Exonerado na leva de cortes de Ricardo Couto retorna ao Governo na direção do Arquivo Público
Uma nomeação publicada nesta segunda-feira (4) no Diário Oficial do Estado do Rio de Janeiro reacendeu questionamentos sobre critérios adotados na ocupação de cargos estratégicos. O escolhido para comandar o Arquivo Público do Estado é Marco Aurélio Pinheiro dos Santos — nome que já havia sido exonerado no dia 27 de abril pelo governador em exercídio, Ricardo Couto, no contexto das denúncias envolvendo a presença de supostos “funcionários fantasmas” na estrutura do governo. Ele era lotado na Secretaria da Casa Civil.
O detalhe, no mínimo curioso, é que o retorno ocorre em um posto de chefia: ele assume agora como Diretor-Geral do Arquivo Público, órgão responsável por preservar documentos históricos e administrativos do estado. Na verdade, ele volta à direção do órgão. Marco Aurelio Santos ocupava o cargo até 2024, quando foi substituido pelo advogado Victor Travancas em meio a denúncias de que o arquivo estava completamente abandonado.
Retorno após exoneração chama atenção
A exoneração mais recente de Marco Aurélio ocorreu durante uma leva de desligamentos promovida em meio à repercussão de irregularidades na máquina pública. À época, o movimento foi interpretado como uma tentativa de resposta do governo às denúncias amplamente divulgadas.

Agora, pouco tempo depois, o mesmo nome reaparece — desta vez em uma função ainda mais relevante dentro da estrutura estadual. A nomeação foi oficializada após um período de mais de um ano sem um diretor-geral formal no órgão, lacuna que, por si só, já vinha sendo alvo de críticas.

Denúncias e críticas ao cenário do órgão
Marco Aurélio passa a ocupar o cargo que estava vago há mais de um ano, desde a saída do advogado e professor Victor Travancas, ex-diretor do Arquivo Público. Quando foi nomeado diretor do Arquivo, Travancas substituiu exatamente Marco Aurélio, fazendo denúncias de que ao assumir se deparou com problemas estruturais e administrativos na instituição. Segundo ele, havia risco ao acervo histórico e falhas graves de gestão.
“Vale recordar que à época da minha saída levei ao conhecimento das autoridades competentes a identificação de 46 servidores em situação irregular no âmbito do Arquivo Público, fato que, até o presente momento, carece de esclarecimento público adequado”, afirma o advogado.
Travancas demonstra perplexidade com a escolha do novo dirigente, destacando que o nomeado já havia sido apontado como responsável por parte do cenário de degradação do órgão.
“Ou o desembargador foi levado a erro, ou trata-se de mais um gestor que se rendeu as indicações polítcas sem fundamento e sem respeito a memória do Estado”, afirmou.
Ele também relembra que, à época de sua saída, levou ao conhecimento das autoridades a existência de dezenas de servidores em situação considerada irregular, questão que ainda não teria sido esclarecida publicamente.
Cargo estratégico e questionamentos
O Arquivo Público do Estado do Rio de Janeiro é considerado peça-chave na preservação da memória institucional fluminense. Seu acervo reúne documentos históricos que remontam a séculos, sendo essencial para a transparência e a gestão pública.
Diante disso, a escolha do novo diretor-geral levanta questionamentos sobre critérios técnicos e administrativos adotados na nomeação.
Nos bastidores, a movimentação é vista com surpresa — e até certo grau de ironia — por observadores da política fluminense, já que um nome ligado a um momento de crise retorna agora em posição de comando.

