Dia Mundial da Água: investimentos ampliam abastecimento e transformam a rotina de milhares de famílias no Rio
Implantação de redes, recuperação de sistemas e novos bombeamentos ampliam a capacidade de abastecimento em diferentes regiões do estado
“Passei mais de 40 anos refém de uma bomba para ter água em casa. Hoje me emociono vendo minha mãe tomar banho de chuveiro, sem usar canecos. Ainda tenho uma conta no meu nome, um comprovante de residência, isso é dignidade.” O relato é de Rita de Cássia dos Santos, de 57 anos, moradora do bairro Ouro Preto, em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. A cerca de 40 quilômetros dali, no Morro da Formiga, na Tijuca, Zona Norte carioca, Maria de Lourdes da Silva, de 70 anos, compartilha o mesmo sentimento: “Ter água encanada foi um sonho realizado. Durante muito tempo andei até cachoeiras e bicas para encher baldes. Agora posso fazer minhas coisas em casa e até botar uma piscininha no quintal, fazer um churrasquinho. Vou viver o que não vivi.”
Histórias como as de Rita e Maria ajudam a traduzir, no Dia Mundial da Água, celebrado neste domingo (22/3), o impacto direto da ampliação do abastecimento na vida de milhares de famílias. Elas estão entre milhares de moradores do estado do Rio de Janeiro que passaram a contar, pela primeira vez, com o abastecimento formalizado, ligação ativa, cadastro no sistema da concessionária e emissão de conta, o que garante acesso oficial ao serviço.
Os avanços que beneficiaram essas regiões são resultado de um conjunto de investimentos e intervenções da Águas do Rio, concessionária do grupo Aegea responsável pelos serviços em parte do estado desde novembro de 2021. Ao todo, já foram aplicados R$ 5,5 bilhões em melhorias que alcançam cerca de 10 milhões de pessoas em 27 municípios fluminenses, com ações que incluem a implantação e substituição de 1,8 mil quilômetros de redes, instalação de novos boosters (sistemas de bombeamento) e a reforma de estações elevatórias e de reservatórios. Soma-se a isso a recuperação de sistemas que passaram décadas sem manutenção adequada e do monitoramento em tempo real realizado pelo Centro de Operações Integradas (COI), um dos mais modernos da América Latina.
Mais do que ampliar a infraestrutura, os aportes têm impacto direto na qualidade de vida da população. Segundo especialistas, o acesso regular à água tratada representa ganhos significativos para a saúde pública, reduz riscos sanitários e traz mais dignidade ao cotidiano das famílias, especialmente em regiões que historicamente enfrentaram irregularidades no abastecimento.
Para o diretor institucional da empresa, Sinval Andrade, os resultados vão além dos números e refletem uma atuação próxima das comunidades.
“Nosso trabalho é feito olhando no olho das pessoas, batendo de porta em porta, entendendo a realidade de cada família. Quando escutamos a história de quem teve acesso à água tratada pela primeira vez, confirmamos que não se trata apenas de prestar um serviço, mas de transformar vidas. É sobre dignidade, saúde e a certeza de que um direito básico está finalmente chegando a quem sempre esperou por isso”, afirma Sinval.
Válvulas inteligentes preservam redes
Outro destaque é a incorporação de tecnologia ao sistema de distribuição. A concessionária instalou cerca de 200 válvulas inteligentes, equipamentos que ajustam automaticamente a pressão nas tubulações de acordo com a demanda de cada região. Com isso, é possível garantir maior estabilidade no fornecimento, evitar oscilações e preservar a rede, contribuindo diretamente para a redução de perdas e para que a água chegue com mais regularidade e eficiência às residências.
O avanço também ganha relevância diante do cenário nacional. Embora o Brasil concentre cerca de 12% da água doce superficial do planeta, mais de 33 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à água potável, segundo dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (Snis). Esse quadro reforça a importância de investimentos estruturais para ampliar o acesso a um serviço essencial.
Nesse contexto, as ações no estado do Rio de Janeiro estão alinhadas ao Marco Legal do Saneamento, que estabelece metas ambiciosas para universalizar o acesso aos serviços no país. O objetivo é alcançar 99% de cobertura de abastecimento de água e 90% de coleta e tratamento de esgoto nas áreas urbanas até 2033.

