22 de abril de 2026
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Secretaria de Estado de Saúde lança serviço inédito de orientação em saúde bucal no CedTEA

Nos dois anos da unidade, nova iniciativa amplia cuidado multidisciplinar e aposta na psicoeducação para promover prevenção desde a infância

Um novo serviço de orientação em saúde bucal voltado para crianças no Centro Estadual de Diagnóstico para o Transtorno do Espectro Autista (CedTEA) foi lançado, nesta segunda-feira (20/4), pela Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ). A iniciativa marca mais um avanço da unidade, que oferece diagnósticos de crianças e jovens com Tea e completou dois anos no último dia 5/4.

Durante a ação, a secretária de Estado de Saúde, Claudia Mello, entregou kits de escovação às crianças e destacou o caráter educativo da iniciativa. “Estamos realizando uma ação psicoeducacional com as famílias, e isso tem sido muito positivo, porque muitas crianças nunca foram ao dentista. Nesse processo, fazemos uma avaliação inicial e, quando necessário, é feito o encaminhamento para tratamento, já que no estado existem unidades preparadas para atender crianças. Assim, elas já saem daqui com o direcionamento adequado”, disse.

A secretária explicou que o primeiro contato com a odontologia é um passo essencial. “Percebemos que muitas crianças ainda nem reconhecem corretamente os próprios dentes, então esse primeiro contato com a odontologia é fundamental. A proposta é introduzir esse universo de forma leve, mostrando que a saúde também começa pela boca.”

A superintendente do Cuidado das Pessoas com Transtorno do Espectro Autista da SES-RJ, Michelle Gitahy, ressaltou que a nova frente reforça o modelo de atendimento integrado do CedTEA. “Completamos dois anos de atuação, o que representa mais um avanço importante dentro do projeto. Temos buscado ampliar o atendimento e qualificar cada vez mais os serviços. A inclusão da odontologia ao fim do nosso fluxo é fundamental, pois permite um cuidado mais completo”, explicou.

Inicialmente, as crianças passam por uma equipe multidisciplinar e, ao fim do processo de diagnóstico, participam de avaliação com uma dentista. “Agora, a odontologia também está presente, realizando a avaliação da saúde bucal. Além disso, atua com a psicoeducação, orientando sobre escovação correta, uso do fio dental e frequência adequada da higiene. Esse trabalho envolve tanto as crianças quanto suas famílias”, completou a superintendente.

A diretora administrativa e RH, Sayra Casanova, e a diretora assistencial, Ludmila Indalécio, ambas do CedTEA, destacaram o cuidado no acolhimento. “Esse atendimento exige sensibilidade, principalmente porque muitas crianças têm medo do dentista. Por isso, evitamos que esse momento seja visto como algo invasivo, criando um ambiente acolhedor e respeitando o tempo de cada uma”, afirmaram.

Segundo elas, a orientação às famílias é uma das principais demandas. “Muitas não sabem quando começar os cuidados com a saúde bucal ou como inserir isso na rotina. Por isso, trabalhamos de forma prática e acessível.” O espaço conta com uma sala específica para essas ações educativas, onde são feitas demonstrações de escovação, uso do fio dental e distribuição de kits de higiene bucal. A proposta é dissociar o cuidado preventivo de experiências que possam gerar medo.

 

Impacto direto nas famílias

A iniciativa já tem reflexos positivos entre os usuários. Mãe da Valentina Reis, de 10 anos, Stephanie Reis destacou a importância do reforço externo. “Lá em casa eu oriento, mas acredito que é muito importante ter alguém de fora reforçando essas orientações. Às vezes, as crianças não seguem tudo direitinho quando vem só da gente. Esse tipo de iniciativa ajuda muito”, relatou.

A própria Valentina aprovou a experiência. “Aprendi que é importante escovar bem os dentes, usar o fio dental e enxaguar direitinho. Gostei muito do atendimento”, contou.

Outra responsável, Tainara Dias, de 29 anos, também ressaltou os benefícios. “A higiene bucal é um desafio para toda mãe. Estou achando o projeto muito bacana e pretendo levar tudo isso para casa. Já passei pela avaliação e estou satisfeita com o atendimento”, disse ela, que é mãe de Levi Pereira.

Além das orientações, todas as crianças recebem um Certificado de Coragem e um manual de higiene oral, como forma de incentivo ao cuidado contínuo.

 

Referência no diagnóstico do autismo

O CedTEA é referência estadual no diagnóstico precoce e diferenciado do autismo, atendendo crianças e adolescentes dos 92 municípios do Rio de Janeiro. O serviço, que já emitiu 1.506 laudos ao longo de dois anos, é realizado por uma equipe multidisciplinar formada por fonoaudiólogo, psicólogo, terapeuta ocupacional, assistente social, neuropsicólogo, fisioterapeuta, neuropediatra, nutricionista, psiquiatra e, agora, dentista.

Após a regulação pelo Sistema Estadual de Regulação (SER), o diagnóstico é concluído, em média, em até seis semanas. Ao fim do processo, as famílias recebem orientações sobre o suporte necessário e os encaminhamentos para acompanhamento.

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