10 de setembro de 2026
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Estado do Rio realiza primeiro transplante de intestino isolado

 
Procedimento amplia as possibilidades de tratamento para pacientes com falência intestinal grave

A equipe do Programa RJ Transplantes, da Secretaria de Estado de Saúde (SES-RJ), realizou a captação do órgão para o primeiro transplante de intestino no Estado do Rio. A cirurgia ocorreu no último sábado (05/09) e representa um avanço nesse tipo de assistência especializada.

Os profissionais captaram os intestinos grosso e delgado de um doador em unidade pública da Região Metropolitana. Os órgãos foram transplantados numa paciente de 40 anos, internada no Hospital Adventista Silvestre, única unidade habilitada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para realizar esse tipo de procedimento no estado.

O procedimento amplia as possibilidades de tratamento para pacientes com falência intestinal grave.  A realização desse transplante também consolida a estrutura do Rio de Janeiro para o atendimento de casos complexos, permitindo que pacientes que necessitam desse tipo de intervenção tenham acesso ao tratamento especializado dentro do estado.

Ao contrário do transplante multivisceral ou combinado (fígado-intestino),  a modalidade isolada substitui estritamente o trato intestinal comprometido, exigindo que o fígado do receptor esteja saudável e funcionando bem.

“O procedimento, que é considerado complexo, amplia a capacidade da rede pública fluminense para atender pacientes com falência intestinal. Hoje, eles conseguem ser tratados e reabilitados no Estado do Rio, não sendo mais necessária a transferência”, destaca o diretor do RJ Transplantes, Alan Melquíades.

O transplante multivisceral é indicado para casos complexos e envolve a substituição de múltiplos órgãos abdominais e não há pacientes aguardando pelo procedimento no estado. Atualmente, não existe uma fila exclusiva para transplante de intestino isolado no Rio de Janeiro.

Mais de 750 órgãos captados em 2026

De acordo com os dados do RJ Transplantes, até o dia 8 de setembro de 2026 foram captados no estado 372 rins, 161 fígados, 29 corações, 24 pulmões, 29 corações e um intestino.

O Estado do Rio de Janeiro ocupa, atualmente, o segundo lugar no país em autorização familiar para doação de órgãos, de acordo com o Registro Brasileiro de Transplantes. Mas há espaço para avançar. Neste mês de conscientização sobre a doação de órgãos, cresce o trabalho de acolhimento do RJ Transplantes junto às famílias doadoras. A taxa de negativa familiar para doação de órgãos no Rio de Janeiro, nos primeiros sete meses de 2026, está na casa de 38%.

“Trabalhamos diariamente para aumentar a taxa de autorização familiar. Estarmos no segundo lugar no Brasil é importante, mas podemos alcançar ainda mais e sermos, de fato, referência no país em relação à doação. Não há transplante sem doação e só temos a doação quando a família diz sim”, enfatiza o diretor-geral do RJ Transplantes.

Segundo o diretor, o trabalho de conscientização é fundamental para que as pessoas compreendam o processo de morte encefálica e estejam preparadas para conversar sobre a possibilidade de doação. As equipes responsáveis pela abordagem das famílias recebem treinamento permanente, mas a informação precisa chegar também à população.

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