27 de janeiro de 2026
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Júri popular de PMs acusados de matar Thiago Flausino é adiado por divergência de prova

Julgamento iria ocorrer na tarde desta terça-feira (27); familiares do jovem, morto durante operação na Cidade de Deus, reclamaram sobre tratamento

O júri popular dos policiais militares Diego Pereira Leal e Aslan Wagner Ribeiro de Faria, acusados de matar o jovem Thiago Menezes Flausino, de 13 anos, em uma operação na Cidade de Deus, em agosto de 2023, foi adiado por divergência de uma prova entre a acusação e a defesa. O julgamento seria realizado na tarde desta terça-feira (27).

Os PMs respondem pelos crimes de homicídio e fraude processual. Eles estão presos desde maio de 2024. Segundo as investigações, os agentes atiraram em Thiago depois que o jovem caiu de moto quando ele e um amigo circulavam pela Cidade de Deus.

O adiamento do júri causou revolta nos familiares do jovem. Segundo Diogo Flausino, pai de Thiago, eles foram os últimos a saber sobre a decisão.

“Organizamos tudo direitinho e somos os últimos a saber. A gente quer sinceridade no caso. Fomos tratados diferentes. As famílias dos policiais sempre são tratadas bem, mas com a gente é diferente. A gente quer que a justiça aconteça. Toda hora adiando”, disse.

Ana Cláudia Araújo, tia de Thiago, afirmou que viu os familiares dos policiais deixando o Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), mas que a família da vítima não foi avisada do adiamento. Apesar disso, Ana afirmou que a luta em prol de justiça continuará.

“Nem nos informaram de maneira digna. Vimos os familiares dos policiais indo embora. Depois, veio uma pessoa debochando e rindo. Ela falou que não ia se dirigir à gente, apenas à imprensa. A gente ouviu que a audiência foi adiada. Isso é inadmissível, mas só nos fortalece. Estaremos aqui no próximo dia da audiência, mobilizados, pedindo por justiça por Thiago. Isso não vai fazer que a gente desista. Não vai fazer com que a gente volte nenhum passo atrás. Pelo contrário, vai fortalecer a nossa mobilização. Vamos estar aqui mais fortes. Se hoje tinha 30 pessoas, da próxima vez vai ter 50 ou 100. Vamos estar aqui e não vamos desistir de lutar por justiça. Ele era um adolescente e não merecia morrer do jeito que morreu. Nenhuma pessoa merece ter sua vida tirada dessa maneira e dessa forma”, comentou.

Priscilla Menezes, mãe de Thiago, se sentiu mal e precisou de atendimento médico no departamento de saúde do TJRJ.

O júri foi marcado para o dia 10 de fevereiro, às 9h.

Questionado sobre as reclamações da família do jovem, o TJRJ ainda não respondeu. O espaço está aberto para manifestação.

Ato antes de julgamento

Familiares e amigos de Thiago realizaram um ato, nesta terça-feira (27), pedindo justiça e o fim da violência em comunidades.A manifestação ocorreu na frente do TJRJ, no Centro, onde iria ocorrer o julgamento dos PMs.

Priscila Menezes, mãe do jovem, pediu que os agentes sejam responsabilizados pelo crime. Para ela, o resultado julgamento pode, inclusive, ajudar outras famílias que viveram situações semelhantes.

“É um sofrimento para a família. Um júri não ameniza a minha dor, não vai trazer o meu filho de volta, mas a gente quer começar a responsabilizar esses policiais que fazem essas ações nas comunidades. O caso do Thiago eu escuto muito que é diferenciado, pois tinha câmeras e testemunhas. E se não tivesse? O meu filho seria um marginal agora? Tem muitas mães que não tem os seus casos resolvidos ou arquivados por falta de provas. Eu entendo que o caso do Thiago pode mudar isso. Trazer esperança para outras famílias que não tiveram respostas”, disse.

Thiago morreu depois de ser baleado por policiais do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq) durante uma operação, na madrugada do dia 7 de agosto de 2023, na Cidade de Deus, na Zona Sudoeste. Segundo o amigo do jovem, que estava junto com ele na moto, os dois circulavam pela comunidade com o veículo quando, em certo ponto, acabaram por perder o equilíbrio e cair. Ele narrou que, enquanto tentavam reerguer a motocicleta, foram surpreendidos com a aproximação de um carro descaracterizado e os ocupantes, que eram quatro PMs, saíram já atirando. Thiago foi atingido por três tiros.