Nepal resgata 2 trabalhadores de túnel 9 dias após avalanche
Equipes de resgate do Nepal encontraram com vida dois trabalhadores que estavam presos em um túnel de uma usina hidrelétrica nove dias após uma avalanche histórica que devastou o país, informaram autoridades nesta sexta-feira (4).
O primeiro sobrevivente foi retirado do túnel da usina hidrelétrica Trishul 3A durante uma operação conduzida pelo Exército nepalês. Pouco depois, um parlamentar do país afirmou que uma segunda pessoa também foi resgatada com vida.
Imagens compartilhadas pelo Exército mostraram um dos trabalhadores coberto de lama e sendo carregado nos ombros de um socorrista. Equipes médicas prestaram atendimento ainda no local do resgate e posteriormente os dois trabalhadores foram levados a um hospital em Katmandu.
“Não consigo explicar o que estamos sentindo neste momento. Estamos apenas gratos a Deus”, disse Amir Maharjan, irmão de um dos trabalhadores resgatados, à agência de notícias Associated Press (AP).
Autoridades acreditam que outras pessoas ainda possam estar vivas dentro do túnel, porque os socorristas afirmaram ter ouvido outras vozes. O ministro da Energia do Nepal, Biraj Bhakta Shrestha, afirmou à emissora britânica BBC esperar que mais resgates no local nas próximas horas.
Pelo menos 557 trabalhadores estão desaparecidos no Trishuli 3A, às margens do rio Trishuli. Cerca de 115 estariam presos no túnel principal, segundo a Associação Independente de Produtores de Energia do Nepal.
Uma avalanche histórica atingiu a fronteira do Nepal com o Tibete em 26 de agosto após o colapso de uma geleira de grande magnitude no topo do Himalaia, segundo autoridades. O desastre devastou cidades e vales em diversos locais da região, e deixou mais de 1.300 mortos e milhares de desaparecidos.
- No Nepal, 1.287 pessoas morreram e outras 5.083 estavam desaparecidas segundo balanço atualizado pelas autoridades nepalesas nesta sexta.
- Já no Tibete, autoridades chinesas atualizaram nesta sexta para 31 o número de mortos na região, e para 531 desaparecidos. Acredita-se que esses números, no entanto, estejam subnotificados pela censura imposta por Pequim.
As buscas continuam em áreas afetadas e em projetos de geração de energia. Autoridades locais estimam que cerca de 900 trabalhadores estejam desaparecidos em 12 usinas hidrelétricas. Desse total, aproximadamente 500 podem estar presos em túneis.
Além da tragédia humana, o desastre provocou danos bilionários. Segundo Dharma Raj Upreti, chefe da Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres, imóveis, moradias e obras de infraestrutura sofreram prejuízos estimados em pelo menos US$ 2,56 bilhões (387,5 bilhões de rúpias nepalesas).
O governo calcula ainda que os custos iniciais de recuperação nos primeiros quatro meses serão de cerca de US$ 52,6 milhões (7,95 bilhões de rúpias nepalesas). Os recursos deverão ser usados para reconstrução de estradas, instalação de abrigos temporários e restabelecimento dos serviços de água potável e energia elétrica.
Se aprovada, a estimativa colocará as enchentes entre os desastres naturais mais caros da história recente do Nepal.

