Taís Araújo vai desfilar pelo Salgueiro em homenagem a Xica da Silva
Taís Araujo, de 47 anos, vai desfilar pelo Salgueiro no Carnaval. A atriz foi anunciada como um dos destaques da escola de samba neste sábado (31), durante um evento na quadra da agremiação, no Rio. A participação tem um significado especial: o enredo será dedicado a Xica da Silva, personagem que ela interpretou na televisão há 30 anos.
Em 1996, aos 17 anos, Taís protagonizou a novela “Xica da Silva”, exibida pela extinta TV Manchete. O trabalho marcou sua estreia como protagonista de uma novela e ajudou a projetar seu nome em todo o país. Agora, três décadas depois, ela voltará a representar a ligação com essa história, desta vez na Marquês de Sapucaí.
A atriz já acompanhava os preparativos da escola antes da confirmação. Em agosto, ela visitou o barracão do Salgueiro ao lado da mãe, Mercedes, e conheceu parte do projeto criado para o próximo Carnaval. Na ocasião, também teve contato com o trabalho do carnavalesco Jorge Silveira.
O Salgueiro levará para a avenida o enredo “Laroyê Xica da Silva: A História por Trás da História”. A proposta é revisitar a trajetória de Francisca da Silva de Oliveira, mulher negra que viveu no Brasil colonial, e apresentar aspectos de sua vida pouco explorados nas versões mais conhecidas da história. A pesquisa também procura questionar estereótipos associados à sua imagem.
Não será a primeira homenagem da escola à personagem histórica. Em 1963, o Salgueiro também apresentou um desfile sobre Xica da Silva. Mais de seis décadas depois, a agremiação pretende abordar sua trajetória por uma nova perspectiva, com base em pesquisas e documentos históricos.
Entre os materiais que contribuíram para o desenvolvimento do enredo está um testamento de Xica da Silva, divulgado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais em 2025. O documento, datado de 12 de novembro de 1770, apresenta decisões sobre a distribuição de bens e a proteção dos herdeiros.
O registro também serviu de base para a pesquisa de mestrado do enredista Leonardo Antan. Outro documento localizado foi uma carta de alforria de Xica da Silva. Após o processo de restauração, ambos deverão integrar o acervo da Memória do Judiciário (Mejud).

