29 de março de 2026
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Exposição ‘Grande Sertão’ celebra 70 anos de obra-prima de Guimarães Rosa na ABL

Mostra com 17 quadros e um tríptico da artista Graça Craidy fica em cartaz até 29 de maio

A Academia Brasileira de Letras (ABL) vai inaugurar, na próxima terça-feira (31), às 17h, a exposição “Grande Sertão”, em homenagem aos 70 anos de publicação do clássico de Guimarães Rosa (1908–1967). A mostra reúne obras da artista visual Graça Craidy e ficará aberta ao público até o dia 29 de maio.

A exposição apresenta 17 quadros e um tríptico, produzidos em acrílica sobre tela e papel, que retratam personagens centrais do romance “Grande Sertão: veredas”, de João Guimarães Rosa (1908–1967). Figuras como Riobaldo, Diadorim, Joca Ramiro e Hermógenes ganham interpretações visuais inspiradas nas descrições literárias, levando em conta traços psicológicos e comportamentais delineados pelo autor.

Um dos destaques é a representação do próprio Guimarães Rosa, retratado a cavalo no Cerrado ao lado de vaqueiros, em referência a uma viagem realizada pelo escritor durante o processo de construção da obra.

A celebração também contou com reflexão do economista e acadêmico Eduardo Giannetti, ocupante da cadeira 2 da ABL, anteriormente pertencente a Rosa. Para ele, o romance permanece atual em meio à aceleração contemporânea. “Em tempos de pressa virótica, atenção fracionada e estupor digital, ‘Grande sertão’ completa 70 anos mais vivo e necessário que nunca”, escreveu.

Radicada em Porto Alegre, Craidy, de 74 anos, destaca a relação pessoal com a obra, que estudou em profundidade por meio de cursos, pesquisas acadêmicas e experiências teatrais inspiradas no livro. “Me sinto muito honrada por expor na ABL. Espero que os visitantes se encantem com a história em quadros do meu ‘Grande Sertão’ particular”, afirmou a artista.

Publicado originalmente em 1956, o romance foi escrito durante o período em que Guimarães Rosa vivia no Rio de Janeiro. Em correspondência da época, o autor descreveu o processo criativo como uma “experiência transpsíquica”, marcada por longos períodos de escrita ininterrupta.

Desde o lançamento, a obra foi amplamente reconhecida pela crítica, conquistando prêmios importantes e sendo considerada um marco da literatura brasileira, especialmente por suas inovações linguísticas. Em 2002, integrou a lista dos 100 melhores livros de todos os tempos organizada pelo Clube do Livro da Noruega.

Guimarães Rosa (1908–1967) foi um dos maiores nomes da literatura brasileira do século XX. Nascido em Cordisburgo, Minas Gerais, formou-se em medicina, mas seguiu carreira como diplomata, atuando em diversos países. Sua produção literária é marcada pela inovação linguística e pela recriação do universo do sertão brasileiro.

Eleito para a Academia Brasileira de Letras em 1963, tomou posse apenas em 1967, poucos dias antes de sua morte. Na ABL, ocupou a cadeira número 2.