7 de outubro de 2026
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Vazamento oculto: reparo evita desperdício diário de 4 mil litros de água na Zona Sul

Intervenção da Águas do Rio em Laranjeiras integra macroprojeto que já renovou 1.941 km de redes no estado

Um vazamento invisível no subsolo da bucólica Rua Cardoso Júnior, em Laranjeiras, na Zona Sul do Rio, foi neutralizado, evitando o desperdício contínuo de 4,1 mil litros de água tratada todos os dias, o equivalente a uma perda de 123 mil litros por mês. O volume foi recuperado após uma intervenção precisa na rua íngreme com vista para o Cristo Redentor. A solução pontual reflete uma estratégia macro e contínua da Águas do Rio, concessionária da Aegea, para fechar o cerco às perdas de água. Desde o início da operação, a empresa já instalou ou substituiu 1.941 km de novas redes e recuperou 301 bilhões de litros em toda a sua área de atuação.

Para quem vive na rua Cardoso Júnior, a intervenção trouxe um alívio para a rotina doméstica. O aposentado Eduardo de Souza, de 65 anos, mora na rua desde que nasceu e acompanhou de perto a adaptação da vizinhança nas atividades mais básicas do dia a dia.

“Saía apenas um filete de água. Era o que eu tinha para encher os baldes, colocar água na máquina para lavar roupa. Muitas vezes, deixávamos a louça acumulada porque, quando a água chegava, era pouca e precisávamos reservar para conseguir realizar outras atividades. Foi uma fase muito complicada que passamos aqui. Felizmente, agora o problema foi resolvido e a água chega com força”, conta o morador.

A localização exata do vazamento exigiu muita precisão técnica, com a atuação de equipes especializadas no uso de geofones, que são como ‘estetoscópios’ de redes.

“Por se tratar de uma rua muito íngreme, a água não aflorava no asfalto, correndo por baixo da terra. Achamos inicialmente que seria uma obstrução, mas para achar o ponto exato nós utilizamos o geofone, que funciona como um estetoscópio, ‘escutando’ a vibração da água no subsolo. Com isso, conseguimos atuar no local preciso, realizar o reparo sem grandes danos ao solo e à circulação do bairro, restabelecendo o abastecimento pleno das residências”, explica o supervisor de operações da Águas do Rio, Diego Carbos.

Combate a perdas: da tecnologia espacial ao subsolo
O conserto minucioso em Laranjeiras é o reflexo prático de uma megaoperação tecnológica que vem transformando a segurança hídrica fluminense. Reduzir a perda de água tratada é ampliar a oferta sem aumentar a captação, garantindo que a água já produzida chegue a mais pessoas. Ao mesmo tempo, diminui a pressão sobre bacias, rios, represas, cada vez mais impactados por estiagens e pelas mudanças climáticas.

A eficácia desse trabalho já é atestada pelo recente relatório do Instituto Trata Brasil, que apontou uma redução de 22% no índice de perdas da capital em um recorte de apenas três anos. O cenário geral da concessão, que operava com 65% de perdas na distribuição em 2021, caiu para 40%.

Para acelerar essa retomada, a companhia alia o trabalho de campo a inovações de ponta. No alto, um satélite equipado com tecnologia originalmente desenvolvida para buscar sinais de água em Marte varre os 17 mil quilômetros de rede da concessionária para localizar vazamentos invisíveis. Somente no ano passado, essa varredura orbital evitou o desperdício de 21,8 bilhões de litros. No chão, a rede é protegida por 200 novas válvulas inteligentes que estabilizam a pressão nas tubulações de forma automática, e equipes de geofonamento como esta que atuou em Laranjeiras.

O cérebro de toda essa engrenagem é o Centro de Operações Integradas (COI). Rodando 24 horas por dia, a torre de controle cruza 48 mil variáveis em tempo real, garantindo que o volume bilionário de água antes perdido pelo caminho chegue, de fato, às torneiras de quem mais precisa.

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