30 de junho de 2026
NotíciasRio-EstadoRio-Governo

Gordura visceral: o perigo invisível que ameaça pacientes com lipodistrofia

Mesmo sem obesidade aparente, gordura ao redor dos órgãos aumenta risco de diabetes, doenças cardiovasculares e alterações metabólicas; Instituto Estadual oferece tratamento

A gordura visceral é considerada uma das formas mais perigosas de acúmulo de gordura no organismo. Mas diferentemente da gordura subcutânea, que fica localizada logo abaixo da pele, ela se instala ao redor de órgãos importantes, principalmente na região abdominal, ficando escondida e favorecendo o desenvolvimento de doenças metabólicas e cardiovasculares.

A dona de casa Fabiana Cesário, de 48 anos, moradora do Engenho da Rainha, descobriu a gordura visceral durante o acompanhamento para diabetes no Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (Iede), unidade da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ). “Eu não sabia nada sobre gordura visceral. Foi durante o tratamento que os médicos solicitaram exames e identificaram o problema”, relata.

O tema ganha ainda mais relevância quando observado sob a ótica da lipodistrofia, condição caracterizada pela distribuição anormal da gordura corporal. Nesses pacientes, a gordura deixa de ser armazenada adequadamente no tecido subcutâneo e pode se acumular em locais inadequados, como fígado, músculos e cavidade abdominal, aumentando o risco de complicações graves mesmo em pessoas que não apresentam obesidade.

A médica endocrinologista Cynthia Valério, do Iede, explica que a gordura visceral é resultado de uma combinação entre predisposição genética e fatores relacionados ao estilo de vida. “Quando a pessoa consome mais energia do que gasta, o esperado é que essa gordura seja armazenada abaixo da pele. Algumas pessoas, porém, têm uma predisposição genética para acumular gordura ao redor dos órgãos, dentro da cavidade abdominal. Essa gordura tem um potencial muito maior de provocar alterações metabólicas”, afirma.

Segundo a especialista, o principal problema está justamente na localização da gordura. Enquanto o tecido subcutâneo exerce uma função de reserva energética relativamente segura, a gordura visceral interfere diretamente no funcionamento do organismo. “Ela está associada ao aumento da glicose, resistência à insulina, pré-diabetes, diabetes, elevação dos triglicerídeos e redução do colesterol bom. Tudo isso aumenta o risco de doenças cardiovasculares”, explica.

Outro fator que preocupa é o fato de a gordura visceral ser considerada uma gordura “invisível”. Uma pessoa pode apresentar peso normal e aparência saudável, mas ainda assim possuir grande quantidade de gordura acumulada ao redor dos órgãos. “Não é apenas a quantidade de gordura que importa, mas onde ela está localizada. Existem pessoas magras que apresentam um risco metabólico semelhante ao de indivíduos com obesidade justamente por causa dessa distribuição inadequada”, destaca a médica.

A circunferência abdominal é um dos principais indicadores de alerta. Medidas acima de 88 centímetros em mulheres e 102 centímetros em homens já sugerem maior risco metabólico. Alterações nos exames de glicose, colesterol e triglicerídeos também podem indicar a presença do problema.

A situação merece atenção especial em mulheres no climatério e na menopausa. Com a redução dos níveis de estrogênio, ocorre uma redistribuição da gordura corporal, favorecendo o acúmulo na região abdominal. “Muitas vezes não há ganho de peso significativo. O que acontece é uma mudança na distribuição da gordura, que passa a se concentrar mais na região abdominal, aumentando o risco de doenças futuras”, alerta a endocrinologista.

A partir do diagnóstico, Fabiana precisou rever hábitos alimentares e incluir atividade física na rotina. “Foi difícil mudar a alimentação, diminuir refrigerante, açúcar e carboidratos. Mas comecei a consumir mais fibras, verduras e a caminhar regularmente. Hoje me sinto muito mais disposta e durmo melhor”, conta.

A experiência serviu de alerta. “Muita gente pensa que está bem porque não tem barriga grande. Mas a gordura visceral é silenciosa. Ela pode afetar o coração, a pressão arterial e o fígado sem que a pessoa perceba. Descobrir cedo faz toda a diferença.”

Os especialistas reforçam que a prevenção continua sendo a principal estratégia contra a gordura visceral. Alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos, sono adequado, controle do estresse e acompanhamento médico periódico são fundamentais para reduzir os riscos.

“O diagnóstico precoce é a melhor ferramenta. Quanto mais cedo identificarmos alterações metabólicas e acúmulo de gordura visceral, maiores são as chances de evitar complicações futuras”, conclui a endocrinologista.

Mudança de hábitos

A partir do diagnóstico no Iede, Fabiana precisou rever hábitos alimentares e incluir atividade física na rotina. As mudanças, segundo ela, trouxeram benefícios que vão além do controle da doença. “Foi difícil mudar a alimentação, diminuir refrigerante, açúcar e carboidratos. Mas comecei a consumir mais fibras, verduras e a caminhar regularmente. Hoje me sinto muito mais disposta e durmo melhor”, conta.

A experiência serviu de alerta. “Muita gente pensa que está bem porque não tem barriga grande. Mas a gordura visceral é silenciosa. Ela pode afetar o coração, a pressão arterial e o fígado sem que a pessoa perceba. Descobrir cedo faz toda a diferença.”

Os especialistas reforçam que a prevenção continua sendo a principal estratégia contra a gordura visceral. Alimentação equilibrada, prática regular de exercícios físicos, sono adequado, controle do estresse e acompanhamento médico periódico são fundamentais para reduzir os riscos.

“O diagnóstico precoce é a melhor ferramenta. Quanto mais cedo identificarmos alterações metabólicas e acúmulo de gordura visceral, maiores são as chances de evitar complicações futuras”, conclui a endocrinologista.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *