26 de julho de 2026
InternacionalNotíciasNotícias 24hs

Incêndios florestais forçam saída de 330 mil pessoas na França e Espanha

Cerca de 330 mil pessoas foram obrigadas a deixar suas casas e locais de hospedagem por causa dos incêndios florestais que atingem a França e a Espanha desde a última quarta-feira (22).

As chamas, alimentadas por altas temperaturas, ventos fortes e seca prolongada, já consumiram dezenas de milhares de hectares e mobilizam milhares de bombeiros e militares nos dois países.

Na França, os incêndios já queimaram 42 mil hectares, em uma das maiores áreas devastadas por fogo no país desde a Segunda Guerra Mundial.

Em mensagem nas redes sociais, o presidente francês, Emmanuel Macron, prometeu reconstruir as áreas devastadas e afirmou que o governo francês permanecerá ao lado das vítimas “pelo tempo que for necessário”.

Na Espanha, o primeiro-ministro Pedro Sánchez disse que a prioridade é salvar vidas e alertou que o avanço dos incêndios ainda depende da evolução dos ventos. Confira mais informações abaixo:

Situação na França

Na França, o cenário mais crítico é registrado no sudoeste do país, especialmente nos arredores de Gironde e Landes, onde o fogo avança em direção à região de Bordeaux.

Até o momento, julho registra temperaturas máximas médias de 32,2 °C nas regiões atingidas pelos incêndios. Segundo dados do Reuters Climate Monitor, a média está 7,3 °C acima da marca histórica para o mês entre 1961 e 1990.

Na noite de sábado (25), cerca de 55 mil pessoas foram evacuadas de vilarejos ao sul de Bordeaux, na região de Gironde. Com isso, o número de pessoas retiradas do sudoeste da França ultrapassou 220 mil, segundo informações divulgadas pela BBC.

O prefeito de Bordeaux, Thomas Cazenave, afirmou neste domingo (26) que o incêndio estava a cerca de 15 km dos arredores da região metropolitana da cidade e entre 25 km e 30 km do centro, mas descartou, por enquanto, a possibilidade de uma evacuação de Bordeaux.

As chamas já destruíram pelo menos 42 mil hectares — área equivalente a cerca de quatro vezes o território de Paris — e centenas de imóveis.

O governo francês mobilizou milhares de bombeiros, militares e aeronaves, incluindo um avião cargueiro A400M adaptado para lançar retardante de fogo. Ao todo, 1.500 militares foram deslocados para apoiar as saídas forçadas e proteger residências deixadas para trás.

Segundo a BBC, Macron deve convocar uma reunião de emergência com ministros diante da escalada dos incêndios, que já somam cerca de 30 focos ativos em todo o país e são considerados pelo governo uma crise sem precedentes.

“Reconstruiremos, repararemos e estaremos presentes por todo o tempo que for necessário” nas áreas mais afetadas, afirmou o presidente Emmanuel Macron em publicação neste sábado no X.

Incêndios na Espanha
Integrantes da Unidade Militar de Emergências (UME) da Espanha e bombeiros da região de Castela e Leão combatem um incêndio em uma área florestal próxima ao bairro residencial de La Atalaya, em El Tiemblo, a 80 km a oeste de Madri, em 25 de julho de 2026, em meio aos incêndios florestais que já consumiram até 25 mil hectares. — Foto: CESAR MANSO/AFP
Integrantes da Unidade Militar de Emergências (UME) da Espanha e bombeiros da região de Castela e Leão combatem um incêndio em uma área florestal próxima ao bairro residencial de La Atalaya, em El Tiemblo, a 80 km a oeste de Madri, em 25 de julho de 2026, em meio aos incêndios florestais que já consumiram até 25 mil hectares. — Foto: CESAR MANSO/AFP

Na Espanha, os maiores focos estão concentrados nos arredores de Madri, onde incêndios florestais que começaram separadamente acabaram se unindo.

Desde o início da crise, quase 60 mil pessoas já saíram das regiões de Madri e Ávila, enquanto outras 28 mil permanecem confinadas em suas casas, segundo o Ministério do Interior espanhol.

O governo espanhol decretou, pela primeira vez, estado de emergência nacional por causa dos incêndios florestais.

O governo regional de Madri informou que mais de 2 mil pessoas recebem atendimento em 14 centros de emergência.

A Unidade Militar de Emergências (UME) atua com cerca de 1.200 militares e 400 veículos no combate aos incêndios nas regiões de Madri, Ávila e Valência.

Além das equipes nacionais, a União Europeia enviou 11 aviões e helicópteros da frota europeia de combate a incêndios para apoiar França e Espanha, informou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

‘Horas difíceis estão por vir’

Em visita ao posto de comando em Ávila, na manhã deste domingo (25), o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que a prioridade do governo é preservar vidas.

Apesar de avaliar que a última noite trouxe avanços no controle das chamas, ele alertou que o país ainda enfrenta “horas difíceis” e que a evolução dos ventos segue sendo um fator de preocupação para as equipes de combate ao fogo.

Sánchez também relacionou os incêndios à emergência climática. Segundo ele, Espanha e Portugal vêm sofrendo os efeitos do fenômeno por meio de eventos extremos, como incêndios florestais, tempestades e fortes nevascas.

“Toda a Península Ibérica está sofrendo os efeitos da emergência climática de uma forma muito específica”, afirmou em entrevista ao The Guardian.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *