Anatel participa do início dos testes da TV 3.0 na Torre de TV de Brasília
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), em parceria com o Ministério das Comunicações e a entidade Seja Digital, deu continuidade à fase de testes da TV 3.0, que representa o futuro da televisão aberta no País. Na manhã desta segunda-feira (2/2), foi realizado o içamento da antena em Brasília, marcando o início da instalação da estação na capital federal. Ao longo de fevereiro, está prevista a conclusão da instalação da estação.
Resultado de projeto implantado pelo Grupo de Implantação do Processo de Redistribuição e Digitalização de Canais de TV e RTV (Gired), a estação permitirá a verificação de parâmetros técnicos associados à nova plataforma de televisão aberta. Quando a TV 3.0 entrar em operação em Brasília, em março, a estação será utilizada para a transmissão contínua das programações da Câmara dos Deputados e da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).
Os testes associados ao projeto do Gired de evolução para a TV 3.0 tiveram início em agosto de 2025, em São Paulo. Já foram instaladas duas estações de testes de TV 3.0 na capital paulista. O início dos testes em Brasília está previsto para março.
Segundo o conselheiro da Anatel e presidente do Gired, Octávio Penna Pieranti, a estação representa a transição entre a fase de testes e a futura operação comercial. “A partir dessa estação, a EBC e a Câmara dos Deputados começam a transmitir a programação da Rede Nacional de Comunicação Pública e da Rede Legislativa em caráter experimental. Essas estações-teste depois serão incorporadas a um sistema de transmissão comercial, diário, quando a TV 3.0 for oficialmente inaugurada no Brasil”, afirmou.
Pieranti destacou ainda que a infraestrutura instalada em Brasília terá papel estratégico para todo o ecossistema de radiodifusão. “Essa estação serve para testes não apenas da EBC e da Câmara, mas de todas as emissoras de Brasília, públicas e comerciais. Quando a data de início da TV 3.0 for definida pelo Governo Federal, essa antena já estará preparada para viabilizar as transmissões regulares”, completou.
Virada
Para o diretor de Radiodifusão Privada do Ministério das Comunicações, Nelson Alves Pinto Neto, o momento representa uma nova virada tecnológica. “Hoje é um marco na história da televisão brasileira. Assim como vivemos a transição da TV analógica para a digital, agora estamos entrando na era da TV 3.0, com uma integração profunda entre a TV aberta e a internet, que vai transformar a forma como o brasileiro assiste televisão”, afirmou.
A implantação da TV 3.0 ocorrerá de forma gradual. O cronograma nacional ainda está em definição e prevê o início das operações em algumas capitais, antes da expansão para todo o País. A nova tecnologia funcionará de forma integrada à internet, sem excluir quem não dispõe de conectividade: o sinal continuará disponível normalmente pela TV aberta, enquanto usuários conectados terão acesso a recursos interativos e novos serviços.
Geração
A TV 3.0 promete transformar a televisão aberta em uma verdadeira “super smart TV”, combinando o alcance do sinal aberto com funcionalidades típicas dos serviços de streaming. Entre as principais inovações estão a evolução da qualidade de imagem do Full HD para 4K — com perspectiva de 8K no futuro —, cores mais realistas, maior contraste e áudio imersivo, com possibilidade de personalização em determinados conteúdos.
A experiência do telespectador também muda. A navegação deixa de ser baseada apenas na troca de canais e passa a contar com interfaces organizadas por aplicativos e conteúdos, integrando transmissões ao vivo, programação sob demanda e recursos interativos, como enquetes e votações em tempo real.
Outro destaque é o reforço do papel social da televisão. O novo padrão prevê recursos nativos de acessibilidade, como tradução em Libras por avatares digitais, legendas personalizáveis e audiodescrição configurável, além da possibilidade de envio de alertas de emergência regionalizados, avisos climáticos e integração com serviços públicos digitais, inclusive em cenários de conectividade limitada.
No campo econômico, a TV 3.0 abre espaço para novos modelos de negócios, como publicidade segmentada e integração com o comércio eletrônico diretamente na tela. A transição coexistirá por um período com o modelo atual e exigirá televisores compatíveis ou conversores. A expectativa é que as primeiras transmissões em maior escala ocorram a partir de 2026, consolidando a modernização da radiodifusão brasileira.

