26 de janeiro de 2026
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Justiça mantém Rogério de Andrade em presídio federal de segurança máxima fora do Rio

O Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) decidiu manter o bicheiro Rogério de Andrade em presídio federal de segurança máxima em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, onde está desde novembro de 2024. Ele é apontado como chefe de uma organização criminosa e mandante da morte do contraventor Fernando Iggnácio, com quem disputava o controle de pontos do jogo do bicho.

A decisão da 8ª Câmara Criminal do TJRJ negou o pedido de habeas corpus formulado pela defesa contra a inclusão do réu no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). A medida atende a um pedido do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Gaeco/MPRJ).

O desembargador relator destacou que a decisão é proporcional e necessária para resguardar a segurança pública, considerando a gravidade dos crimes e a periculosidade do acusado. “A transferência dos líderes para presídios nos quais o Estado exerce maior aparato de segurança e controle interfere na organização das estruturas criminosas que possuem métodos violentos de domínio territorial, com uso frequente de intimidação e de armas, em seus redutos controlados”, justifica a decisão.

O MPRJ ressaltou que são atribuídos diversos crimes a Rogério de Andrade. Em novembro de 2025, o Gaeco já tinha obtido na Justiça a manutenção do bicheiro na penitenciária federal. Os promotores haviam recorrido de uma decisão da própria 8ª Câmara Criminal que suspendeu o RDD de Rogério, o que tinha aberto a possibilidade de retorno dele ao Rio.

Entenda o caso

Rogério Andrade foi preso em outubro de 2024, apontado como mandante da morte de Fernando de Miranda Iggnácio, em 2020. Eles são, respectivamente, genro e sobrinho de Castor de Andrade, um dos maiores chefes do jogo do bicho no Rio, que morreu em 1997. O crime aconteceu no estacionamento de um heliporto, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Sudoeste, quando a vítima desembarcava, e acabou atingida por três tiros, um deles na cabeça.
Segundo denúncia de 2021 do Ministério Público do Rio (MPRJ), a morte de Iggnácio foi ordenada por Andrade e Márcio Araujo de Souza, e a execução realizada por Rodrigo Silva das Neves, Ygor Rodrigues Santos da Cruz, o Farofa, Pedro Emanuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro, o Pedrinho, e Otto Samuel D’Onofre Andrade Silva Cordeiro. Rogério foi denunciado no mesmo ano pelo crime, mas acabou solto em 2022, por decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF).

Patrono da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel, ele chegou a ser preso outra vez em 2022, mas deixou a cadeia poucos meses depois após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) conceder liminar para substituir a prisão preventiva por medidas cautelares, que incluíam a tornozeleira eletrônica e o recolhimento domiciliar à noite. Em abril de 2024, o ministro do STF, Kassio Nunes Marques, também havia revogado as medidas cautelares.

Por fim, o contraventor acabou novamente preso em 2024, durante a Operação Último Ato. Antes de ser transferido para o presídio federal, Rogério de Andrade ficou detido em uma cela isolada de 6m² na penitenciária Laércio da Costa Pellegrino, em Bangu 1, unidade prisional de segurança máxima do estado do Rio.

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