No Dia Mundial da Saúde, Alexandre Padilha detalha avanços no SUS e reestruturação de hospitais no Rio
No Dia Mundial da Saúde, celebrado nesta terça-feira (7), o debate sobre o acesso à saúde pública, a qualidade dos serviços e os desafios enfrentados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) ganha ainda mais relevância. A data, criada para reforçar a importância de políticas públicas voltadas ao bem-estar da população, também é um momento de reflexão sobre os avanços e as lacunas que ainda precisam ser superadas, principalmente após os impactos da pandemia de Covid-19.
Em entrevista exclusiva ao DIA, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, faz um balanço das principais ações do governo federal no estado do Rio de Janeiro e detalha as prioridades da pasta para os próximos meses. Durante a conversa, Padilha também aborda temas como a reestruturação dos hospitais federais, os impactos do programa Agora Tem Especialistas, o avanço da vacinação, a ampliação do Farmácia Popular e as estratégias para preparar o Brasil para futuras emergências sanitárias.
Faltando menos de um ano para o fim do governo Lula, qual balanço o senhor faz quanto às entregas realizadas no estado do Rio de Janeiro até agora? E, para os próximos meses, o que a população fluminense ainda pode esperar?
O balanço é muito positivo. O presidente Lula, mais uma vez, vai se consolidar como o presidente da República que mais faz pela saúde do povo do Rio de Janeiro. Só pelo programa Agora Tem Especialistas, estamos fazendo uma verdadeira reestruturação da rede de hospitais federais do Rio de Janeiro, sejam os hospitais federais, sejam os três institutos nacionais: o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into), o Instituto Nacional de Câncer (Inca) e o Instituto Nacional de Cardiologia (INC).
Só com a reabertura de leitos, houve um aumento de mais de 27%, além da criação de 16 novas salas cirúrgicas nesses hospitais e institutos. Isso significou, quando comparamos 2025 com 2024, um aumento de 30% nas cirurgias neste ano. São 21.869 cirurgias realizadas, além de um aumento de 28% nas internações, só nos três institutos nacionais. Estamos contratando mais 2 mil profissionais de saúde, entre médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem, e, pela primeira vez, vamos conseguir colocar 100% da estrutura desses institutos funcionando integralmente.
Isso é muito importante porque o governo anterior, a chamada família Bolsonaro, que mandava nos hospitais federais do Rio de Janeiro, provocou um verdadeiro apagão na saúde dessas unidades. Nós estamos ressuscitando esses hospitais. Havia um projeto de sufocamento dessas estruturas. Esses hospitais voltaram a respirar com o presidente Lula. Essa ação e o compromisso dele com a saúde do Rio de Janeiro demonstram que, com Lula, a saúde vem em primeiro lugar, e não interesses familiares, como vimos anteriormente.
A recuperação dos hospitais federais do Rio de Janeiro também é uma experiência positiva de parcerias. Para cada hospital, estabelecemos novos modelos de gestão para melhorar o funcionamento. No Hospital de Bonsucesso, por exemplo, trouxemos o Grupo Hospitalar Conceição, ligado ao Ministério da Saúde. Em um ano, foi possível reabrir a emergência — que ficou cinco anos fechada —, ampliar mais de 118 leitos e contratar cerca de 2 mil profissionais.
No Hospital do Andaraí, foi inaugurado o primeiro acelerador de radioterapia, reaberta a urgência, e o restaurante hospitalar, que estava fechado há 11 anos, voltou a funcionar para atender os trabalhadores. No Hospital de Ipanema, reduzimos em 56% a fila de cirurgias e inauguramos um novo serviço de endoscopia digestiva. No Hospital dos Servidores, firmamos uma parceria inovadora com a UniRio e a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares, que vai, na prática, criar um novo hospital universitário a partir da unidade.
Falando dos hospitais federais na cidade do Rio, houve uma parceria grande da União com a prefeitura para reabertura de leitos e outras ações. O que ainda pode avançar nesse sentido?
Vamos avançar ainda mais na reestruturação dos três institutos nacionais federais: o Instituto Nacional do Câncer, o Instituto Nacional de Cardiologia e o Instituto Nacional de Traumatologia. Já contratamos 1.432 novos profissionais — entre médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem — e vamos chegar a 2.058 até o final do primeiro semestre.
O Instituto Nacional do Câncer já conta com 611 novos profissionais em atuação; o Instituto Nacional de Cardiologia, com 338; e o Instituto Nacional de Traumatologia, com 577, inclusive com a reabertura de 98 leitos e seis salas cirúrgicas.
Para o Instituto Nacional do Câncer, estamos estruturando, por meio de uma parceria público-privada, a construção de um novo campus hospitalar. A proposta é unificar 18 prédios que hoje funcionam de forma fragmentada. Será um grande complexo, com mais qualidade e já incorporando tecnologias modernas de hospitais inteligentes, como os que existem na China, Coreia do Sul, Índia e Alemanha.
O programa Agora Tem Especialistas foi uma das novidades da atual gestão. Qual o saldo dele no Rio até o momento? Houve uma redução significativa na fila de atendimentos, exames e cirurgias?
O Agora Tem Especialistas já provocou, no SUS em todo o Brasil, um recorde de cirurgias eletivas, reduzindo o tempo de espera de quem aguardava há tanto tempo. Só nos hospitais federais do Rio, em um ano, ampliamos em 30% as cirurgias e em 28% as internações.
O programa atingiu o recorde de mais de 14,8 milhões de cirurgias eletivas em 2025, uma alta de 41% em relação a 2022. No estado do Rio de Janeiro, entre 2025 e 2022, o SUS aumentou em 57% a realização de cirurgias, chegando a quase 2 milhões de procedimentos em 2025.
Nos últimos três anos, itens foram incorporados ao programa Farmácia Popular. Há previsão de inclusão de novos medicamentos/produtos?
O Programa Farmácia Popular foi retomado durante o governo do presidente Lula, após ter sido desmontado na gestão anterior, que ficou quatro anos sem recadastramento ou acompanhamento da execução. Em 2025, registramos o recorde de 27 milhões de brasileiros beneficiados, que retiraram gratuitamente seus medicamentos, incluindo fraldas geriátricas.
Também criamos o programa Dignidade Menstrual, que já distribuiu mais de 400 milhões de absorventes para meninas e mulheres em situação de vulnerabilidade. Muitas deixam de ir à escola ou ao trabalho por não terem acesso a esse item básico.
Agora, nosso desafio é ampliar o alcance da Farmácia Popular, levando-a às periferias e transformando-a em uma verdadeira unidade de saúde. No futuro, queremos que, além da distribuição de medicamentos, seja possível realizar exames e consultas por teleatendimento para pacientes com doenças crônicas, como diabetes. Uma coisa é certa: com o presidente Lula, a Farmácia Popular seguirá cada vez mais forte.
Estamos em pleno período da campanha de vacinação contra a gripe. Temos visto nas redes sociais algumas fake news indicando supostos efeitos colaterais. Por causa disso, muitas pessoas deixam de se imunizar. Como o ministério trabalha essa questão da desinformação?
Estamos avançando no combate ao negacionismo, mas ainda há um longo caminho pela frente. Hoje, aumentamos a cobertura vacinal nas 16 vacinas do calendário infantil em comparação com 2022. Naquela época, algumas vacinas tinham cobertura em torno de 70%; hoje, todas ultrapassam 90%.
A vacina contra o HPV, aplicada em meninas e meninos a partir dos 9 anos, já atingiu uma cobertura cinco vezes maior que a média mundial. Já superamos 80% entre as meninas e estamos próximos disso entre os meninos. Essa vacina é fundamental porque previne diversos tipos de câncer, como o de colo do útero, peniano e de orofaringe.
O aplicativo Meu SUS Digital já ultrapassou 16 milhões de usuários, enviando lembretes de vacinação. A caderneta digital da criança já soma mais de 1,6 milhão de acessos. Além disso, o programa Saúde na Escola permite que as crianças sejam vacinadas dentro das escolas, com autorização dos pais.
Eu sou pai de uma menina de 11 anos, sou médico infectologista e faço questão de garantir que ela receba todas as vacinas indicadas pelo SUS. Isso demonstra minha confiança na segurança e na qualidade dessas vacinas.
Neste ano, já adquirimos quase 80 milhões de doses da vacina contra a gripe. O Dia D de vacinação, realizado no último dia 28, foi um grande sucesso, e fiz questão de estar no Rio de Janeiro acompanhando a mobilização.
E, com relação aos transplantes de órgãos, ministro, como o Brasil ainda pode avançar nessa questão? O que tem sido feito para aumentar o número de doadores?
O Brasil bateu seu próprio recorde, ultrapassando 30 mil transplantes anuais, e vamos continuar avançando. Hoje, 85% dos transplantes são realizados pelo SUS. Incorporamos novos procedimentos, como transplantes de intestino delgado, multivisceral e o uso de membrana amniótica para queimaduras.
Também ampliamos os recursos para exames pré-transplante e atualizamos os protocolos de captação de órgãos, além de investir nas centrais de captação. Isso deve permitir que superemos novamente nossos próprios recordes.
Também avançamos no acesso a medicamentos essenciais para pacientes transplantados. Um exemplo é o tacrolimo, imunossupressor que reduz o risco de rejeição. Garantimos a produção 100% nacional desse medicamento, por meio de parceria entre empresas brasileiras e a Fiocruz. Isso assegura autonomia ao país, independentemente do que aconteça no mundo, como conflito bélico ou oscilação cambial. Teremos a produção 100% aqui no Brasil, garantindo a oferta desse medicamento.
No Dia Mundial da Saúde, quais iniciativas o ministério pretende destacar para reforçar a memória da pandemia, valorizar o SUS e preparar o Brasil para futuras emergências em saúde pública?
O dia 7 de abril, Dia Mundial da Saúde, é uma data importante, e faço questão de estar no Rio de Janeiro reforçando o compromisso do presidente Lula com a saúde e com o SUS. Vamos realizar a reabertura do Centro Cultural do Ministério da Saúde, com uma ação voltada à memória da pandemia, para que nunca mais se repita no país. Durante a reinauguração, será criado o Memorial da Pandemia, em homenagem às mais de 700 mil vítimas da Covid-19 e seus familiares.
Também temos desenvolvido ações com associações de vítimas, como a criação de protocolos clínicos para a Covid longa. Convidamos o criador do Zé Gotinha, Darlan Rosa, para contribuir com uma escultura que fará parte do memorial, criando um espaço de visitação para famílias e crianças.
Mais do que simbólica, essa agenda representa um compromisso com a memória, com os profissionais de saúde e com uma política pública baseada na ciência, na vacina e na vida. Também queremos preparar o Brasil para futuras pandemias. Isso passa por derrotar definitivamente o negacionismo, fortalecer o SUS e ampliar a produção nacional de vacinas e medicamentos.
Estamos investindo em três plataformas de vacinas de RNA mensageiro: na Fiocruz, no Butantã e na UFMG. Essa tecnologia permite respostas rápidas a novos vírus. Além disso, trabalhamos na reestruturação da Fiocruz, criando um centro de preparação para emergências em saúde pública, ampliando sua capacidade de resposta, planejamento e atuação diante de futuras crises.

