Quais são os sintomas da febre maculosa?
Após morte por febre maculosa em São Bernardo, especialista alerta para a importância do diagnóstico precoce
A confirmação da morte de uma mulher de 43 anos por febre maculosa em São Bernardo do Campo reacendeu o alerta para uma das doenças infecciosas mais graves transmitidas por carrapatos no estado de São Paulo. O caso ocorreu em março, mas foi confirmado pela prefeitura nesta semana, após a conclusão da investigação epidemiológica. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP), São Paulo já registra 18 casos confirmados e 17 óbitos pela doença em 2026 — uma taxa de letalidade muito acima da média histórica, embora em número absoluto de casos inferior ao mesmo período de 2025, quando o estado somou 61 casos e 44 óbitos.
De acordo com Simone Sena, infectologista do dr.consulta, o principal desafio é reconhecer rapidamente os sintomas e iniciar o tratamento o quanto antes, já que a febre maculosa pode evoluir de forma acelerada e apresentar alta taxa de letalidade quando não tratada precocemente. Por se tratar de doença de notificação compulsória, todo caso suspeito também deve ser comunicado imediatamente à vigilância epidemiológica, o que ajuda a mapear áreas de risco e agilizar a resposta.
“A febre maculosa costuma começar de forma muito semelhante a outras infecções, como dengue, gripe ou viroses, o que pode atrasar o diagnóstico. Sempre que houver febre alta de início súbito associada a histórico de exposição a áreas de mata, parques, trilhas ou locais com presença de carrapatos, é importante procurar atendimento médico imediatamente”, explica a especialista.
Como ocorre a transmissão
A febre maculosa brasileira é causada pela bactéria Rickettsia rickettsii, transmitida principalmente pela picada de carrapatos infectados do gênero Amblyomma, popularmente conhecidos como carrapato-estrela, carrapato-de-cavalo ou rodoleiro. Quanto mais tempo o carrapato permanece fixado na pele, maior o risco de transmissão da bactéria. A remoção rápida do parasita é uma medida importante para reduzir o risco de infecção.
Animais como capivaras, cavalos, gambás e cães podem carregar carrapatos infectados e ajudar a manter o ciclo de transmissão no ambiente, embora não transmitam a doença diretamente às pessoas.
Conheça os sintomas
Entre os primeiros sinais da doença estão febre alta, dor de cabeça intensa, dores musculares, mal-estar, náuseas, vômitos e dor abdominal. Em parte dos pacientes, surgem manchas avermelhadas na pele, tipicamente a partir do terceiro ao quinto dia de doença, começando nos punhos e tornozelos e podendo se espalhar para o restante do corpo, incluindo palmas das mãos e plantas dos pés — mas esse sintoma nem sempre aparece, especialmente nas fases iniciais, o que dificulta o reconhecimento da doença.
“O tratamento não deve aguardar a confirmação laboratorial quando há forte suspeita clínica. Embora os sintomas sejam inespecíficos nas primeiras horas, o tempo faz toda a diferença. O antibiótico deve ser iniciado, idealmente, ainda nos primeiros cinco dias de sintomas, pois a eficácia do tratamento cai depois disso. Quanto mais cedo ele começa, maiores são as chances de recuperação e menor o risco de complicações graves”, afirma Sena.
A doxiciclina é o antibiótico de escolha para todos os casos suspeitos, independentemente da idade do paciente, inclusive crianças, e da gravidade do quadro. O cloranfenicol é reservado como alternativa quando a doxiciclina não pode ser utilizada.
Como se prevenir
A infectologista orienta alguns cuidados simples para diminuir o risco de exposição:
utilizar calças compridas, botas e roupas de cores claras em áreas de mata ou vegetação;
aplicar repelentes quando indicado;
evitar permanecer sentado ou deitado na grama em locais com presença de carrapatos;
examinar cuidadosamente o corpo e as roupas após passeios em áreas de risco;
verificar também a presença de carrapatos em animais de estimação que frequentam esses ambientes.
Caso um carrapato seja encontrado aderido à pele, a recomendação é removê-lo o quanto antes com uma pinça de ponta fina, puxando-o delicadamente e de forma firme, o mais próximo possível da pele, evitando esmagá-lo ou usar as unhas.
“Quem apresentar febre ou outros sintomas nos dias seguintes à exposição deve informar ao médico sobre o contato com áreas de risco ou com carrapatos. Essa informação pode ser decisiva para o diagnóstico precoce”, conclui Simone.

