26 de outubro de 2026
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Hospital Miguel Couto completa 90 anos de história no Rio

O Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, Zona Sul, completou 90 anos neste domingo (25). Inaugurada em 25 de outubro de 1936, a unidade atravessou diferentes fases da história da cidade e se consolidou como um dos principais hospitais de emergência da rede municipal, com destaque para o atendimento a pacientes vítimas de traumas e para a formação de especialistas em ortopedia.

Ao longo de nove décadas, o hospital acompanhou mudanças na medicina, incorporou novas tecnologias e passou por reformas para ampliar e reorganizar os serviços. Atualmente, realiza aproximadamente 7 mil cirurgias, 100 mil atendimentos ambulatoriais e de urgência e emergência e 110 mil exames por ano.

A unidade recebe pacientes com diferentes tipos de lesões, incluindo vítimas de acidentes de trânsito, ocorrências envolvendo motocicletas e ferimentos por arma de fogo. A localização próxima a um heliponto também facilita a chegada de pacientes politraumatizados transferidos de outras regiões da cidade, que precisam de atendimento especializado.

“O Miguel Couto é um dos principais hospitais da rede municipal, referência para atendimentos de trauma, de ortopedia, de neurocirurgia e de cirurgia vascular”, afirmou o secretário municipal de Saúde, Rodrigo Prado.

Segundo ele, a unidade mantém a tradição do Serviço de Ortopedia e Traumatologia Professor Nova Monteiro, que forma novos profissionais e reúne equipes experientes no tratamento de casos complexos.

Serviço de ortopedia tem 75 anos

Um dos pilares da trajetória do Miguel Couto é o Serviço de Ortopedia e Traumatologia Professor Nova Monteiro, criado em 1949 e que completa 75 anos de atividade, conforme o histórico divulgado pela unidade. O setor realiza cerca de 2 mil cirurgias por ano e recebe médicos de diferentes partes do Brasil e do exterior para estágios e aperfeiçoamento profissional.

A estrutura também contribui para o atendimento de pacientes com múltiplas lesões, que podem precisar da atuação conjunta de diferentes especialidades. Além da ortopedia, o hospital mantém serviços de neurocirurgia, cirurgia geral e cirurgia vascular.

“Somos uma referência da Ortopedia em todo o país, recebendo anualmente ortopedistas do mundo inteiro para realizar estágio e por onde já passaram centenas dos mais importantes especialistas do nosso país”, destacou o diretor do hospital, Cristiano Chame.

A relação do diretor com a unidade começou no início dos anos 2000, quando ele ainda era estudante de Medicina e residente em ortopedia. Em 2009, passou a integrar como médico da especialidade. No ano seguinte, assumiu a chefia do Centro Cirúrgico e, em 2015, chegou à direção do hospital.

Chame afirma que a trajetória profissional está diretamente ligada à história da unidade. Seu pai também fez residência em ortopedia no Miguel Couto.

“Desde pequeno o meu desejo sempre foi ser médico. De verdade, nunca pensei ser outra profissão. Desde o início sempre tive o desejo de me tornar ortopedista e poder seguir os passos do meu pai”, contou.

Reformas mudaram a estrutura de atendimento

A estrutura do hospital passou por intervenções para melhorar o fluxo de pacientes e ampliar a capacidade de atendimento. Em 2012, a inauguração da Coordenação de Emergência Regional (CER) do Leblon ajudou a direcionar casos clínicos e ocorrências de menor complexidade para outra unidade, permitindo que o Miguel Couto concentrasse esforços em situações mais graves, especialmente traumas.

Em 2015, o setor de trauma foi reorganizado para facilitar a entrada de pacientes transportados por ambulâncias. Os serviços de imagem foram reunidos em uma mesma área para reduzir deslocamentos durante o atendimento de emergência. O hospital também criou setores de endoscopia e colonoscopia e ampliou os espaços destinados ao ensino de ortopedia e neurocirurgia.

Mais recentemente, as intervenções incluíram a reforma do Centro de Terapia Intensiva (CTI) Pediátrico e a criação de uma sala de acolhimento para familiares, em 2023. No ano seguinte, os ambulatórios passaram por uma ampla reforma, com a abertura de espaços para neurologia e cardiologia. Em 2025, o setor coronariano, destinado a pacientes com doenças cardíacas, também recebeu melhorias.

As mudanças ocorreram em paralelo à adaptação da unidade a novas demandas, como o crescimento dos atendimentos relacionados a acidentes com motocicletas. O hospital também precisa manter estrutura para receber pacientes graves que necessitam de assistência rápida e de diferentes especialidades.

Funcionários também fazem parte da história

Além dos médicos e das equipes assistenciais, profissionais que atuam há décadas no hospital ajudam a preservar a memória e o funcionamento da unidade.

É o caso de Vania Portes, pedagoga que chegou ao Miguel Couto em 1992 para trabalhar no Serviço de Documentação Médica, responsável pela organização dos prontuários. Quatro anos depois, foi convidada a integrar a direção e, desde então, permanece no hospital, onde exerce a função de chefe de gabinete.

Ao longo de sua trajetória, Vania acompanhou diferentes administrações e mudanças na rotina de trabalho. Para ela, o atendimento hospitalar exige mais do que procedimentos técnicos: é preciso considerar a situação de cada paciente e oferecer acolhimento em momentos de medo, dor e fragilidade.

“É preciso enxergar a pessoa, sua história, seus medos, suas angústias e, muitas vezes, seus sofrimentos e a falta de esperança”, afirmou.

A profissional também relaciona a experiência no hospital aos princípios do Sistema Único de Saúde (SUS), como acesso, dignidade e igualdade no atendimento.

“Aprendi que o SUS não deve ser visto apenas como um sistema de saúde, mas como uma expressão de cidadania, dignidade e igualdade”, disse.

Nove décadas de atendimento público

A história do Miguel Couto começou antes da inauguração oficial. A construção do Hospital Regional Periférico da Gávea teve início em 1933, e a pedra fundamental foi lançada em 6 de janeiro de 1934. Em outubro de 1935, a unidade recebeu o nome de Hospital Gastão Guimarães. No ano seguinte, passou a se chamar Hospital Miguel Couto, denominação mantida até hoje.

Desde então, o hospital acompanhou a expansão urbana do Rio e as transformações no atendimento de saúde. A consolidação de serviços especializados, a formação de profissionais e as reformas estruturais marcaram diferentes etapas dessa trajetória.

Aos 90 anos, o desafio da unidade permanece ligado à sua função central na rede pública: atender pacientes em situações de urgência, receber casos de alta complexidade e manter equipes preparadas para responder a diferentes tipos de trauma. A continuidade desse trabalho depende da estrutura hospitalar e dos profissionais que, diariamente, sustentam o atendimento à população.

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