11 de fevereiro de 2026
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Firjan: roubo de carga custa R$ 314 milhões ao Rio de Janeiro em 2025

Nota Técnica da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro aponta média de 8 caminhões roubados por dia, com forte concentração nas principais rodovias federais da Região Metropolitana

 

O roubo de cargas continua impondo um custo elevado à economia fluminense. Em 2025, o crime gerou um prejuízo direto estimado em R$ 314 milhões, aponta a nota técnica da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) “Panorama do roubo de carga no estado do Rio de Janeiro – 2026”.

 

No ano passado foram 3.114 ocorrências em todo o estado, gerando uma média de oito caminhões roubados por dia. A prática segue fortemente concentrada na Região Metropolitana, especialmente em áreas cortadas por rodovias federais essenciais para o abastecimento e a circulação de mercadorias.

 

Para baixar a nota técnica clique no link

https://observatorio.firjan.com.br/inteligencia-competitiva/panorama-do-roubo-de-carga-no-estado-do-rio-de-janeiro-2026

 

O levantamento da Firjan mostra que mais da metade dos registros (52,8%) está concentrada em apenas oito das 137 Circunscrições Integradas de Segurança Pública (CISP), evidenciando gargalos persistentes na logística e na segurança de corredores estratégicos como a BR-040 (Washington Luís), BR-101 (Avenida Brasil) e BR-116 (Presidente Dutra).

 

O impacto econômico, segundo a federação, vai além da perda direta da mercadoria. Custos indiretos com seguros, escoltas e segurança privada pressionam empresas de todos os portes e encarecem a produção.

 

“Dois em cada três empresários afirmam que as decisões de investimentos no estado do Rio são afetadas pelas condições de segurança. O mapeamento das atividades ilegais revela em números o impacto negativo para o estado. Os custos com o roubo de carga vão além da perda direta. O incremento dos custos de prevenção, com seguros e escolta, afeta todo o setor produtivo fluminense e não apenas as vítimas diretas do crime”, afirma o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano.

 

Duque de Caxias tem as 2 CISP com maiores ocorrências

A cidade de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, permanece como o principal foco de preocupação. O município e região concentrou 36% de todos os roubos de carga do estado em 2025.A CISP 59 (Duque de Caxias) liderou o ranking com 399 ocorrências, alta de 29% em relação a 2024. Já a CISP 60 (Campos Elíseos) registou 287 roubos em 2025.

 

Outras áreas apresentaram movimentos distintos. As CISP 54 (Belford Roxo) e 31 (Anchieta) deixaram o grupo de maior concentração após reduções expressivas, enquanto a CISP 64 (São João de Meriti) e a CISP 39 (Pavuna) passaram a figurar entre as regiões críticas, com aumentos de 31% e 47%, respectivamente.

 

No Leste Fluminense, a cidade de São Gonçalo manteve a tendência de crescimento. Após forte elevação em 2024, o município registrou novo aumento em 2025. As CISP 72, 73, 74 e 75 somaram 223 ocorrências no ano, com destaque para os meses de novembro e dezembro, concentrando quase metade do total anual, em áreas diretamente influenciadas pela BR-101.

 

Queda de 9% não diminui custos nem aumenta atratividade

 

Nesse contexto, a Firjan registra que o estado encerrou 2025 com uma redução geral de 9% no número de roubos de carga em relação a 2024. O dado, porém, não altera o diagnóstico central: o crime segue altamente concentrado, com impacto significativo sobre a logística, os custos empresariais e a atratividade econômica do Rio de Janeiro.

 

Parte desse recuo é associada a operações integradas das forças de segurança no ano passado, além da atuação da Força Nacional. O entorno do Porto do Rio, responsável pela movimentação de mais de R$ 260 bilhões em cargas, também registrou diminuição nos casos, ainda que permaneça sob atenção permanente.

 

Para a federação, a manutenção de qualquer avanço depende de ações contínuas e focalizadas. “É fundamental intensificar o policiamento nos acessos às rodovias federais e atuar diretamente nas áreas de maior concentração. A integração entre União, estado e municípios é decisiva para enfraquecer o mercado ilegal de cargas”, destaca o gerente de Infraestrutura da Firjan, Isaque Ouverney.