Senadores dos EUA enviam carta ao governo Trump defendendo que não interfira em eleições no Brasil
Três senadores democratas dos Estados Unidos enviaram uma carta ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, defendendo a não interferência do governo dos EUA nas eleições no Brasil. O texto é assinado Jeanne Shaheen, Peter Welch e Tim Kaine.
Tanto Jeanne quanto Kaine são membros do Comitê de Relações Exteriores do Senado.
Eles fazem dois questionamentos no texto, perguntando como o Departamento ‘coordena seus objetivos de democracia e direitos humanos com parceiros regionais no Hemisfério Ocidental, particularmente no que diz respeito à assistência técnica ou ao monitoramento de processos eleitorais e judiciais?’ e se poderia se comprometer ‘a reconhecer o resultado certificado das eleições democráticas de 2026 no Brasil e a apoiar relações diplomáticas normais com o candidato que for livre e justamente escolhido pelo povo brasileiro?’.
Na carta é reproduzido bastante do assunto de uma outra carta enviada na última semana por 31 parlamentares americanos, entre eles Bernie Sanders e a deputada democrata Alexandria Ocasio-Cortez.
Eles dizem que há uma preocupação na política americana ‘com o fato de o governo Trump estar usando pressão diplomática, econômica e política para enfraquecer deliberadamente as instituições democráticas do Brasil antes da eleição presidencial de 4 de outubro de 2026’.
Eles dizem que as autoridades americanas realizaram uma grande campanha de interferência e para ‘desestabilização’ do Brasil.
‘Esse esforço se intensificou de forma acentuada pela primeira vez no verão de 2025, quando o governo recorreu a tarifas e sanções direcionadas na tentativa de influenciar o veredito da Suprema Corte brasileira no julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de tentar promover um golpe militar para permanecer no poder’, diz o texto.
No documento da última semana, assim como nesse, é questionada a escolha de Darren Beattie como representante dos EUA no Brasil, na qual acusam de ser um extremista de ‘extrema direita e supremacista branco’.
‘As ações mais recentes do governo apontam para um esforço de interferir na eleição geral de outubro no Brasil e, potencialmente, miná-la. A recente reunião no Salão Oval entre o presidente Trump e o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro, realizada enquanto ele tentava mitigar um escândalo político doméstico, evidencia a disposição do governo de se inserir na eleição’, afirmaram os senadores.
Jeanne Shaheen, Peter Welch e Tim Kaine diz que há um contraste com a abordagem anterior nas eleições e que as ações minam uma relação com um ‘aliado estratégico e parceiro comercial dos EUA’.
‘Essas ações refletem um padrão mais amplo e profundamente preocupante de interferência do governo Trump em processos eleitorais recentes na América Latina, como se viu nas eleições de meio de mandato da Argentina e nas eleições presidenciais de Honduras e da Colômbia. Esse padrão ameaça não apenas a integridade dos processos eleitorais em cada país, mas também corrói progressivamente a confiança pública nos processos e instituições democráticas em toda a região’, completa.
Trump é uma ‘enorme questão sob as eleições brasileiras’, afirma NYT
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é uma ‘enorme questão’, que paira sob as eleições brasileiras de 2026. A afirmação é do jornal New York Times através de fontes dentro do governo brasileiro, do sistema eleitoral, diplomatas e mais.
Segundo o texto, há um receio pelo presidente Donald Trump ter interferido em outras eleições. Por isso, o Brasil ‘está erguendo uma barreira para tentar proteger sua votação crucial de uma possível interferência dos EUA’.
Por isso, tem se tentado criar uma ‘barreira’ a partir do governo brasileiro e com ajuda de mais governos para impedir essa interferência.
Entre as ações realizadas estão o monitoramento do lobby estrangeiro e da desinformação, o combate a alegações falsas sobre fraude eleitoral e a busca do apoio de países da Europa, Ásia e outras regiões.
O NYT destaca que Trump não apoiou diretamente nenhum candidato, porém impulsionou a candidatura indiretamente de Flávio Bolsonaro.
Com receio da interferências nas eleições, missões diplomáticas da União Europeia, Canadá, Japão, Austrália e outros países estariam ‘realizando conversas informais sobre como responder conjuntamente após as eleições’. O texto cita três diplomatas estrangeiros de alto escalão.
Esses diplomatas disseram que os aliados provavelmente defenderão rapidamente a integridade da votação, independentemente de quem vencer. Apesar disso, há temor de confrontar os EUA.
Há cerca de um mês, o governo dos EUA rejeitou as alegações do Brasil de que estaria tentando interferir, mesmo tendo tentado enviar uma delegação americana neste verão para investigar a integridade eleitoral brasileira.
‘Autoridades brasileiras afirmaram que a ajuda americana poderia vir na forma de mais medidas para prejudicar a imagem de Lula. Trump usou sanções e ameaças de tarifas no ano passado, numa tentativa de salvar Jair Bolsonaro, pai de Flávio Bolsonaro, que tentou se manter no poder após alegar falsamente que a última eleição foi fraudada. A tentativa fracassou e ele foi condenado a 27 anos de prisão’.
‘Muitos também se preocupam com campanhas online vindas do exterior que podem estar ajudando Bolsonaro’, segue o texto.
A reportagem cita uma onda de publicações impulsionadas em redes sociais compartilhadas por contas da direita dos EUA, trazendo mercado de previsões e apostas, como Polymarket, que Flávio Bolsonaro teria mais chances de vencer, o que divergiria nas pesquisas que não mostram favoritos.
A inteligência brasileira teria passado a tornar prioridade máxima o combate à manipulação internacional pelas redes sociais.
Além disso, com receio da repercussão e pressão de Trump, o texto diz, as ‘autoridades iniciaram uma grande campanha, com direito a mascote, com o objetivo de fortalecer a confiança entre eleitores, diplomatas e observadores internacionais’.
O texto lembra que uma vitória de Bolsonaro reforçaria a tentativa de influência e controle de Trump sobre a América Latina com os aliados da direita.
‘De acordo com nossa nova estratégia de segurança nacional, o domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado’, afirmou o Departamento de Estado em um vídeo recente.
O NYT conversou com o ministro do STF, Gilmar Mendes, na qual afirmou haver maneiras ‘para nos defeder’.
‘Com todo o respeito, os Estados Unidos não têm lições a nos ensinar quando se trata de sistemas eleitorais’.
O New York Times comenta que caso Flávio perca ‘há indícios de que o candidato poderá lançar acusações semelhantes de fraude eleitoral’, como Trump já fez. E a expectativa é que o presidente americano apoie a iniciativa.

