Aulas de defesa pessoal fortalecem autonomia e segurança de mulheres em Nova Iguaçu
Uma experiência de violência doméstica vivida há duas décadas transformou a vida da cabeleireira Yuri Lúcia Burity Nakamura, hoje com 54 anos. Após ser agredida pelo então marido na frente do filho de apenas 10 anos, ela decidiu romper o relacionamento e reconstruir a própria história. Anos depois, encontrou nas aulas gratuitas de Defesa Pessoal Feminina, oferecidas pela Prefeitura de Nova Iguaçu, uma forma de resgatar a autoconfiança e se sentir mais segura.
“Foi uma situação que me marcou muito. Nenhuma mulher merece ser agredida. Hoje encontro segurança ao aprender a me defender”, afirma.
Há três meses, Yuri passou a frequentar as aulas na Vila Olímpica de Nova Iguaçu. Como ela, cerca de 20 mulheres de diferentes idades participam da atividade, que reúne técnicas de artes marciais e orientações práticas para prevenção e reação em situações de violência.
Durante os treinos, as alunas aprendem movimentos de defesa e estratégias para se desvencilhar de possíveis agressões. “Aprendi golpes como o jab direto e técnicas para me soltar quando alguém me segura. Mesmo sabendo que o homem pode ser mais forte, existem movimentos que ajudam a imobilizar ou afastar o agressor”, conta.
Mais do que ensinar golpes, o projeto busca desenvolver autoconfiança, atenção ao ambiente e postura diante de situações de risco. As aulas são destinadas a mulheres a partir dos 16 anos.
A professora de defesa pessoal Andreza Martins explica que o foco da atividade é a proteção em casos de violência, e não o enfrentamento de assaltos.
“O objetivo não é ensinar desarmamento ou confronto em roubos. Trabalhamos prevenção e reação em situações de agressão. A mulher aprende a manter postura, não dar as costas para o agressor e agir quando necessário para sair de uma situação de risco”, explica.
Além das técnicas físicas, as participantes recebem orientações de segurança para o cotidiano, como evitar locais isolados, observar o entorno e adotar cuidados ao utilizar carros de aplicativo.
Segundo Andreza, muitas mulheres chegam às aulas após vivenciarem episódios de violência ou tentativas de agressão. Ao longo das atividades, porém, o que se observa é uma transformação emocional.
“Muitas chegam inseguras, vulneráveis, achando que não são capazes de se defender. Com o tempo, ganham confiança e percebem que podem reagir. A aula acaba funcionando também como uma espécie de terapia, porque fortalece a autoestima”, afirma.
As aulas de Defesa Pessoal Feminina acontecem às terças e quintas-feiras, das 15h às 16h, na Vila Olímpica de Nova Iguaçu, na Rua Luís de Lima, 288, no Centro. As inscrições devem ser feitas diretamente no local, sempre na primeira semana de cada mês, nas segundas, terças e quintas-feiras, das 8h às 17h.
Atualmente, mais de 1.200 alunos estão matriculados nas atividades esportivas da Vila Olímpica.

