8 de setembro de 2026
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Teresópolis realiza simulado de mesa para o enfrentamento do El Niño e fortalecimento de protocolos de respostas a desastres naturais

Exercício reuniu órgãos municipais, estaduais e federais, forças de segurança e concessionárias para testar fluxos de resposta, identificar capacidades operacionais e aprimorar a preparação do município para situações de emergência

A Secretaria Municipal de Defesa Civil de Teresópolis realizou nesta quinta, dia 3 de setembro, no Teatro Municipal, um Simulado de Mesa de Resposta a Eventos Extremos, reunindo representantes de órgãos municipais, estaduais e federais, forças de segurança,instituições de resposta e concessionárias responsáveis por serviços essenciais.

Conduzida pela secretária municipal de Defesa Civil, Tenente-coronel Mariana Antunes, a atividade integra as ações de preparação do município para o período 2026/2027 e teve como foco o fortalecimento da atuação integrada diante de situações de emergência edesastre, inclusive em cenários associados a eventos meteorológicos severos.

Dinâmica

Durante o exercício, foi apresentada aos participantes uma situação hipotética de desastre, construída para reproduzir desafios que poderiam ser enfrentados pelo município diante de uma ocorrência real. A partir desse cenário, cada instituição foi chamada a avaliar como atuaria diante da emergência, considerando suas atribuições, capacidade de mobilização, recursos disponíveis, necessidades de apoio e formas de articulação com os demais órgãos.

A dinâmica permitiu avaliar não apenas a capacidade individual de cada instituição, mas principalmente como os diferentes órgãos e serviços atuariam de forma integrada durante uma resposta real. Ao longo da atividade, foram identificadas capacidades, limitações, necessidades de apoio, fluxos de comunicação e eventuais gargalos operacionais, transformando o cenário hipotético em um exercício prático de tomada de decisão e coordenação interinstitucional.

Planejar antes da emergência

O simulado de mesa é uma ferramenta utilizada na gestão de riscos e desastres para testar planos, protocolos e processos de tomada de decisão em ambiente controlado, sem a necessidade de mobilização física de equipes e equipamentos para o campo.

Diferentemente de um exercício operacional, no qual viaturas, equipes e estruturas são efetivamente deslocadas, o simulado de mesa permite analisar previamente quem faz o quê, quando, como e com quais recursos diante de uma situação crítica.

Durante a atividade, foram discutidos aspectos relacionados ao alerta e monitoramento, mobilização institucional, comunicação entre os órgãos, atendimento à população, segurança, saúde, assistência social, infraestrutura, serviços essenciais, logística e emprego de recursos humanos e materiais.

A dinâmica permitiu ainda observar a resposta como um processo integrado, desde os primeiros sinais de agravamento do cenário e a adoção de medidas preventivas até uma eventual resposta ao desastre, estabilização da situação e início das ações de recuperação.

Comitê

Como desdobramento das ações de preparação, o município constituirá, em breve, um Comitê de Enfrentamento ao Fenômeno Climático El Niño, reunindo órgãos e setores da Administração Pública envolvidos na gestão de riscos e desastres.

O Comitê terá como objetivo fortalecer a articulação intersetorial, acompanhar a evolução do fenômeno e seus possíveis impactos no território, integrar o planejamento das ações preventivas e estabelecer estratégias conjuntas para a preparação e eventual resposta aos eventos extremos que possam atingir o município durante o período de influência do El Niño 2026/2027.

Estrutura de preparação do município

Durante o encontro, a Defesa Civil apresentou parte da estrutura preventiva e operacional que vem sendo consolidada em Teresópolis.

Entre os instrumentos destacados estão o mapeamento das áreas de risco, 36 rotas de fuga, 82 pontos de apoio, 26 pontos oficiais de pouso de aeronaves e 22 Núcleos Comunitários de Proteção e Defesa Civil (NUPDECs).

A estratégia é integrar essas estruturas ao planejamento dos diferentes órgãos para que, diante de uma emergência, as informações previamente levantadas possam auxiliar a tomada de decisão e reduzir o tempo necessário para a mobilização dos recursos.

Outro eixo apresentado foi o trabalho de mapeamento das capacidades e recursos disponíveis no município e nas instituições parceiras. O levantamento busca identificar previamente equipes, veículos, máquinas, equipamentos, estruturas, serviços especializados e demais recursos que possam ser empregados durante uma situação de emergência ou desastre.

A proposta é que o município conheça não apenas os riscos existentes no território, mas também sua capacidade real de resposta.

Instituições apresentam capacidades de mobilização

Ao longo do simulado, os representantes das instituições participantes apresentaram os recursos humanos, materiais, técnicos e operacionais que poderão ser disponibilizados conforme a natureza e a dimensão de uma eventual emergência.

Foram discutidas possibilidades de mobilização e reforço de efetivos, emprego de maquinário pesado, veículos especializados, equipes técnicas, estruturas de atendimento à população, equipamentos de energia emergencial, abastecimento de água, apoio logístico e outros recursos considerados estratégicos.

As concessionárias de serviços essenciais apresentaram seus protocolos internos de prontidão e possibilidades de reforço operacional diante de situações críticas, incluindo mobilização de equipes e disponibilização de recursos emergenciais, conforme a necessidade e suas respectivas atribuições.

Órgãos ligados à segurança pública, salvamento e atendimento pré-hospitalar também apresentaram suas capacidades de resposta e possibilidades de ampliação da mobilização diante do agravamento de um cenário.

No âmbito municipal, as secretarias demonstraram como diferentes áreas da Administração podem ser incorporadas à resposta. Profissionais de engenharia, urbanismo, meio ambiente, saúde, assistência social, segurança, infraestrutura e outras áreas podem desempenhar funções específicas dentro de uma operação coordenada.

Integração para reduzir o tempo de resposta

Um dos principais objetivos do exercício foi justamente evitar que essa articulação tenha início somente depois da ocorrência de um desastre.

Ao conhecer previamente as atribuições, capacidades, limitações e canais de comunicação de cada instituição, o município pode estabelecer fluxos mais claros e reduzir improvisações durante situações críticas.

O levantamento realizado durante o simulado também permite identificar eventuais gargalos operacionais, sobreposição de atribuições, necessidades de recursos, dificuldades de comunicação e pontos que precisam ser aperfeiçoados.

A integração interinstitucional é especialmente importante em desastres de maior magnitude, quando uma única instituição não dispõe, isoladamente, de todos os recursos necessários para atender simultaneamente às diferentes demandas da população e do território.

Nessas situações, a resposta depende da atuação coordenada de diferentes setores, envolvendo salvamento, segurança, saúde, assistência social, infraestrutura, meio ambiente, mobilidade, abastecimento, energia, comunicação, logística e outros serviços essenciais.

Aperfeiçoamento do Plano de Contingência

Além de testar a capacidade de articulação entre as instituições, a atividade serviu para confrontar procedimentos previstos no Plano de Contingência Municipal com situações hipotéticas que podem ocorrer durante uma emergência real.

A partir das discussões, a Defesa Civil poderá sistematizar os pontos levantados pelos participantes, identificar necessidades de ajustes nos protocolos e incorporar as informações sobre recursos e capacidades institucionais ao planejamento municipal.

O exercício, portanto, não se encerra com a realização do simulado. As informações produzidas passam a servir como subsídio para o aperfeiçoamento contínuo dos protocolos, fluxos de acionamento, planejamento operacional e mecanismos de coordenação interinstitucional.

A iniciativa reforça uma mudança importante na lógica da gestão de desastres: preparar estruturas, integrar instituições e definir responsabilidades antes que uma situação crítica aconteça.

Para Teresópolis, município historicamente exposto a riscos geológicos e hidrológicos e aos impactos de eventos meteorológicos extremos, o planejamento antecipado representa uma ferramenta fundamental para ampliar a capacidade de proteção da população.

Rede integrada de resposta

Participaram do simulado representantes das secretarias municipais de Meio Ambiente, de Obras e Serviços Públicos, de Segurança, de Assistência Social e Direitos Humanos e de Urbanismo; do Parque Nacional da Serra dos Órgãos, APA Petrópolis (ICMBio), Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), Enel, 16º Grupamento de Bombeiro Militar, Secretaria de Estado de Defesa Civil do Rio de Janeiro, Polícia Civil (PRPTC Teresópolis), Polícia Militar, Tiro de Guerra e Águas da Imperatriz, além da equipe técnica da Secretaria Municipal de Defesa Civil de Teresópolis.

A participação conjunta das instituições reforça o princípio de que a gestão de riscos e desastres é uma responsabilidade compartilhada e depende da articulação permanente entre poder público, forças de resposta, prestadores de serviços essenciais e comunidade.

Com a realização do simulado, Teresópolis avança na consolidação de uma rede integrada de preparação e resposta, buscando transformar informações sobre riscos, recursos disponíveis e responsabilidades institucionais em protocolos capazes de produzir respostas mais rápidas, coordenadas e eficazes para a população diante de uma situação real de emergência ou desastre.