Após mudanças no sistema de cabos, sinais seguem apagados no Cachambi
Doze dias depois do começo da substituição dos cabos de cobre de semáforos por condutores sem valor comercial, vias do Cachambi, na Zona Norte do Rio, continuam com problemas de sinalização. A reportagem do O DIA esteve, nesta terça-feira (6), no cruzamento das ruas Ferreira de Andrade e Basílio de Brito e encontrou sinais de trânsito apagados.
No dia 24 de setembro, a Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio (CET-Rio) iniciou a mudança na rede de cabos de semáforos nos bairros Méier e Cachambi. A iniciativa integra parte das medidas adotadas para reduzir o número de furtos cometidos por criminosos.
A reportagem compareceu, na manhã desta terça-feira (6), em alguns locais indicados por moradores onde os problemas de sinalização são recorrentes. No entroncamento entre as ruas Ferreira de Andrade e Basílio de Brito, no Cachambi, os semáforos estavam apagados e as caixas que abrigam os cabos encontravam-se vazias. Com isso, carros avançavam o cruzamento com risco de acidentes.
O empresário Eduardo dos Anjos, de 58 anos, contou que a situação é semelhante nos cruzamentos das ruas Aristides Caire e Capitão Resende, na divisa entre Méier e Cachambi, onde funcionam diversos comércios. De acordo com o morador da região, criminosos furtam os cabos no mesmo dia em que as equipes da prefeitura colocam os equipamentos. O sinal funcionava normalmente na manhã desta terça.
“Aqui é frequentemente roubado. A prefeitura vem, coloca o cabo e no mesmo dia é levado. No cruzamento com a Rua Coração de Maria, que está quebrado, todos os dias que colocam é roubado, no mesmo dia. Um grande transtorno. É perigoso, já ocorreram vários acidentes”, disse.
Na esquina da Avenida Dom Helder Câmara com a Rua Pedras Altas, onde fica o Norte Shopping, outro local alvo de frequentes reclamações de moradores, os semáforos estavam operacionais.
“Uma semana atrás, estava tudo parado. Ficou praticamente uma semana. Tanto o da Pedras Altas quanto o da Suburbana. Impacta muito porque o movimento é grande no shopping. Fim de semana, período da hora do rush, o trânsito fica terrível. É muito carro, ônibus passando toda hora. Sem contar as pessoas, que não conseguem se locomover. É complicado, fica difícil”, destacou o comerciante Cristiano da Silva, de 39 anos.
A reportagem pediu um posicionamento para a CET-Rio sobre o andamento da instalação dos novos cabos, em e-mail enviado às 11h23, mas ainda não recebeu retorno. O espaço está aberto para manifestação.
Mudanças
A troca do cabeamento, principalmente na região do Meier e Cachambi, tem previsão de ser feita de forma gradual. O novo material tem coloração laranja e a inscrição “sem valor comercial”, características que facilitam sua identificação e reduzem o interesse econômico pelo equipamento.
A substituição dos cabos integra uma estratégia de enfrentamento aos furtos. Em setembro, a Prefeitura do Rio, em parceria com o Governo do Estado, criou o Núcleo Integrado de Combate a Furtos e Receptação de Cabos, uma estrutura permanente de atuação conjunta para enfrentar o problema, que já provocou prejuízos superiores a R$ 27 milhões somente na sinalização semafórica.
O projeto pretende reduzir em, pelo menos, 75% o número de furtos na Zona Norte do Rio. A estratégia prevê a substituição de cabos por materiais sem valor econômico e a colocação de controladores de semáforos no alto de postes.
Na época, os órgãos anunciaram a instalação de mais 14 km de cabos de sinais em 54 cruzamentos do Grande Méier e da Grande Tijuca. Além disso, serão colocadas novas caixas para abrigar os dutos e posicionar os cabos de semáforo no subsolo.

