16 de fevereiro de 2026
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Hotel à luz de velas, comerciantes com prejuízo, moradores e turistas insatisfeitos: novo apagão em Copacabana dura cerca de 14 horas

Menos de dois meses após apagão que deixou as principais ruas de Copacabana e Leme, na Zona Sul do Rio, às escuras por cerca de 50 horas, consumidores enfrentaram novamente falta de luz na região. Por cerca de 14 horas, desde as 22h de domingo, em pleno carnaval e com a ocupação da rede hoteleira passando de 85%, o bairro que mais recebe turistas na cidade foi mais uma vez prejudicado pela interrupção no fornecimento de energia.

Segundo a concessionária Light, o serviço já foi totalmente restabelecido para os bairros do Leme e de Copacabana, “após reparo de cabo subterrâneo que apresentou defeito e causou uma sobrecarrega no sistema”. A empresa ressaltou que geradores seguem na região e poderão ser acionados em caso de contingência.

Em mensagem automática enviada a consumidores logo depois das notícias sobre o apagão começarem a circular, a Light informou que o problema teria sido causado por uma sobrecarga na rede e que cerca de 100 técnicos estavam nas ruas para que o serviço fosse normalizado até o meio-dia de segunda-feira.

No entanto, o apagão, que ocorreu num momento em que a cidade enfrenta o nível 3 de calor, mais uma vez causou transtornos a moradores, turistas e principalmente comerciantes.

À luz de velas, o recepcionista Francisco Elton, do Hotel Nacional INN, localizado na rua Belford Roxo, contou que o estabelecimento estava lotado.

— Com a falta de luz, não conseguimos oferecer o serviço que o nosso cliente merece. Já temos hóspedes que cancelaram as suas diárias. É ruim para Rio! — desabafou.

O argentino Agustin Rodriguez está hospedado com amigos na região e, para sua surpresa, quando chegou de madrugada, após acompanhar o desfile das escolas de samba na Marquês de Sapucaí, o apartamento alugado estava sem luz.

 

— Foi uma surpresa quando cheguei. Ficar sem luz é terrível, ainda mais no calor do Brasil. Não esperava por isso no carnaval. Por sorte, estou indo para Ilha Grande — disse aliviado.

Também sem luz, o restaurante Brasinha Copa permaneceu fechado durante a manhã de segunda-feira. O garçom Jeferson do Santos disse estar apreensivo com a possibilidade de os alimentos estragarem.

— Já era para estarmos abertos e trabalhando. Sem luz, não conseguimos fazer nada. Com certeza vamos perder clientes — disse, acrescentando que o estabelecimento teria que alugar um gerador para tentar amenizar o prejuízo caso a luz não retornasse.

A síndica do Edifício Robert, localizado na Avenida Prado Júnior, Patrícia Saine, afirma ter ficado preocupada com a locomoção dos moradores, majoritariamente idosos, que vivem no condomínio.

— Primeiro a prioridade, depois o resto, destacou Carla Soares. Ela comentou que a falta de luz a atinge, principalmente, por conta da mãe cadeirante. O porteiro José Gomes, do condomínio Bruno, precisou ajudá-la para descer do 8⁰ andar.

Nas redes sociais, moradores publicaram que as ruas mais afetadas foram a Duvivier, Ronald de Carvalho e Rodolfo Dantas, além de trechos da Rua Barata Ribeiro.

Às 22h de domingo, a designer Raphaela Moraes, de 26 anos, viu o apartamento onde mora, na Avenida Nossa Senhora de Copacabana, 249, ficar às escuras. Até a manhã seguinte, o serviço ainda não havia sido normalizado.

Sem previsão clara da concessionária, ela passou a noite preocupada com a bateria do celular, com a água do prédio — que depende de energia — e com a possibilidade de perder alimentos e medicamentos guardados na geladeira de vizinhos idosos.

Moradora do bairro há seis meses, Raphaela afirma que o que mais revolta não é apenas o apagão, mas a falta de informação. Ao procurar equipes da Light na rua, ouviu versões diferentes sobre o problema.

— Alguns falaram que não podiam dar previsão porque nem sabiam direito o que estva acontecendo. Disseram que o problema são cabos que derreteram, mas não deram detalhes. Um acha que volta hoje, outro disse que talvez nem volte.

– Eu tenho o direito de me planejar. Se preciso ir para a casa dos meus pais, em Niterói, ou não. Muita gente aqui não tem essa opção – , disse.

Foliões são impactados pelo apagão

Até os foliões, que desde sábado lotam as ruas do bairro para se juntarem aos blocos, relataram que a falta de energia afetou o fornecimento de água atrasando a saída para a rua.

— A gente não conseguiu dormir bem, calor muito grande, acabou faltando água também porque a água não sobe para o apartamento, não tem como tomar banho, não tem como dormir, está muito ruim. Eu poderia já estar no bloco — relatou Felipe Fernandes, médico anestesista que veio de São Paulo para o Rio para curtir a folia.

Leonardo Farache, médico, pontuou que estava virado por conta do calor.

— Ficar 24 horas sem tomar banho e sem beber água também, é impossível. Estou sem celular porque eu não consigo carregar, eu não consigo falar com a minha irmã, minha prima, com os amigos, eles devem estar preocupados por isso. (Eduardo Moure e Esther Gama – estagiários sob supervisão de Leila Youssef)

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