15 de janeiro de 2026
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Alckmin destaca produção de gás natural no estado do Rio como parte ‘essencial’ da nova política industrial

Ministro apontou os recursos naturais, polo automotivo em Resende e o agro como pontos importantes no projeto

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, reforçou nesta quinta-feira (15) que o estado do Rio tem um papel importante na nova política industrial, chamada de Nova Indústria Brasil (NIB), com R$ 300 bilhões destinados para financiamentos até 2026.
“O Rio de Janeiro é campeão no gás natural, isso é fundamental para a indústria e deve dobrar a produção. O Rio tem um papel essencial”, disse ao O Dia no programa “Bom Dia, Ministro”, da EBC.
O ministro destacou que o NIB é uma indústria mais inovadora, sustentável e verde. Com etanol, biodiesel, energia eólica e energia solar. “O Rio tem um papel essencial, porque ele tem recursos naturais, petróleo e gás, a parte de biocombustível, tem um setor de agro relevante, tem indústria”, acrescentou.
O estado do Rio é o principal produtor de gás natural do Brasil. Segundo os dados mais recentes da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), sendo responsável por mais de 70% do gás do País, com um forte crescimento impulsionado pelo Pré-sal, com destaque para campos como Búzios e Tupi.
“É uma indústria mais competitiva. Com o Mover, você estimula eficiência automotiva, eficiência energética e a indústria mais exportadora. Nós precisamos exportar mais, quando uma empresa exporta ela muda de patamar”, completou.
No programa Mover foram R$ 3,8 bilhões em crédito, com previsão de R$ 3,9 bilhões em 2026, mobilizando R$ 190 bilhões em investimentos privados. “Esse movimento fortalece a cadeia automotiva, da produção de veículos às autopeças, com foco em inovação, eficiência energética e segurança, além de abrir espaço para novas fábricas no país”.
O vice-presidente destacou ainda a visita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai fazer em Resende, no Sul Fluminense, onde existe um polo automotivo da Volkswagen Caminhões e Ônibus, uma empresa brasileira fabricante de veículos comerciais.
“A Volkswagen caminhões é a primeira do Brasil. Ela é a primeira do mercado de caminhões. Eu vejo com otimismo, acho que a indústria vai crescer. Ela já está crescendo”, concluiu.
Mercosul
Alckmin comemorou o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia (UE) e disse esperar que o Congresso brasileiro aprove ainda no primeiro semestre o projeto de lei ratificando o acordo, para que as regras sejam aplicadas já a partir do segundo semestre.

O ministro confirmou que o acordo será assinado no Paraguai no último sábado (17). Ele ressaltou que Lula “foi quem fez todo o trabalho” de negociação do acordo, apesar de não conseguir fechá-lo durante a presidência do Brasil do Mercosul.

“Assim que for assinado, o Parlamento Europeu aprova sua lei e nós aprovamos a lei internalizando o acordo, esperamos que aprovem ainda no primeiro semestre e que entre em vigor já no segundo semestre”, afirmou.

Alckmin também apontou que o acordo “é o maior entre blocos do mundo”. “São 720 milhões de pessoas, US$ 22 trilhões de mercado. São cinco países do Mercosul e 27 países da União Europeia. Isso significa comércio. Vamos vender mais para eles. Vai ter livre comércio, mas com regras. Vamos comprar mais deles também”, declarou.

Segundo o ministro, “quem ganha é a sociedade”. “Se sou mais eficiente em um produto, vendo para você. Se você é mais eficiente em outro produto, você vende para mim. Ganha a sociedade comprando produtos mais baratos e de melhor qualidade”.

O vice-presidente afirmou que o acordo “vai fortalecer o agronegócio, a indústria e consequentemente também os serviços”. Disse que o comércio exterior hoje é “emprego na veia”. “Se determinadas empresas não exportarem, elas fecham”, acrescentou.

“O acordo é importantíssimo porque o maior parceiro comercial do Brasil é a China e o segundo é a União Europeia. É importantíssimo tanto no agro quanto na indústria. No agro, vamos poder exportar praticamente tudo. A resistência que tinha na Europa, especialmente na França, era exatamente com receio da competitividade da agropecuária brasileira”, declarou.

“O acordo é um exemplo para o mundo em um momento de instabilidade política, de geopolítica com guerra em vários lugares, de protecionismo exacerbado. É um exemplo de que é possível, através do diálogo e da negociação, fortalecer o multilateralismo e ter o livre comércio”, concluiu.

Tarifas
Alckmin também disse achar difícil que os Estados Unidos confirme a ameaça e aplique mais tarifas para os países com algum tipo de relação comercial com o Irã. De acordo com o ministro, “mais de 70 países” exportam para o Irã, inclusive alguns europeus.

“Sobre o Irã, também não vejo relação. Os EUA colocou que não quer que haja comércio com o Irã, mas o Irã tem 100 milhões de pessoas. Os países europeus exportam para o Irã, a maioria dos países tem algum tipo de relação”m afirmou.

“A nossa relação com o Irã é pequena, mas temos um brutal superávit. Exportamos US$ 2,5 bilhões e não importa nem US$ 200 milhões. Não vejo relação. E a supertarifação é difícil de ser aplicada, porque teria de aplicar em 70 países do mundo, inclusive europeus”, acrescentou.

O vice-presidente ressaltou que que o acordo com a União Europeia não interfere na negociação com os Estados Unidos para reduzir ainda mais o tarifaço imposto pelo governo de Donald Trump. Disse que os “EUA são muito importantes porque é para onde exportamos produtos de valor agregado”.

“O acordo com a UE interfere? Eu diria que não. São coisas distintas. Vamos continuar trabalhando para reduzir ainda mais a alíquota e abrir ainda mais os mercados”, declarou. “Avançamos. A primeira ordem executiva afetava 37% dos produtos com a tarifa de 10%+40%. Reduzimos para 36%, para 34%, para 33%, para 22% e hoje está em 19%. Vamos trabalhar para reduzir a alíquota e excluir mais produtos. Na última, saiu café, carne, frutas. Já tinha saído antes suco de laranja, avião, determinados produtos de madeira”, concluiu.

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