Presidente colombiano negou vínculo com narcotráfico e criticou declarações do republicano
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (4), em entrevista a bordo do Air Force One, que a Colômbia é um “vizinho doente que gosta de vender cocaína para os Estados Unidos” e que o presidente colombiano, Gustavo Petro, “não ficará lá por muito tempo”. Trump disse que Washington pode realizar operações contra fábricas de cocaína no território colombiano.
O republicano não detalhou quando ou como tais ações poderiam ocorrer, mas indicou que os Estados Unidos não tolerarão países que, segundo ele, alimentam o tráfico de drogas direcionado aos norte-americanos.
Trump voltou a justificar uma postura mais ativa dos EUA no hemisfério ocidental, ao afirmar que a Venezuela “não está do outro lado do mundo”, mas “ao lado dos Estados Unidos”. Segundo ele, o país se insere na chamada doutrina “Don-Roe”, uma atualização da Doutrina Monroe, de diretrizes de atuação sobre a América Latina.
O presidente dos EUA também classificou a Venezuela como um “vizinho doente” e disse que Washington tem interesse direto em garantir a estabilidade na região. “Estamos no negócio de ter países ao nosso redor que sejam viáveis e bem-sucedidos.”
Trump também afirmou que “é preciso fazer algo em relação ao México” e que os cartéis de drogas são “muito fortes e governam o país”, o que é uma ameaça direta aos Estados Unidos.
O chefe do Executivo dos EUA também afirmou que em todas as conversas que mantém com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, oferece o envio de tropas americanas para combater o crime organizado. Mas, de acordo com ele, Sheinbaum tem “medo” de enfrentar os cartéis.
Em resposta, Petro reagiu nesta segunda-feira (5) a fala de Trump e acusou o governo dos EUA de ter interesses políticos com as falas recentes contra a Colômbia.
“Meu nome (…) não aparece nos arquivos judiciais sobre narcotráfico. Pare de me caluniar, senhor Trump”, escreveu no X (antigo Twitter).
Petro também afirmou que, caso seja atacado e capturado, “libertarão a onça-pintada do povo”.
“A partir deste momento, todos os soldados na Colômbia receberam uma ordem: qualquer comandante das Forças Armadas que preferir a bandeira dos EUA à bandeira colombiana será imediatamente destituído da instituição por ordem de todos os soldados e por minha própria ordem. A Constituição exige que as Forças Armadas defendam a soberania popular”, afirmou.
“Embora eu não tenha sido soldado, conheço a guerra e as operações clandestinas. Jurei nunca mais tocar em armas depois do Acordo de Paz de 1989, mas pelo bem do meu país, pegarei em armas novamente, armas que não quero”, continuou.