8 de junho de 2026
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Pau-brasil bicentenário, um dos maiores do Rio, é achado em Realengo

Um dos maiores exemplares de pau-brasil já identificados na cidade do Rio foi encontrado no núcleo Piraquara do Parque Estadual da Pedra Branca, em Realengo, na Zona Oeste, informou o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), responsável pela administração da unidade de conservação, nesta segunda-feira (8).

Segundo o instituto, a árvore tem 16 metros de altura – o equivalente a um prédio de cinco andares – e uma circunferência de 2,35 metros. Para efeito de comparação, são necessárias três pessoas adultas de mãos dadas para abraçar o seu tronco.

O exemplar, que pode ter mais de 200 anos, foi identificado pelo coordenador de voluntariado da Trilha Transcarioca, o pesquisador Diego Monsores, durante uma atividade de monitoramento aéreo realizado com drones, no início de maio. O corredor florestal possui mais de 184 quilômetros, sendo considerada a primeira trilha de longo curso do país.

“Utilizamos desde câmeras trap para monitoramento de fauna a drones que realizam o mapeamento aéreo da copa das árvores. O objetivo é observar, localizar e mapear espécies ameaçadas, auxiliando diretamente a unidade de conservação na proteção dessas espécies tão importantes. A proposta é realizar a coleta de sementes e a produção de mudas desses exemplares, a fim de garantir a preservação da diversidade genética local e fortalecer futuras ações de restauração ecológica”, destacou Monsores.

População de espécie exclusiva do Rio é encontrada no parque

Além da árvore bicentenária, outra surpresa na mesma trilha: foi encontrada uma população de, aproximadamente, 50 indivíduos de pau-brasil-folha-arruda-RJ, espécie raríssima e exclusiva do Estado do Rio de Janeiro.

“A presença de um exemplar centenário de pau-brasil associado a uma linhagem endêmica e rara evidencia a importância estratégica do Parque Estadual da Pedra Branca para a conservação da biodiversidade e do patrimônio genético da Mata Atlântica. Essas descobertas mostram que fragmentos florestais urbanos podem desempenhar papel decisivo na manutenção de espécies ameaçadas e reforçam a necessidade de ampliar ações de pesquisa, monitoramento e conservação nessas áreas protegidas”, destacou a diretora de Biodiversidade, Ecossistemas e Áreas Protegidas do Inea, Julia Bochner.

Até poucos anos atrás, o pau-brasil era conhecido apenas por três morfotipos: folha de Arruda, folha-de-café e folha-de-laranja. Porém, com o avanço das pesquisas sobre o genoma do pau-brasil, foram identificadas cinco linhagens que vivem no litoral brasileiro: norte, arruda-BA, laranja, café e arruda-RJ.

Recentemente, um estudo conduzido pela bióloga e pesquisadora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Patrícia da Rosa, confirmou a existência da população nativa de pau-brasil-folha-arruda-RJ. Segundo a pesquisadora, a linhagem arruda-RJ é endêmica do Rio de Janeiro. Isso transforma o Estado do Rio em responsável direto pela conservação dessa diversidade genética única da flora brasileira.

“O núcleo Piraquara, por exemplo, foi identificado como um dos poucos fragmentos de alta prioridade para conservação da linhagem arruda-RJ, reunindo populações saudáveis, regeneração natural e potencial para produção de sementes e mudas destinadas à restauração ecológica. A redescoberta dessas populações nativas representa uma notícia extremamente importante para a conservação da Mata Atlântica no Estado do Rio de Janeiro. Isso confirma que ainda existem remanescentes com pau-brasil da linhagem arruda-RJ sobrevivendo em áreas urbanas, mesmo após séculos de exploração e perda de habitat “, ressaltou Patrícia da Rosa.

Considerado uma das maiores florestas em área urbana do mundo, com mais de 12 mil hectares de área, o Parque Estadual da Pedra Branca abrange parte de 17 bairros das zonas oeste e sudoeste do Rio: Jacarepaguá, Taquara, Camorim, Vargem Pequena, Vargem Grande, Recreio dos Bandeirantes, Grumari, Padre Miguel, Bangu, Senador Camará, Jardim Sulacap, Realengo, Santíssimo, Campo Grande, Senador Vasconcelos, Guaratiba e Barra de Guaratiba.

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