Dia de Santo Antônio reúne fiéis em celebração marcada por fé e tradição
Entre orações, promessas e demonstrações de devoção que atravessam gerações, o Dia de Santo Antônio, celebrado neste sábado (13), reúne milhares de fiéis em uma das tradições religiosas mais populares do país. Na Paróquia Santo Antônio, no bairro Covanca, em São Gonçalo, na Região Metropolitana, ao longo do dia terão missas às 7h, 9h, 11h e 13h, além da tradicional distribuição de pães e bolos, um dos momentos mais aguardados da celebração.
A comunicadora Karen Barboza, 27 anos, nasceu no dia de Santo Antônio e, por isso, mantém uma relação especial de devoção com o santo desde a infância. Todos os anos, ela faz questão de ir à igreja para agradecer pelas bênçãos recebidas. Segundo a jovem, essa tradição foi passada pela mãe dela.
“Quando eu era criança, minha mãe sempre colocava um santinho de Santo Antônio pendurado na minha roupa no dia do meu aniversário. Foi ela também quem me passou o costume de ir à igreja, pelo menos para agradecer nesse dia, porque não é uma data qualquer. É o dia de Santo Antônio. Eu sinto como se ele fosse meu padroeiro, como se me abençoasse e me guiasse”, conta a jovem, que encontrou a medalhinha do santo em um pedaço de bolo apenas uma vez.
“No dia, eu costumo ir à igreja para agradecer e tento pegar um pedaço de bolo no fim da celebração, mas é muito difícil, porque a procura é grande. Acho que só consegui pegar o bolo duas ou três vezes. No último ano, consegui apenas o pãozinho. Tenho o costume de colocá-lo no armário ou junto com o arroz para trazer fartura. Já a medalhinha no bolo eu encontrei somente uma vez, em 2024”, lembra.
O padre Fabiano, da Paróquia Santo Antônio, explica que os momentos mais aguardados da programação são as celebrações realizadas no Dia dos Namorados e no dia dedicado ao santo. “Os fiéis costumam relacionar o Dia dos Namorados a Santo Antônio por causa da sua fama de santo casamenteiro. Existe uma tradição que conta a história de uma jovem que não tinha recursos para custear o casamento. Após pedir a intercessão de Santo Antônio, ela recebeu a ajuda necessária para realizar a cerimônia. Por isso, muitas pessoas recorrem ao santo para pedir auxílio na vida amorosa e matrimonial”, explica.
O significado da distribuição dos pães e do bolo de Santo Antônio também está ligado à história de solidariedade do religioso. Segundo a tradição católica, Santo Antônio era conhecido pela generosidade e por ajudar os mais pobres.
“Santo Antônio auxiliou muitas pessoas necessitadas. Conta-se que, em certa ocasião, os frades ficaram sem alimentos no convento. Ele então rezou a Deus e aconteceu o milagre da multiplicação dos pães. Por isso, existe essa relação entre os pães abençoados e a fartura. Já a medalhinha no bolo surgiu como uma devoção popular associada ao desejo de encontrar um casamento. Hoje, muitas famílias mantêm o costume de guardar o pão abençoado na despensa para que nunca falte o necessário para o sustento do lar”, conta.
O padre destaca ainda o papel fundamental da comunidade na realização da festa: “Sem a participação da comunidade, a festa não seria possível. Ao longo de vários meses, equipes de diferentes pastorais trabalham na organização de toda a programação. É um trabalho cansativo, mas extremamente gratificante, feito por amor a Deus, a Santo Antônio e à nossa paróquia”.
Segundo o religioso, a devoção ao santo cresce a cada ano. “Santo Antônio é um santo mundialmente conhecido, muito popular. Essa devoção é forte e aumenta a cada ano. Sempre me impressiona a quantidade de pessoas que participam dos nossos festejos”, observa.
Além da distribuição dos bolos e pães, a paróquia também disponibiliza uma urna para pedidos de oração. “Após o encerramento da festa, eu recolho todos os pedidos e celebro uma missa especialmente por essas intenções. Os pedidos mais frequentes são pela família, pela saúde e pelo emprego”, diz.
Quem foi Santo Antônio
Um dos santos mais populares da Igreja Católica, Santo Antônio nasceu em Lisboa, Portugal, em uma família nobre, por volta de 1195, e foi batizado com o nome de Fernando de Bulhões. Ele faleceu em 13 de junho de 1231, nas vizinhanças de Pádua, Itália, e por isso é conhecido tanto como Santo Antônio de Lisboa, quanto como Santo Antônio de Pádua.
Santo Antônio foi canonizado em 30 de maio de 1232, menos de um ano após a própria morte, e é considerado o processo de canonização mais rápido da história dos santos lusófonos. No ano de 1946, o Papa Pio XII o proclamou “doutor da Igreja”. Ele também é chamado de “santo casamenteiro”, porque auxiliava mulheres que não conseguiam se casar por falta de dote, recorrendo à generosidade das pessoas para ajudá-las a realizarem o matrimônio.

