Devido ao sucesso de público, ‘A Sarça Ardente’ prorroga temporada no Teatro Ziembinski, no Rio
Com casa cheia desde a estreia, em 3 de março, a peça “A Sarça Ardente”, a mais nova criação da Cia. dos Trópicos, teve sua temporada prorrogada até 8 de abril, no Teatro Ziembinski, no Rio. No palco, uma árvore verdadeira divide o espaço com duas atrizes, e torna-se personagem viva e simbólica da obra. A montagem aborda temas profundos como ausência, vazio existencial, fé, vida, morte, feminino, memória, trauma e solidão, mas com boas pitadas de humor, melodrama, ironia e emoção. O elenco é formado por Patrícia Bello e Raquel Monteiro, que se alternam, ao longo da encenação, para vivenciar as personagens Planta, Mulher e Muda de Outra Planta.
Sob a direção e dramaturgia de João Santucci, o espetáculo fica em cartaz até semana que vem, com duas únicas apresentações: dias 7 e 8 de abril, terça e quarta-feira, às 20h, no Teatro Ziembinski, na Avenida Heitor Beltrão, s/nº (em frente à estação de metrô São Francisco Xavier), na Tijuca (RJ). Os ingressos custam R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada), disponíveis neste link aqui. A classificação indicativa é de 16 anos. A Cia. dos Trópicos também oferece Lista Amiga, com ingressos a R$ 20, mediante contato direto no Instagram da companhia.
Inspirada na tradição das novelas brasileiras, com referências à psicanálise freudiana, à cultura latino-americana e ao melodrama almodovariano, “A Sarça Ardente” propõe uma reflexão sobre o sentido da existência e sobre a relação entre homem, natureza e arte. O espetáculo conta a história de uma mulher recém-abandonada pelo marido que começa a conversar com uma planta que cresce em seu apartamento. Logo, a planta ganha ideias próprias e acredita ser Deus. Nesse diálogo improvável repleto de ironia e humor ácido entre humano e natureza, realidade e delírio se confundem.
“A peça parte de um ponto simples, fácil de comunicar e impossível de ignorar: uma mulher magoada começa a conversar com uma planta, e essa planta passa a acreditar que é Deus. O grande trunfo da peça está justamente nessa combinação entre absurdo e humanidade. O que começa como uma situação estranha e até cômica, rapidamente se transforma em uma metáfora potente sobre solidão, abandono, culpa cristã, fé, delírio, trauma e a necessidade humana de projetar sentido quando tudo desmorona”, ressalta o diretor e dramaturgo João Santucci.
Segundo o diretor, a protagonista feminina também é um ponto de destaque. “Não se trata de uma figura idealizada ou heroica, mas de uma mulher em estado de ruptura, atravessada por contradições, carências, culpa, desejo e ironia. A planta que se crê divina não é apenas um elemento fantástico, mas um espelho da própria protagonista e, em alguma medida, de uma sociedade que busca respostas absolutas em meio ao vazio existencial”, explica Santucci.
“É uma peça que provoca riso e desconforto, reflexão e identificação, unindo filosofia, melodrama e imaginação em uma narrativa que dialoga tanto com o público amplo quanto com a crítica especializada. É um teatro que se explica rápido, mas permanece ecoando por muito tempo depois que a luz se apaga”, reforça a Cia. dos Trópicos. Em síntese, o diferencial de “A Sarça Ardente” está em sua capacidade de transformar uma ideia simples e insólita em uma experiência teatral profunda, sensível e visualmente marcante.
Sobre a criação do espetáculo
“A Sarça Ardente” nasce do desejo de criar uma experiência cênica singular, situada entre o melodrama, o humor e a provocação filosófica. A ideia inicial partiu de uma performance: uma planta, que acredita ser Deus, dublada por uma atriz. Ao longo de quase um ano de desenvolvimento, a companhia investigou de diversas maneiras como representar a psique e a corporalidade dessa mulher-planta e desta planta-mulher, explorando suas fronteiras simbólicas, afetivas e existenciais.
Do ponto de vista estético e narrativo, o trabalho dialoga com o cinema de Pedro Almodóvar, especialmente na construção de personagens femininas em estado de excesso emocional, na mistura entre humor e dor, no uso do melodrama como ferramenta política e afetiva, e na valorização do artifício como linguagem. Ao mesmo tempo, a peça se inspira na tradição das novelas brasileiras, sobretudo na capacidade de tratar temas complexos e existenciais por meio de narrativas populares, diretas e emocionalmente reconhecíveis, em que o drama convive com o riso e o cotidiano é atravessado pelo extraordinário.
Ficha técnica
Direção e dramaturgia: João Santucci | Design e assistência de direção: Julia Feital | Elenco: Patrícia Bello e Raquel Monteiro | Produção: Malu Costa | Cenário: Renê Salazar | Iluminação: Rodrigo Belay | Figurino: Maïa Flores | Direção de movimento: Allenkr Soares | Operação de luz: Bernardo Bastos | Operação de som: Thiago Miyamoto | Cenotécnicos: Francisco Gomes e Fabrício Gomes | Assistência de produção: Bruna Secchim | Piano: Thalyson Rodrigues

