7 de janeiro de 2026
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Após captura de Maduro, Trump ameaça fazer operações na Colômbia e chama Petro de ‘doente’

Presidente colombiano negou vínculo com narcotráfico e criticou declarações do republicano

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste domingo (4), em entrevista a bordo do Air Force One, que a Colômbia é um “vizinho doente que gosta de vender cocaína para os Estados Unidos” e que o presidente colombiano, Gustavo Petro, “não ficará lá por muito tempo”. Trump disse que Washington pode realizar operações contra fábricas de cocaína no território colombiano.

O republicano não detalhou quando ou como tais ações poderiam ocorrer, mas indicou que os Estados Unidos não tolerarão países que, segundo ele, alimentam o tráfico de drogas direcionado aos norte-americanos.

Trump voltou a justificar uma postura mais ativa dos EUA no hemisfério ocidental, ao afirmar que a Venezuela “não está do outro lado do mundo”, mas “ao lado dos Estados Unidos”. Segundo ele, o país se insere na chamada doutrina “Don-Roe”, uma atualização da Doutrina Monroe, de diretrizes de atuação sobre a América Latina.

O presidente dos EUA também classificou a Venezuela como um “vizinho doente” e disse que Washington tem interesse direto em garantir a estabilidade na região. “Estamos no negócio de ter países ao nosso redor que sejam viáveis e bem-sucedidos.”

Trump também afirmou que “é preciso fazer algo em relação ao México” e que os cartéis de drogas são “muito fortes e governam o país”, o que é uma ameaça direta aos Estados Unidos.
O chefe do Executivo dos EUA também afirmou que em todas as conversas que mantém com a presidente do México, Claudia Sheinbaum, oferece o envio de tropas americanas para combater o crime organizado. Mas, de acordo com ele, Sheinbaum tem “medo” de enfrentar os cartéis.
Em resposta, Petro reagiu nesta segunda-feira (5) a fala de Trump e acusou o governo dos EUA de ter interesses políticos com as falas recentes contra a Colômbia.
“Meu nome (…) não aparece nos arquivos judiciais sobre narcotráfico. Pare de me caluniar, senhor Trump”, escreveu no X (antigo Twitter).
Petro também afirmou que, caso seja atacado e capturado, “libertarão a onça-pintada do povo”.
“A partir deste momento, todos os soldados na Colômbia receberam uma ordem: qualquer comandante das Forças Armadas que preferir a bandeira dos EUA à bandeira colombiana será imediatamente destituído da instituição por ordem de todos os soldados e por minha própria ordem. A Constituição exige que as Forças Armadas defendam a soberania popular”, afirmou.
“Embora eu não tenha sido soldado, conheço a guerra e as operações clandestinas. Jurei nunca mais tocar em armas depois do Acordo de Paz de 1989, mas pelo bem do meu país, pegarei em armas novamente, armas que não quero”, continuou.
“Não sou ilegítimo, nem traficante de drogas. Meu único bem é a casa da minha família, que ainda pago com meu salário. Meus extratos bancários são públicos. Ninguém conseguiu provar que gastei mais do que ganho. Não sou ganancioso”, concluiu.
A Chancelaria colombiana classificou as ameaças do mandatário americano como uma “ingerência inaceitável” e pediu “respeito”.
Desde que iniciou seu segundo mandato em janeiro de 2025, Trump e Petro têm se enfrentado repetidamente em temas como política tarifária e migração.

Colômbia e Estados Unidos, aliados militares e econômicos fundamentais na região, vivem o pior momento de sua relação bilateral.

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