No Martins inaugura sua primeira exposição individual no Museu de Arte do Rio
Exposição reúne pinturas e instalações que articulam cotidiano e vivências do artista para refletir sobre a experiência negra no Brasil. A abertura da mostra tem entrada gratuita
O Museu de Arte do Rio (MAR), em parceria com a Galeria Almeida & Dale, apresenta a exposição Sortilégios de desvio, primeira mostra individual do artista No Martins no museu carioca. A abertura acontece no sábado, 28 de março de 2026, a partir das 15 horas. Com curadoria de Marcelo Campos, Amanda Bonan, Thayná Trindade, Amanda Rezende e Jean Carlos Azuos, a exposição apresenta um recorte significativo da produção recente do artista, evidenciando os caminhos poéticos que atravessam sua prática.
Por meio de sua produção, No Martins articula uma leitura crítica do tempo a partir de cenas do cotidiano, da espiritualidade e das relações afetivas que estruturam a vida negra no Brasil. Suas obras configuram-se como um território de atravessamentos, no qual a pintura se expande e concatena outras linguagens, instaurando um campo de densidade simbólica que convoca o espectador a um exercício político de reconhecimento e interlocução visual.
“Sortilégios de Desvio propõe dois caminhos ou um contraponto: ao mesmo tempo em que algumas obras apresentam uma denúncia visual e estética das violências estatais contra a população, a exposição também busca entender como a população se desvencilha dessas agressões. Essas violências estão presentes na divisão de territórios, nas políticas públicas, na segregação dos espaços e no acesso à justiça, à defesa e à educação. O contraponto, aqui, aparece na forma como a população mantém sua cultura viva — para que não seja apagada —, assim como sua saúde, seu lazer, seu desenvolvimento e sua evolução”, explica o artista No Martins.
Instalada no Museu de Arte do Rio, a exposição apresenta uma série de pinturas e instalações que propõem um encontro entre narrativa, memória e imaginação, colocando em evidência gestos, presenças e experiências que atravessam a história social e cultural do país. Em Sortilégios de desvio, o artista tensiona as fronteiras da pintura e constrói imagens que operam simultaneamente como registro sensível, fabulação e afirmação de existência. “É importante para nós o trabalho do No Martins não só por conta do discurso, mas da própria manufatura, a pintura sendo feita por um artista jovem, de uma geração recente, além disso, tê-lo em uma exposição no Rio de Janeiro é um privilégio, já que o No é um artista que circula muito mais em São Paulo. Na mostra, as pessoas podem se reconhecer e ao mesmo tempo pensar nas suas próprias famílias, e pensar a condição negra numa outra visão. Porque também a própria história da arte afro-brasileira – que se vinculou muitas vezes a religiosidade – colocava muitas vezes figuras em cenas folclóricas, de tradições e aqui, no caso do No Martins não, as pessoas estão vestidas com as roupas do dia a dia, no sentido urbano. É um outro tipo de relação com a história da negritude”, destaca Marcelo Campos, Curador-Chefe do MAR.
MINIBIO
No Martins, 1987, São Paulo, SP, Brasil.
Por meio de pinturas, instalações, objetos, performances e outras linguagens, No Martins investiga as múltiplas relações de vivência coletiva da população brasileira, sobretudo de pessoas negras. Sua prática enfoca a historicidade de estruturas sociais legadas do colonialismo, questionando os instrumentos de manutenção do poder, tais quais justiça e segurança ou a estratificação espacial e econômica. Ao realizar operações conceituais que mobilizam objetos e palavras, Martins implica diretamente o observador nos debates e situações alçadas por sua obra. Ao mesmo tempo, cria composições cromáticas e pictóricas precisas nas quais concebe cenas de convívio e comunalidade com forte caráter subjetivo que desafiam narrativas imagéticas até então dominantes na história da arte.
Realizou sua primeira exposição individual, Poéticas negras, no Senac Lapa Scipião, São Paulo (2017). Desde então, teve individuais no Brasil e no exterior em espaços como Millan, São Paulo (2024); Mariane Ibrahim Gallery, Chicago, Estados Unidos (2023); e Paris, França (2021); Jack Bell Gallery, Londres, Inglaterra (2020); Centro Cultural São Paulo – CCSP, (2019); Baró Galeria, São Paulo (2019); e Instituto Pretos Novos – IPN, Rio de Janeiro, Brasil (2019). Martins também participou de diversas exposições coletivas, entre elas Dos Brasis: Arte e pensamento negro, Centro Cultural Sesc Quitandinha, Petrópolis, (2024) e Sesc Belenzinho, São Paulo, Brasil (2023); When We See Us: A Century of Black Figuration in Painting, Zeitz MOOCA Museum, Cidade do Cabo, África do Sul (2022); 37º Panorama da Arte Brasileira, MAM São Paulo (2022); 21ª Bienal de Arte Contemporânea Sesc_VideoBrasil, São Paulo, na qual recebeu o prêmio Sesc de Arte Contemporânea (2019); e Histórias afro-atlânticas, MASP e Instituto Tomie Ohtake, São Paulo, Brasil (2018). Sua obra integra acervos de instituições como MASP, Brasil; MAM São Paulo, Brasil; Pinacoteca de São Paulo, Brasil; e Sesc São Paulo, Brasil.
ALMEIDA & DALE
Fundada em São Paulo, em 1998, a Almeida & Dale promove o legado de artistas emblemáticos e emergentes, ao impulsionar a produção contemporânea nos cenários nacional e internacional. Com três endereços em São Paulo, a galeria realiza um programa expositivo e editorial de excelência, estabelece parcerias com instituições e coleções de renome e está presente nas principais feiras de arte mundiais, o que a posiciona como uma das mais influentes galerias brasileiras.
Representando mais de 50 artistas e espólios, reúne nomes fundamentais dos modernismos brasileiros, figuras-chave para a formação da arte contemporânea e a sua projeção internacional, além de artistas em plena atuação que continuam a redefinir o horizonte artístico. Em 2025, ao finalizar sua fusão com a prestigiada galeria Millan, estabelecida em 1986, também em São Paulo, a Almeida & Dale abraça um histórico de comprometimento profundo com o experimentalismo artístico, de colaboração estreita com artistas para os posicionar nas principais exposições e instituições do mundo e de impulsionamento internacional de carreiras.
De maneira ativa, a galeria assume o desafio de difundir múltiplas perspectivas e novas aproximações, centrada em ser uma plataforma para os artistas em projetos potentes. Ao unir expertise artística e um olhar estratégico para as dinâmicas globais do setor, a galeria fomenta a expansão e a capilarização da arte latino-americana por meio de uma atuação que segue amplificando e impulsionando o mercado globalmente. A Almeida & Dale é liderada pelos sócios-executivos Antonio Almeida, Carlos Dale, Hena Lee e João Marcelo de Andrade Lima.
MUSEU DE ARTE DO RIO
O MAR é um museu da Prefeitura do Rio e a sua concepção é fruto de uma parceria entre a Secretaria Municipal de Cultura e a Fundação Roberto Marinho. Em janeiro de 2021, o Museu de Arte do Rio passou a ser gerido pela Organização de Estados Ibero-americanos (OEI) que, em cooperação com a Secretaria Municipal de Cultura, tem apoiado as programações expositivas e educativas do MAR por meio da realização de um conjunto amplo de atividades. A OEI é um organismo internacional de cooperação que tem na cultura, na educação e na ciência os seus mandatos institucionais.
”Para a OEI, o Museu de Arte do Rio (MAR) é um espaço fundamental que conecta a cultura carioca ao mundo, preservando e valorizando as expressões artísticas locais. Por meio de suas exposições e iniciativas educativas, o MAR não apenas promove o acesso à cultura, mas representa um convite ao diálogo e à pluralidade, algo de extrema importância para a coesão de nossa sociedade”, comenta Rodrigo Rossi, Diretor da OEI no Brasil. Em 2024, a OEI e o Instituto Arte Cidadania (IAC) celebraram a parceria com o intuito de fortalecer as ações desenvolvidas no museu, conjugando esforços e revigorando o impacto cultural e educativo do MAR, a partir de quando o IAC passa a auxiliar na correalização da programação.
O MAR conta com o Instituto Cultural Vale como seu Mantenedor, além do patrocínio Master da Equinor, e o patrocínio e Globo Itaú Unibanco. A instituição conta ainda com o apoio da Wilson Sons, bem como com a parceria de mídia da Globo e do Canal Curta.
A Escola do Olhar recebe apoio da Equinor, Machado Meyer reforçando a missão educativa do museu.
O MAR é realizado em parceria com a Prefeitura do Rio de Janeiro, o Governo do Estado do Rio de Janeiro, o Ministério da Cultura e o Governo Federal do Brasil, contando também com os mecanismos da Lei Federal de Incentivo à Cultura e da Lei de Incentivo e Municipal.
Mais informações em www.museudeartedorio.org.br

