18 de setembro de 2026
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Saneamento como motor da despoluição de rios e da proteção dos oceanos pauta debates na Rio Ocean Week


Especialistas da Águas do Rio detalharam como investimentos em infraestrutura recuperam a Baía de Guanabara e fortalecem a Economia Azul

A urgência de despoluir os rios urbanos e o impacto direto da infraestrutura sanitária na saúde dos mares ganharam o centro das discussões no Museu do Amanhã. O espaço sediou nesta quinta-feira (17) o primeiro dia do festival de sustentabilidade e cultura oceânica Rio Ocean Week. Para detalhar como os investimentos no estado vêm transformando esse cenário, o evento contou com a participação do diretor institucional da Águas do Rio, concessionária da Aegea, Sinval Andrade; e da gerente de Meio Ambiente da companhia, Caroline Lopes.

Abrindo a rodada de debates com o painel “Como manter o rumo em direção à universalização do saneamento” — que reuniu também o superintendente de Regulação de Saneamento Básico, Silvano Silvério da Costa, e Aline Matulja, do Instituto para Futuros Locais (Fulô) —, Sinval Andrade foi direto ao ponto: a preservação do oceano esbarra, necessariamente, na superação de décadas de déficit em infraestrutura. O diretor explicou que universalizar o serviço no Rio de Janeiro significa tanto recuperar estruturas antigas quanto construir redes do zero em locais onde o saneamento nunca existiu. Como resultado prático dessa atuação, a concessionária já evita que 136 milhões de litros de esgoto sejam despejados diariamente na Baía de Guanabara.

“Muitas pessoas acham que depois que damos a descarga, o problema está resolvido, mas a recuperação da natureza exige tratamento adequado. Aqui no Rio, nosso primeiro passo foi diagnosticar e revitalizar as estruturas existentes para construir um planejamento seguro e de longo prazo. Enquanto empresa da Aegea, estamos aplicando aqui o aprendizado de outras concessionárias do grupo em diferentes pontos do país. Nós encontramos aqui no Rio um ceticismo muito grande, mas com a implantação dos coletores em tempo seco, estamos vendo a Baía de Guanabara reviver. A partir dos resultados nas praias do Flamengo e da Glória, o descrédito dá lugar à confiança.”, afirmou o diretor institucional.

Essa dinâmica de que a poluição marinha tem origem no continente foi justamente o fio condutor da participação de Caroline Lopes. Durante o painel “Cidades e rios: do bueiro ao mar”, dividido com Rafael Santos, da Associação de Caranguejeiros e Amigos dos Mangues de Magé, e Silvana Gontijo, presidente da instituição planetapontocom, a gerente de Meio Ambiente explicou que o crescimento urbano desordenado exige soluções que vão além da engenharia tradicional. Para driblar essas barreiras, a concessionária tem aliado obras físicas a soluções baseadas na natureza. Um dos exemplos citados foi o projeto Mangue Alegria, que já retirou 450 toneladas de resíduos e plantou 20 mil mudas no ecossistema costeiro do Caju.

“Nossas cidades foram crescendo e, historicamente, a sociedade foi se condicionando a jogar nossos dejetos nos rios. Mas todo rio, no fim, é mar. Com as ações implantadas neles, diversas praias estão sendo devolvidas à nossa cidade e isso também beneficia toda uma cadeia econômica. Uma obra feita na Baixada Fluminense gera benefícios que ultrapassam o território e impede a poluição da baía como um todo. No Caju, estamos revitalizando uma área de mangue que, além de filtrar a poluição, protege as áreas próximas da Baía de Guanabara das inundações. Desta forma, caminhamos para recuperar o principal ecossistema do nosso estado.”, explicou Caroline.

A especialista também atuou como comentadora do documentário “Quanto Vale o Azul?”, que explora o potencial fluminense no setor, dividindo a mesa com Ricardo Gomes e Fernando Borensztein. Durante o debate, Caroline pontuou que a conservação ambiental e o desenvolvimento econômico devem caminhar juntos, destacando que a despoluição costeira viabilizada pelo saneamento é o grande pilar para impulsionar a Economia Azul, aquecendo o turismo sustentável e a pesca responsável.

Essa transformação apresentada durante o festival é resultado de R$ 6,4 bilhões investidos pela empresa desde o início da concessão. Na prática, os esforços ambientais se traduzem na formação de um grande cinturão de proteção formado por Coletores de Tempo Seco (CTS) no entorno da Baía de Guanabara, passando pela Zona Sul carioca, além de municípios da Baixada Fluminense e de São Gonçalo. Um dos reflexos mais emblemáticos dessa estratégia é a devolução da balneabilidade às praias do Flamengo e da Glória, comprovando que o saneamento é a ferramenta mais eficaz para a recuperação contínua dos ecossistemas costeiros.


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