Maduro deve comparecer a tribunal de Nova York para primeira audiência nesta segunda-feira
Chavista vai ouvir formalmente as quatro acusações que pesam contra ele, incluindo narcoterrorismo
Maduro e Cilia e outros quatro homens são acusados pelo Departamento de Justiça dos crimes de tráfico de cocaína e narcoterrorismo. Entre os acusados está um filho de Maduro, cujo paradeiro é desconhecido. As acusações foram baseadas em uma investigação da Administração de Combate às Drogas dos EUA (DEA).
Entre os nomes dos detidos no local está o rapper e produtor musical Sean Combs, conhecido como P. Diddy, acusado de tráfico sexual. Outro exemplo é Luigi Mangione, que aguarda julgamento pelo assassinato do CEO da UnitedHealthcare, Brian Thompson.
De acordo com o MDC, a unidade abriga 1.336 detentos. Embora alguns enfrentem acusações graves, como tráfico internacional de drogas ou terrorismo, a grande maioria responde por crimes menores.
O centro penitenciário funciona como uma espécie de ponto de passagem para os detentos enquanto aguardam julgamento ou sentença.
Condições
A população carcerária do local tem diminuído ao longo dos anos. Em 2024, o Departamento de Prisões dos EUA anunciou que suspenderia temporariamente o envio de detentos para o local.
Naquele ano, diferentes juízes se recusaram a enviar presos para a unidade por causa das péssimas condições de funcionamento. Ao menos dois detentos haviam sido mortos no MDC. Na ocasião, o advogado de um dos mortos chamou a prisão de “inferno na terra”, por ter permitido uma morte que era evitável.
Em 2019, um apagão de energia na unidade durante o inverno durou uma semana. Nesse período, os presos ficaram em celas congelantes, sem aquecimento. Uma investigação do The New York Times sobre o caso mostrou que aquele era apenas mais um episódio de negligência e brutalidade no MDC.
Segundo a reportagem, a cadeia era uma das piores do sistema federal dos EUA. Ao longo dos anos, foram registrados diferentes casos de presos que foram espancados, estuprados ou mantidos sob condições desumanas na unidade.
Um ex-funcionário do MDC disse ao jornal que a cadeia era uma “das mais problemáticas, senão a mais problemática, do sistema federal de prisões” americano. Um relatório do Departamento de Justiça concluiu que as autoridades lidaram de forma extremamente inadequada com a crise.
Operação
O caminho até a prisão no Brooklyn foi longo. Maduro foi capturado por forças dos EUA na chamada Operação Resolução Absoluta.
Ele foi encontrado às 2h da madrugada (3h de Brasília) no Forte Tiuna, uma extensa base militar no centro de Caracas, que abriga a cúpula do governo venezuelano e foi levado para o porta-aviões americano ISS Iwo Jima no Mar do Caribe.
O casal foi então transferido para os EUA após uma parada da base naval americana na Baía de Guantánamo, onde o FBI tinha um avião governamental 757 à espera na pista de pouso para levá-los à Base Aérea da Guarda Nacional Stewart, na cidade de Nova York. Dali, os dois foram levados de helicóptero até Manhattan e depois de carro até a sede do DEA.
Um vídeo que circulou nas redes sociais mostra que, ao chegar ao departamento, Maduro deu boa noite e desejou feliz ano-novo aos agentes. Por fim, o casal foi transferido de helicóptero para o Brooklyn e levado de carro para a prisão.

