3 de junho de 2026
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Julgamento do caso Henry Borel entra na fase de debate entre defesas e acusação

Previsão é de que seja o último dia do júri popular dos réus Jairo Souza Santos Júnior e Monique Medeiros

O décimo dia de julgamento do caso Henry Borel começou com debate final entre defesas e acusação, na manhã desta quarta-feira (3), no II Tribunal do Júri, no Centro do Rio. A previsão é de que seja o último antes da decisão dos júris de condenar ou inocentar os réus Jairo Souza Santos Júnior, padrasto da criança, e Monique Medeiros, mãe do menino.
Primeiro a discursar no plenário, o promotor Fábio Vieira iniciou sua fala destacando que a vida pessoal dos envolvidos não deve ser levada em consideração, mas sim as informações relativas à morte de Henry. Ele destacou um sentimento de culpa de Monique por causa do óbito do filho e lembrou situações citadas por ela, como agressões sofridas no relacionamento com Jairo, ciúmes e mensagens de ex-namoradas sobre comportamentos agressivos. As lembranças ocorreram para justificar que a mulher, mesmo ciente disso, deixou de agir contra o companheiro.
“Ninguém que enxerga isso tudo vai falar que ele [Jairo] era ‘acima de qualquer suspeita’. Isso não existe. A Monique diz que não tem dúvidas de que Jairo tem traços de psicopata, mas a Monique é uma pessoa com traços de narcisismo, megalomania. Ela fala que o Henry não poderia ter melhor mãe do que ela. Qualquer um diria: ‘Vacilei com meu filho. Não enxerguei os sinais. Se quiserem me condenar, me condenem’. O Henry fala para o pai que o tio deu um abraço forte. O Leniel [pai do menino] externaliza isso para a mãe. O Henry dá a dica de algo que o incomoda. Quando a gente se debruça sobre o processo, a gente vê os gritos desse garoto pedindo socorro para a mãe, para que ele fosse salvo, mas essa mãe ignora todos”, discursou Vieira.
O promotor ressaltou partes da fala de Monique no interrogatório como forma de destacar que ela sabia das agressões. “A Monique, tendo experiência como professora, de ter sido enforcada ao lado do filho, diz que o Jairo era ‘acima de qualquer suspeita’. Como não percebeu? O Henry falou que o Jairo deu uma banda, fala do abraço apertado. São palavras de socorro”, comentou.
Cristiano Medina, assistente de acusação, afirmou que Monique se uniu a Jairinho por causa de dinheiro e de status. Por isso, ela não teria denunciado as agressões.
“Logo no comecinho de namoro, o Jairo pulou o muro e agrediu ela ao lado do filho. Ela não era apaixonada, não era dependente. Por que ela minimizou a situação? Ela sabia que o Jairo era agressivo ou não? Monique veio a saber o preço de ser ‘Princesa de Bangu’, ela quis pagar o preço para ser”, discursou.
Antes do início da sessão, Medina fez uma análise dos interrogatórios dos réus, ocorridos nesta terça-feira (2). “Ficou muito claro que Monique e Jairo manipularam provas buscando ocultar os crimes cruéis que ambos cometeram. Ficou evidente que Monique permaneceu naquela relação, mesmo tendo plena ciência das agressões que o filho sofria, unicamente para poder se manter na alta sociedade carioca. Tenho plena convicção que ambos serão condenados. Existem provas que demonstram que Jairo torturou e que a Monique era conhecedora desses atos. Ela abdicou de proteger seu filho para ocultar o crime”, disse.
A expectativa é que a decisão sobre condenar ou inocentar os réus saia no fim da noite desta quarta-feira (3).

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