebol profissional. Então, a família opta por não acelerar etapas, mas estruturar um planejamento cuidadoso, alinhado às demandas do esporte de base e às necessidades da infância.

O pilar familiar assume papel central, oferecendo suporte emocional, organização da rotina, acesso à infraestrutura adequada e acompanhamento constante das decisões. Mais do que impulsionar resultados, a proposta busca proteger o processo formativo, garantindo que o desenvolvimento esportivo aconteça de forma saudável, equilibrada e sustentável ao longo do tempo.

A rotina de treinos prioriza fundamentos técnicos, coordenação motora, entendimento do jogo e repetição orientada. Atividades complementares, como a natação, são utilizadas para ampliar capacidades físicas importantes ao futebol moderno, enquanto o acompanhamento fisioterapêutico preventivo atua na correção de desequilíbrios naturais do crescimento e na redução do risco de lesões.

Outro pilar do processo é o cuidado com a competição. A participação em jogos e torneios acontece de forma criteriosa, respeitando minutagem, rodízio de posições e períodos de descanso, entendendo a competição como ferramenta pedagógica, e não como finalidade. Mais do que projetar um futuro no futebol, o processo busca formar um jovem saudável, consciente e emocionalmente preparado, entendendo o esporte como parte da vida e não como única possibilidade. Um modelo que convida à reflexão sobre os caminhos adotados na formação de atletas no Brasil e sobre a responsabilidade envolvida quando se trabalha com crianças.

SUPERVISÃO PROFISSIONAL

Para profissionais que atuam diretamente na formação esportiva, o principal desafio da base é equilibrar estímulo e proteção. Trata-se de desenvolver habilidades técnicas e físicas sem comprometer o crescimento, a saúde e a relação da criança com o esporte.

De acordo com Fernando Rezende da Silva, coordenador técnico da Escola Flamengo Itaperuna, e pós-graduado em Ciência do Futebol, a formação esportiva precisa ser pensada de maneira ampla. “Na base, o futebol não pode ser tratado apenas como desempenho. O processo precisa contribuir para a formação de uma pessoa saudável, equilibrada e socialmente preparada. Quando a rotina inclui diálogo, estímulos adequados, atividades complementares e até momentos livres para brincar, o desenvolvimento acontece de forma muito mais consistente”. Ele reforça que os resultados esportivos surgem como consequência natural desse cuidado. “Quando o processo é bem conduzido, o rendimento aparece. No caso do Emmanuel, o bom desempenho observado ao longo de 2025 é reflexo de uma base bem construída, sem atropelar etapas”.

Já Luís Gustavo, analista tático e também professor da Escola Flamengo, chama atenção para o comportamento do atleta dentro desse ambiente formativo. “O que mais se destaca é a postura nos treinos. O Emmanuel entende a importância da repetição, tem boa leitura do processo de aprendizagem e demonstra maturidade para a idade. Isso é fruto de um contexto que valoriza o treino, o erro e a evolução gradual”.

Para o fisioterapeuta Daciano Leonardo, mestre em Ciências da Reabilitação e especialista em Fisiologia do Exercício, o atleta não nasce pronto — ele nasce com potencial. “E a nossa missão é desenvolver esse potencial por meio do aprimoramento do seu atleticismo, respeitando cada etapa do seu crescimento e da sua formação. Entender a fase de desenvolvimento do atleta em todos os seus aspectos, físico, motor, cognitivo e emocional; é determinante para o seu futuro, tanto no que diz respeito à performance esportiva quanto, principalmente, à prevenção de lesões”, comenta.

Seja qual for a modalidade esportiva, no cenário atual é indispensável a união entre ciência, experiência profissional e, acima de tudo, o entendimento da família da criança, do adolescente ou do jovem sobre a importância da supervisão e da orientação profissional. “No caso do Emmanuel, estamos elaborando uma abordagem baseada na periodização da sua rotina de treinos e cuidados, com o objetivo de que ele chegue à categoria profissional com uma excelente capacidade física e, acima de tudo, com uma estrutura mental sólida, capaz de sustentar as exigências do alto rendimento. Desenvolver atletas é, antes de tudo, respeitar processos, construir bases sólidas e preparar não apenas o corpo, mas também a mente para os desafios do esporte”, afirma o fisioterapeuta.

A NATAÇÃO COMO ALIADA SILENCIOSA NA FORMAÇÃO DO ATLETA

Dentro desse planejamento, a inserção da natação surge como ferramenta complementar ao futebol, ampliando estímulos físicos e motores importantes para a formação na base. A atividade é pensada como apoio ao desenvolvimento global do atleta, respeitando as características da idade e do crescimento.

Segundo Fernando Pinheiro, graduado em Educação Física e pós-graduado em Esporte, Treinamento Esportivo e Ciência do Exercício, com foco no desenvolvimento físico e na aplicação científica do treinamento; o trabalho realizado na piscina dialoga diretamente com as exigências do futebol. “A natação atua no desenvolvimento motor, com estímulos sensoriais e somatossensoriais que contribuem para a cognição e para a organização corporal. Todo esse processo é pensado para potencializar o esporte principal, que é o futebol, respeitando a fase de formação e as necessidades do atleta”.

FALA EMMANUEL!

Vivendo de perto cada etapa do processo, Emmanuel também demonstra consciência sobre a importância do comprometimento diário e do apoio que recebe ao longo da formação.

Mesmo ainda muito jovem, ele reconhece que o desenvolvimento no esporte é resultado de esforço coletivo, envolvendo profissionais, família e rotina. “Eu tento seguir as orientações, prestar atenção nos treinos e me dedicar em todas as etapas. Meus tios [os profissionais] me ajudam muito, explicam, conversam comigo e me ensinam bastante, e minha família está sempre comigo, me apoiando em tudo. Isso me dá mais vontade de treinar e de melhorar a cada dia”, finaliza o atleta.

Por meio da rede social @emmanuel9oficial, é possível conhecer o dia a dia da rotina de treinos, bastidores da preparação e momentos que ajudam a compreender como a formação na base é construída passo a passo, com método, responsabilidade e respeito ao tempo do atleta.

MÉTODO, EQUILÍBRIO E INFÂNCIA – Ao priorizar método, equilíbrio e respeito ao tempo da infância, o trabalho de base reafirma que o futebol começa muito antes do apito inicial. Mais do que formar atletas, esse tipo de preparação constrói caminhos possíveis, conscientes e responsáveis, mostrando que o verdadeiro resultado não está apenas no placar, mas na qualidade do processo que sustenta cada etapa da formação esportiva.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *