Nova Iguaçu inicia construção de plano para enfrentar impactos das mudanças climáticas em parceria com o Onu-Habitat
Nova Iguaçu começou a construir um plano para definir ações de prevenção e adaptação aos impactos das mudanças climáticas no município. A elaboração do Plano Local de Ação Climática (PLAC) teve mais uma etapa nesta sexta-feira (28), com uma oficina participativa que reuniu representantes do poder público e da sociedade civil para identificar vulnerabilidades, desafios e os principais fenômenos climáticos que afetam a cidade.
O encontro aconteceu no auditório do Instituto de Previdência dos Servidores Municipais de Nova Iguaçu (Previni) e contou com mais de 70 participantes. Entre os temas discutidos esteve a ocorrência de inundações, considerada uma das prioridades para o município. As contribuições apresentadas vão integrar o diagnóstico climático e ajudarão a definir as medidas que poderão fazer parte do PLAC.
A atividade faz parte do Programa Ambiente Resiliente, da Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade do Governo do Rio de Janeiro, em parceria com o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat). A iniciativa busca apoiar os municípios na construção de estratégias para reduzir os impactos das mudanças climáticas e aumentar a resiliência dos territórios.
“Conhecemos os impactos dos eventos climáticos e sabemos que precisamos estar cada vez mais preparados. Este plano é importante porque nos permite pensar ações de prevenção, ouvir quem vive os problemas no dia a dia e construir políticas públicas capazes de tornar a cidade mais resiliente”, afirmou o prefeito Dudu Reina.
Durante a oficina, representantes do poder público e da sociedade civil identificaram vulnerabilidades, desafios e fenômenos climáticos prioritários para Nova Iguaçu. As contribuições vão subsidiar o diagnóstico climático municipal e a próxima etapa do trabalho, prevista inicialmente para novembro, quando serão discutidas e priorizadas as ações que poderão integrar o PLAC. A conclusão do plano está prevista para 2027.
O secretário municipal de Agricultura e Meio Ambiente, Edgar Martins, destacou a importância da participação popular e da transformação das discussões em medidas concretas.
“A participação da sociedade civil é enriquecedora e fundamental para ajudar o poder público a planejar, tomar decisões e construir ações mais qualificadas para a população. Esta oficina é uma oportunidade de transformar o debate em resultado. Não podemos ficar apenas criando e revisando planos: é preciso tirar as ações do papel. Queremos que, nos próximos anos, possamos comemorar a resiliência da nossa população, o reflorestamento e políticas públicas capazes de reduzir os impactos das enchentes.”
Para o secretário municipal de Defesa Civil, Jorge Ribeiro Lopes, ouvir os moradores é essencial para aperfeiçoar as estratégias de prevenção e resposta aos eventos climáticos.
“Ouvindo o cidadão e sua percepção sobre os fenômenos, teremos mais assertividade para traçar nossas estratégias.”
Segundo ele, as contribuições apresentadas durante a oficina poderão inclusive influenciar medidas já adotadas pelo município.
“É provável que essa reunião gere mudanças na estratégia já usada no plano de contingência, a partir da escuta de quem vive os impactos climáticos.”
Trabalho conjunto
Nova Iguaçu foi um dos 34 municípios selecionados em todo o estado para participar da iniciativa. De acordo com a analista de programas da ONU-Habitat, Tatiane Brasil, o trabalho combina informações técnicas com a participação da população.
“A gente vem aos municípios primeiro para coletar informações, mas também para ouvir a população.”
A metodologia utilizada, denominada CityRAP, será aplicada para apoiar o diagnóstico e a definição de estratégias de adaptação climática. Entre os fenômenos discutidos durante a oficina esteve a inundação, considerada uma das prioridades para o município.
“A oficina trabalha os fenômenos prioritários, como a inundação, e começa a propor soluções para incorporar ao PLAC.”
A segunda oficina, prevista inicialmente para novembro, será dedicada à priorização das ações. O plano deverá envolver diferentes setores da administração municipal, como Agricultura e Meio Ambiente, Saúde, Educação e Defesa Civil, além da sociedade civil.
A parceria entre Nova Iguaçu e o ONU-Habitat foi formalizada em março, por meio do projeto Rio Inclusivo e Sustentável, conduzido pelo Governo do Estado. A iniciativa tem duração prevista de um ano nesta primeira fase e busca construir soluções para os desafios relacionados às emergências climáticas.

