9 de março de 2026
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Mulheres conquistam espaço no saneamento e ressignificam funções antes dominadas por homens

Profissionais unem técnica e empatia para garantir serviços essenciais e melhorar a qualidade de vida da população fluminense

Por trás da água que chega às torneiras e dos serviços de coleta e tratamento de esgoto que promovem saúde e bem-estar, estão profissionais que atuam dia a dia para assegurar o bom funcionamento do saneamento no estado do Rio. Nesse time estão elas: as mulheres que vêm consolidando sua presença em funções operacionais e de liderança, áreas antes ocupadas majoritariamente por homens. 

A carioca Natália Schnaider, de 30 anos, é um exemplo. De vendedora de flores nos bairros do Méier e da Tijuca, na Zona Norte do Rio, ela viu a vida dar uma guinada no ano passado ao quebrar uma barreira e tornar-se a primeira mulher a integrar a Equipe de Manutenção Pesada da Águas do Rio, concessionária do grupo Aegea Saneamento.

“Eu sempre sonhei em assumir um cargo com esse perfil. Trabalhar para garantir o abastecimento de milhares de pessoas vai além das minhas expectativas, e isso tem sido uma grande realização pessoal e profissional”, comemora.

Força física, preparo técnico e rapidez na tomada de decisões são algumas das habilidades que Natália desenvolveu para assumir a função de operadora multifuncional. No dia a dia, ela atua em demandas de alta complexidade, como manutenção de válvulas de segurança (as chamadas ventosas) e de registros de grandes dimensões, além de realizar sondagens de vazamentos e atender ocorrências emergenciais, como rompimentos de grandes adutoras.

Investir na capacitação e no desenvolvimento dessas profissionais é uma estratégia da Águas do Rio. A ideia é reconhecer o talento e o protagonismo delas em atividades essenciais para o bom funcionamento dos sistemas de saneamento das 27 cidades fluminenses atendidas pela companhia.

“O acesso à água e ao esgoto tratado impacta diretamente na vida das mulheres brasileiras, trazendo saúde para elas e suas famílias, mais dignidade e novas oportunidades de estudo e trabalho. Mas nosso compromisso vai além de levar saneamento para todas: queremos também mais mulheres atuando na operação e na transformação desse setor essencial para o desenvolvimento do Rio e do Brasil”, afirma Clara Rodrigues, gerente de Recursos Humanos da Águas do Rio. Segundo a gerente, a Águas do Rio visa ampliar seu impacto social e fortalecer suas práticas de ESG, contribuindo para um mercado de trabalho mais justo e inclusivo, além de transformar a realidade de mulheres e famílias fluminenses. 

Atualmente, a empresa reúne mais de 11 mil colaboradores diretos e indiretos — sendo mais da metade moradores de comunidades da capital e de municípios do Rio de Janeiro. Essa presença gera oportunidades, aproxima a operação das necessidades locais e aumenta a eficiência dos serviços. O objetivo agora é ampliar cada vez mais a participação feminina no quadro de colaboradores.

“Ao ampliar a presença feminina em áreas operacionais e de liderança, fortalecemos talentos internos, aumentamos a eficiência dos serviços e entregamos um atendimento mais humano à população”, afirma Clara.

A trajetória no saneamento de Ana Cláudia Gomes da Silva, de 30 anos, teve início em 2024. Moradora do Complexo do Alemão, ela também fez história ao se tornar a primeira mulher a atuar em campo na equipe responsável pela coleta e pelo tratamento de esgoto na região do Méier.

“Muitos duvidaram que eu ficaria nesse trabalho por muito tempo. Mas todos da minha equipe me acolheram e tiveram muita paciência comigo. Eu gosto muito do que faço e ainda consigo mostrar para outras mulheres que podemos fazer o que quisermos; não existe profissão apenas para homens”, afirma Ana Cláudia.

Liderança e cuidado que vão além do trabalho

A presença feminina também avança na liderança operacional. Poucos meses após ingressar na empresa, Ivana Mota, de 40 anos, assumiu a coordenação de Manutenção de Água em uma região estratégica de atendimento. Mãe de um menino de quatro anos e formada em Psicologia, ela construiu uma carreira multidisciplinar, passando por recursos humanos, suprimentos e pelas áreas contábil e financeira, até chegar ao saneamento.

“Eu me sinto realizada em contribuir para um serviço de grande impacto social”, afirma.

Com conhecimento técnico, dedicação e empatia, as profissionais do saneamento enfrentam diferentes desafios dessa rotina para assegurar que os serviços essenciais cheguem à população. Nesse time está a agente comercial Paola Araújo Tranquilino, de 34 anos, que percorre diariamente cidades da Baixada Fluminense na missão de executar religações, cortes e negociações.

“É uma função que exige conhecimento técnico aliado à sensibilidade no relacionamento com os clientes”, analisa.

Para a profissional, a presença feminina traz um diferencial importante.

“Conseguimos abordar o cliente de forma mais acolhedora, o que facilita o entendimento e fortalece a confiança no serviço”, afirma Paola.