5 de novembro de 2026
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Exposição coletiva TRANSposição leva arte transgênera ao Museu de Favela no Rio de Janeiro

Com 28 obras de 13 pessoas trans, a mostra gratuita e inédita no MUF reúne arte, memória, ancestralidade e resistência para questionar a transfobia e reivindicar o direito de pessoas trans a uma vida digna

O projeto curatorial TRANSposição realiza, em 2026, sua primeira mostra expositiva no Museu de Favela (MUF), que inaugura no dia 13 de novembro às 14 horas, apresentando parte de um mapeamento dedicado à produção artística e intelectual da comunidade transgênera do Brasil. Idealizada pela artista, curadora e pesquisadora Lu Oliveira, a iniciativa reúne 28 obras de 13 artistas, intelectuais e fazedoras de cultura, articulando diferentes linguagens para discutir violência, identidade, espiritualidade, memória e direitos. “A comunidade TRANS brasileira põe em xeque as velhas formas do mundo colonizado, em contrapartida, apresentam à sociedade novas formas estéticas, políticas e afetivas de viver e representar a vida. É a partir dessas contribuições que a TRANSposição expõe o seu acervo e convida a todas que desejam ver, perceber e reverenciar trajetórias trans”, destaca a curadora Lu Oliveira.

Lançado oficialmente em 2025, no Espaço Cultural do Centro de Ciências Humanas e Sociais da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (CCH/Unirio), o projeto desenvolve ações de pesquisa, preservação, documentação, comunicação e educação, por meio de uma metodologia própria denominada Desmontagem Museológica. A exposição é financiada pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (SECEC/RJ), por meio do edital Fluxos Fluminenses, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), do Ministério da Cultura (MinC).

A exposição é estruturada em três eixos narrativos que articulam denúncias, referências ancestrais e experiências cotidianas. Em “O silêncio dos inocentes não será perdoado”, as obras questionam a omissão diante da desigualdade e da transfobia, com trabalhos como “Ordem e Progresso” e “A Geógrafa”, de Agrippina Manhattan, a série de gravuras “Sem nome e sem endereço”, de Agatha Maria, e a instalação “Cristo das pobres oprimidas prostitutas”, de Lu Oliveira. Já “TransAncestralidade” explora as relações entre genealogia, espiritualidade e memória, reunindo, entre outras criações, “Filtro de memória”, de Milu Almeida, gravuras de Travadon4 e o audiovisual “Flores para Geni”, de Alma Flora e Amber Blenda. As obras evocam ancestralidades negras, afeto, acolhimento e a construção de futuros possíveis, ao mesmo tempo que confrontam a censura e as disputas em torno da representação de corpos e identidades dissidentes.

O terceiro eixo, “Nascida no subúrbio nos melhores dias” é uma homenagem à vida, ao cotidiano, à possibilidade de viver o ordinário no território. As obras desse conjunto falam da visualidade periférica, do trabalho, do descanso, do lazer, da prosperidade ligada a essa paisagem periférica. Trecho que homenageia o Museu de Favela. As “Sementeiras Radicais”, de Rastros de Diógenes, são esculpidas em argila e sementes de milpa. O trabalho é inspirado em técnicas ancestrais de cultivo e reflorestamento, disputando a presença de um território ecologicamente regulado e socialmente justo onde arte, agroecologia e bem-viver se unem. Elisa do Talho apresenta lambe-lambe, grafite e pixo, convocando essa marca no território que a arte urbana faz ao colorir e rasurar a cidade. Os desenhos e pinturas de Jad Correia carregam dezenas de referências da moda, beleza e criação, fruto de uma imaginação complexa com apuro estético destacado que nasce da favela para o mundo, um presente para toda juventude que deseja viver pela arte e por ela. “Quando me lembrei que já fui Rio” de Agatha Maria, retrata um resgate à genealogia da migração familiar feminina, que no território estrangeiro recompõe as memórias no que há de mais essencial: os afetos que nos cruzam e os lugares que nos compõem. O rio que não é metáfora da confluência, segundo Nego Bispo, mas um caminho de volta para o que vive em nosso coração.

Ao reunir diferentes trajetórias e expressões artísticas, TRANSposição amplia a visibilidade da produção cultural trans e convida o público a rever percepções naturalizadas sobre gênero, violência e pertencimento. Mais do que apresentar obras, transforma o espaço museológico em lugar de escuta, elaboração crítica e reconhecimento, afirmando a potência da arte como instrumento de memória e transformação social. A exposição fica em cartaz até dia 22 de janeiro de 2027 com entrada gratuita.

ACERVOS:

Agatha Maria

Agrippina R. Manhattan

Alma Flora

Amber Blenda

Elisa do Talho (V1tupere)

Gabe Arnaudin

Jad Correia

Profa. Dra. Megg Rayara Gomes de Oliveira

Lu Oliveira

Milu Almeida

Rastros de Diógenes

Travadon4

Noite das Estrelas

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