Delegado que teve perna amputada após megaoperação retorna ao trabalho
Recepcionado com aplausos por dezenas de colegas de farda, o delegado Bernardo Leal retornou ao trabalho na Cidade da Polícia (Cidpol) nesta quarta-feira (28). Ele teve uma das pernas amputadas e ficou quase três meses afastado do cargo após ser baleado por um disparo de fuzil durante a megaoperação que deixou 121 mortos nos complexos do Alemão e da Penha, na Zona Norte do Rio, em outubro do ano passado.
O delegado-assistente da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) foi recebido pelo secretário da Polícia Civil, Felipe Curi, assim que chegou à Cidpol. Em conversa com o agente, Curi o considerou um “herói das polícias”. “Um herói das polícias, um herói do Rio, e acho que um herói nacional. Mas ele também é um exemplo de ser humano para todos nós. Você é um cara iluminado”, afirmou.
O governo do Rio informou que vai custear a prótese e o tratamento do delegado. “O estado reafirma seu compromisso com o pleno restabelecimento do delegado e com a oferta de todo o suporte necessário aos profissionais que, diariamente, trabalham pela segurança da população fluminense”, disse em comunicado.
Lutou pela vida
Bernardo ficou em estado gravíssimo e precisou de doações de sangue. Ele ficou internado no Hospital Samaritano, na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste. Em dezembro do ano passado, o delegado recebeu de Curi e do diretor do Departamento-Geral de Polícia Especializada (DGPE), André Neves, a Medalha Coragem.
A honraria é concedida a policiais civis atingidos por disparos em confrontos durante operações ou diligências.
Megaoperação deixou 122 mortos
A megaoperação deixou 122 mortos, sendo cinco policiais e 117 suspeitos. A ação se tornou a mais letal da história do Brasil. Dentre os agentes estão: os sargentos do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) Cleiton Serafim Gonçalves, 42 anos, e Heber Carvalho da Fonseca, 39; e os policiais civis Marcus Vinícius Cardoso de Carvalho, 51, conhecido como Máskara, e Rodrigo Velloso Cabral, de 34.
O 5º policial civil que não resitiu foi Rodrigo Vasconcellos Nascimento, lotado na 39ª DP (Pavuna), que chegou a ficar quase um mês internado. Ele morreu no dia 21 de novembro no Hospital Copa D’Or, em Copacabana, na Zona Sul.
Já entre os suspeitos, investigações apontam que 40 vieram de outros estados, como Espírito Santo, Goiás, Bahia, Amazonas e Pará.

