Refugiada angolana é primeira a ter diploma técnico em Enfermagem revalidado pela Faetec
Depois de anos tentando voltar a exercer no Brasil a profissão que já desempenhava em Angola, Adneia Chimuco abriu um caminho até então inédito no Rio de Janeiro. A refugiada angolana é a primeira a concluir, na Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), o processo de requalificação necessário para a revalidação de um diploma técnico em Enfermagem obtido no exterior.
A trajetória foi acompanhada pela Coordenação de Políticas de Migração e Refúgio, da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos (SEDSODH), responsável pelo encaminhamento de Adneia à Faetec e pela articulação necessária para que o processo avançasse.
Há dez anos vivendo no Brasil sem retornar ao país de origem, Adneia decidiu construir sua vida por aqui, mas ainda enfrentava uma barreira importante: conseguir o reconhecimento da formação que já possuía para retomar sua trajetória profissional na área da Saúde.
— Um dos meus objetivos era voltar a trabalhar na área da Saúde, como técnica de Enfermagem. Todos os obstáculos que apareceram no caminho para conseguir revalidar meu diploma foram muito desafiadores, mas eu não me permiti desistir — contou.
Na Faetec, Adneia passou por etapas de seleção, avaliação e diagnóstico, com entrevistas e provas teóricas e práticas. Após a aprovação, cursou as complementações necessárias à formação brasileira, incluindo conteúdos de Legislação do Sistema Único de Saúde (SUS), Saúde Coletiva e Saúde Mental, além do período de estágio.
A conclusão desse percurso foi marcada por uma cerimônia realizada na Escola Técnica Estadual de Saúde Herbert José de Souza (ETESHJS/Faetec), em Quintino, na Zona Norte do Rio.
— Estou muito emocionada. Passa muita coisa pela minha cabeça e, principalmente, me sinto amada e cuidada. O apoio que recebi das professoras e da minha ex-companheira foi muito importante, porque, sem ela, talvez eu tivesse desistido — afirmou.
Novos caminhos
O reconhecimento da formação técnica não encerra a trajetória acadêmica de Adneia. Ela também foi aprovada para cursar a graduação em Enfermagem na Universidade Federal Fluminense (UFF).
Para Adneia, a conquista ganha ainda outro significado: mostrar a outros migrantes e refugiados que é possível reconstruir no Brasil uma trajetória profissional iniciada no país de origem.
— Espero que a minha história chegue até aquela menina que acaba de chegar ao Brasil, ou que já está aqui há algum tempo e não sabe o que fazer. Que ela tenha a coragem que eu tive de buscar e que, por mais que encontre “nãos” pelo caminho, não se deixe abater por eles — disse.
Caminho para outros migrantes e refugiados
O caso de Adneia também representa um avanço na construção de caminhos para o reconhecimento da formação profissional de migrantes e refugiados no estado.
A Coordenação de Políticas de Migração e Refúgio está autorizada a receber a documentação de migrantes e refugiados residentes no Rio de Janeiro que desejam solicitar a revalidação de diplomas de nível médio/técnico em Enfermagem.
— Muitos imigrantes e refugiados chegam ao Brasil já com formação e experiência de trabalho. Parte do nosso trabalho é garantir a inclusão dessas pessoas na nossa sociedade de maneira digna e, para isso, precisamos desenvolver mecanismos para acolher e validar seus saberes, suas práticas e vivências — afirmou Eliane Almeida, coordenadora de Políticas de Migração e Refúgio.
Os interessados podem encaminhar a documentação e solicitar mais informações pelo e-mail coord.migracao@sedsdh.rj.gov.br.

