19 de junho de 2026
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Dia do cinema brasileiro: Avant-première desta semana é no Palácio Tiradentes

A Diretoria de Cultura da Alerj lança roteiro de visitação baseado no Sétima Arte nesta sexta-feira, em comemoração à data.

Foram muitas produções cinematográficas que o Palácio Tiradentes, sede histórica da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), abrigou nos últimos anos. A Diretoria de Cultura da Casa listou mais de 25 produções de áudio visual, entre filmes, séries, novelas e documentários realizados nos últimos 25 anos. De olho nessa realidade, a equipe do Palácio montou um roteiro de visitação que contará a história das produções que fizeram do Tiradentes um verdadeiro blockbuster na cenografia nacional.

A visita guiada focada no cinema acontecerá nesta sexta-feira (19) durante todo o dia, das 10h às 17h. Ali o visitante poderá conferir cenários que contam a história do Brasil, como a manifestação nas escadarias, ocorrida após o assassinato de Ângela Diniz. Esta cena, reproduzida na série “Ângela Diniz: Assassinada e Condenada” com o slogan “Quem ama não mata”, foi um dos primeiros gritos feministas do Brasil. Já a série “Santos Dumont” utilizou a cabine de voto secreto para representar o telefonema do pai da aviação para o presidente Epitácio Pessoa. É neste momento que os guias aproveitam para contar o verdadeiro uso do local e explicar que a Alerj foi pioneira, entre as casas legislativas do país, a utilizar a votação secreta.

Para a diretora de Cultura da Alerj, Fernanda Figueiredo, transformar o Palácio em cenário de cinema ajuda a valorizar o cinema nacional e traz benefícios ao patrimônio. “O cinema aproxima a população dos fatos históricos, homenageá-lo também é uma das funções do Parlamento. E as gravações realizadas despertam o interesse das pessoas, que passam a valorizar o patrimônio cultural, ampliando o alcance e a visibilidade deste importante monumento da história brasileira. A elaboração deste roteiro tem esse objetivo”, disse Fernanda.

O presidente da Frente Parlamentar de Fomento ao Audiovisual da Alerj, deputado estadual Munir Neto (SDD), afirma que o Palácio Tiradentes é um cenário vivo, por isso o Dia do Cinema merece ser comemorado por ali. Munir lembra a grande comemoração realizada há três anos pela Frente, quando cineastas, diretores, atores, empresários e autoridades participaram de uma Sessão Solene histórica. “Homenageamos a grande atriz Zezé Mota, os produtores Luiz Carlos Barreto e Lucy Barreto, e o distribuidor Bruno Wainer pelo legado que construíram para o cinema brasileiro”, recorda.

Munir Neto reafirma que a Alerj faz um importante trabalho mantendo o Palácio restaurado e aberto para estudantes e turistas de todo o mundo. “Com isso, a instituição fomenta a educação, o turismo e o desenvolvimento sociocultural do nosso estado. No seu centenário, o Palácio Tiradentes prova que os melhores cenários são aqueles que celebram as obras que o nosso povo escreve”, acrescentou.

A opinião do deputado é compartilhada por nada menos do que Barretão, um verdadeiro ícone do cinema nacional. “É no tempo livre em que o ser humano forma a consciência, o conhecimento e a visão de mundo. A produção cultural é um dever de cada governo. A cultura liberta o imaginário do ser humano”, disse o cineasta Luiz Carlos Barreto, durante o evento.

Para o crítico de cinema Ricardo Cota, um dos curadores do Festival do Rio, quando o cinema cresce, ele leva junto consigo os patrimônios que servem de cenários. “O Palácio Tiradentes foi cenário de muitas produções pelo valor histórico que ele tem. E o registro cinematográfico ajuda a preservar a história e a memória destes monumentos”, disse Cota, que também é curador de festivais internacionais.

Relembre os filmes que atravessaram as escadarias do Tiradentes

O Coordenador das Visitas Guiadas da Alerj, Fernando Ebert, afirma que o espaço mais procurado para as filmagens é o Plenário, mas outras áreas como o salão nobre e a biblioteca também já brilharam em várias produções. “Em muitos casos, o próprio Palácio assume o seu papel histórico, como ocorreu nas filmagens de Getúlio (filme de 2014), enquanto em outras obras, como “Tropa de Elite 2″, ele é utilizado como cenário para compor a narrativa. Essa diversidade de utilizações reafirma o Palácio Tiradentes não apenas como um monumento histórico, mas como um protagonista vivo e em constante diálogo com a cultura brasileira”, constatou.

Além dos blockbusters citados acima, o Palácio abrigou a gravação de “Arcanjo Renegado”, considerada a série original mais vista da história da Globo e do Globoplay. E, para mostrar que o Palácio atravessa fronteiras, há registros de que ninguém menos do que Sylvester Stallone passou por ali. “Os Mercenários”, filme estrelado e dirigido pelo eterno Rocky Balboa, teria usado o saguão de entrada, o salão nobre e os corredores laterais do palácio como cenário em 2009.

São muitas histórias passadas e muitas ainda por vir. A diretora Fernanda Figueiredo informa que, em breve, chegarão para a população a cinebiografia de Carolina de Jesus, “Quarto de Despejo”, baseada no livro que reproduz os diários da escritora brasileira, além de “Ricos de Amor 2”, de Bruno Garotti; “Perdida”, de Luiza Schelling Tubaldini; e “Cidade de Deus: a série parte 2”. Todas filmadas no Tiradentes.

“A lista de produções é infinita, e temos o maior prazer em recebê-los. Entretanto, acima de qualquer atividade realizada em suas dependências, está o compromisso com a preservação do patrimônio público. Todas as produções audiovisuais que utilizam o Palácio Tiradentes seguem rigorosos protocolos de conservação, elaborados para garantir a integridade física e histórica do edifício”, finaliza Fernanda Figueiredo.

Para filmar no Palácio, é preciso enviar um e-mail para o departamento de cultura (cultura@alerj.rj.gov.br) solicitando o espaço. Já para participar da visita, com este roteiro recheado de cenas e história, é só chegar lá nesta sexta-feira. A expectativa é de que venha mais um recorde de bilheteria.