Japeri chega ao 7º lugar nacional em produção ambulatorial de Fisioterapia pelo SUS
Resultado aponta crescimento da assistência especializada e os efeitos da reorganização do serviço nos Centros Municipais de Especialidades
Japeri alcançou o 7º lugar entre os municípios brasileiros em valor aprovado de produção ambulatorial de Fisioterapia pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Segundo dados do DATASUS, referentes ao período de janeiro a maio de 2026, o município registrou R$ 1.013.746,79 em produção aprovada na área. O resultado coloca Japeri entre os dez municípios brasileiros com maior valor aprovado de produção ambulatorial de Fisioterapia no período analisado. Em agosto de 2025, o município ocupava a 10ª posição, representando um avanço de três posições no ranking.
Mais do que um número, o crescimento da produção acompanha mudanças na estrutura e na organização do atendimento oferecido à população. Atualmente, os serviços de Fisioterapia são realizados nos Centros Municipais de Especialidades (Cemes) de Japeri e de Engenheiro Pedreira, atendendo pacientes com diferentes necessidades de reabilitação, desde lesões ortopédicas até casos de recuperação após acidentes vasculares cerebrais (AVC).
De acordo com a coordenadora de Fisioterapia, Lívia Quintino, a assistência busca não apenas reduzir dores e limitações, mas também recuperar movimentos, fortalecer a musculatura e devolver aos pacientes autonomia para as atividades do dia a dia. “Eu costumo dizer que por trás dos números temos boas histórias de recuperação”, explica.
Nos equipamentos, a rotina envolve cerca de 30 a 40 pacientes atendidos por dia. Segundo o fisioterapeuta David Viannay, que acompanha casos com diferentes graus de comprometimento no Cemes de Japeri, cada evolução representa uma conquista que vai além dos indicadores de produção. “Temos pacientes com diferentes necessidades e cada um chega com uma realidade. O nosso objetivo é trabalhar para devolver a mobilidade, reduzir o comprometimento dos movimentos e, principalmente, proporcionar mais qualidade de vida. Quando o paciente começa a perceber a própria evolução, isso também fortalece a confiança dele no tratamento e na equipe”, disse.
Entre os pacientes está Carlos José da Silva, de 64 anos, que iniciou o tratamento no dia 20 de agosto após apresentar uma lesão no ombro. Com diagnóstico de tendinopatia, ele realiza sessões semanais e também recebe orientações para dar continuidade aos cuidados em casa. “Além do atendimento aqui, a gente recebe orientação para continuar o tratamento em casa. No meu caso, fui orientado a colocar gelo até a próxima sessão. É importante porque a gente percebe que o tratamento não termina quando saímos daqui”, conta Carlos.
Outro exemplo é Gelson da Silva Santos, de 56 anos, que realiza tratamento para recuperar os movimentos após uma sequela de AVC. Quando chegou ao serviço, não conseguia andar e precisava utilizar cadeira de rodas. Agora, já no segundo ciclo de tratamento, a evolução permitiu que retomasse atividades que pareciam distantes no início da reabilitação. “Cheguei na cadeira de rodas. Hoje estou dirigindo”, relata.
A recuperação também alcança pacientes que precisam retornar às atividades esportivas e de lazer. É o caso de Luciano William de Matos Baptista, de 30 anos, jogador de futebol amador que sofreu uma lesão do ligamento cruzado anterior (LCA) durante uma partida no campo do Guanabara. Afastado dos campos há cerca de sete meses, Luciano conta que já não sente dores e está na etapa de fortalecimento muscular. “Já estou sem dor e agora estou trabalhando o fortalecimento para poder voltar a jogar”, afirma.
Para David, histórias como as de Gelson, Carlos e Luciano mostram a dimensão humana que existe por trás dos números registrados pelo sistema de saúde. “Quando vemos um paciente que chegou sem conseguir andar e hoje está dirigindo, ou alguém que sofreu uma lesão e está conseguindo recuperar a força para voltar ao esporte, mostramos que esse resultado não está apenas na quantidade de atendimentos, mas também na qualidade e na atenção dada a cada caso. O novo ranking nos dá muito orgulho, porque tem a ver com uma resposta mais rápida a cada paciente e com a diminuição do tempo de espera. Mas a qualidade também nos deixa muito satisfeitos”, destaca.
Reorganização do serviço ampliou a capacidade de atendimento
O crescimento da produção é resultado de um processo de reestruturação da assistência fisioterapêutica iniciado em 2025. Naquele período, o serviço tinha cerca de 1.100 pacientes na fila, com espera que chegava a 730 dias para casos crônicos, e produção mensal de aproximadamente 600 atendimentos.
A partir de fevereiro de 2025, a Secretaria Municipal de Saúde adotou medidas como informatização da regulação, canal direto com os pacientes, implantação de protocolos clínicos, reorganização dos fluxos e contratação de novos profissionais. Com as mudanças, a produção chegou a aproximadamente 1.600 atendimentos mensais, enquanto o tempo médio de espera para pacientes crônicos caiu para cerca de 60 dias. Em julho de 2026, foram registrados 2.053 atendimentos/procedimentos de Fisioterapia.
Para Lívia Quintino, os resultados refletem o impacto da reorganização. “O planejamento iniciado em 2025 permitiu organizar melhor a demanda, aprimorar os fluxos e ampliar a capacidade de atendimento, sempre com o objetivo de garantir ao paciente acesso ao tratamento de que precisa. A 7ª colocação é resultado do trabalho de uma equipe competente, comprometida e dedicada à população”, afirma.
Segundo a coordenadora, o reconhecimento também está nas histórias dos pacientes. “Essa conquista nos enche de orgulho e reforça que, por trás de cada número, existe um paciente que precisa ser acolhido e bem atendido. Ver a evolução dessas pessoas nos motiva a continuar avançando e buscando cada vez mais melhorias para o serviço”, completa.
Para o secretário municipal de Saúde, Dr. Roberto Pontes, o resultado mostra que planejamento e estrutura se refletem diretamente na assistência. “Estar entre os dez primeiros municípios do país em produção aprovada de Fisioterapia demonstra o compromisso da gestão com a melhoria dos serviços e com o atendimento às necessidades da população. Mas, principalmente, mostra que os investimentos em organização, estrutura e equipe estão se transformando em atendimento para quem precisa”, comemora.
A posição de Japeri é calculada a partir dos dados registrados no Sistema de Informações Ambulatoriais do SUS (SIA/SUS) e consolidados pelo DATASUS, considerando o valor aprovado dos procedimentos de Fisioterapia no período analisado. O indicador mede a produção ambulatorial registrada e aprovada, e não representa uma avaliação de qualidade clínica ou um ranking dos melhores serviços do país.

